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Só o título de I Am the Pretty Little Thing that Lives in the House já seria o suficiente para destacá-lo em um gênero constantemente dominado pelas convenções. Sugestivo e poético ao mesmo tempo, ele é também um indicativo do tipo de filme ao qual assistiremos, apontando para seu ponto de vista em primeira pessoa e para a linguagem que adotará e que frequentemente remeterá a um tom literário curioso.

Escrito e dirigido por Oz Perkins, filho de Anthony (que faz uma "ponta" quando uma personagem vê uma cena de Sublime Tentação), o longa é um terror que compreende o que esperamos de uma obra ambientada em uma casa mal-assombrada e até se esforça para criar alguns momentos que poderiam ter saído de um filme mais convencional - mesmo que, no restante do tempo, demonstre estar mais preocupado em criar uma atmosfera do que em investir em sustos ou efeitos visuais.

Aliás, I Am the Pretty Little Thing... é um terror melancólico, triste e que não tenta acelerar sua narrativa para agradar os espectadores mais impacientes. Neste aspecto, Perkins até conta com nossa compreensão sobre o gênero para se libertar de certas amarras, não se importando, por exemplo, em escancarar a natureza do espírito que ocupa a casa habitada pela protagonista Lily (Ruth Wilson) e a idosa escritora Iris Blum (Paula Prentiss), já que presume que todos sabemos que este provavelmente será fruto de uma morte violenta ocorrida no local há muitos anos. Em vez disso, o realizador constroi uma estrutura ambiciosa que se divide entre as experiências de Lily e aquelas vividas por Polly (Lucy Boynton), personagem de um livro escrito por Iris e que pode ter sido inspirada em eventos reais - e a circularidade da história é algo elegantemente ressaltado pelas rimas visuais que surgem em enquadramentos que oprimem aquelas mulheres no canto inferior dos quadros e também na narração em off que acompanha certas passagens.

A narração, por sinal, não comete o erro de ser apenas um recurso preguiçoso - como é tão comum, infelizmente -, destacando-se não só por enriquecer as personagens, mas pela própria beleza estilística com que é concebida, soando muitas vezes como saída diretamente das páginas de um romance.

Hábil ao provocar arrepios mesmo que algumas vezes não tenhamos certeza dos motivos por trás destes, o segundo filme de Oz Perkins é o tipo de produção que provavelmente se revelará "lenta" demais para alguns espectadores, mas que certamente se tornará obsessão para outros. 

Clique na imagem abaixo para assistir.

Um grande abraço e bons filmes!

Outras edições da coluna:

Episódio #27: The 13th
Episódio #26: Amanda Knox
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Episódio #23: Cartel Land
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Episódio #12: O Barco: Inferno no Mar
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Episódio #09: In the Loop
Episódio #08: Life Itself
Episódio #07: À Procura de Elly
Episódio #06: O Guarda
Episódio #05: Triângulo do Medo
Episódio #04: Tempo de Despertar
Episódio #03: A Trapaça
Episódio #02: Tyke: Elephant Outlaw
Episódio Piloto: 21 longas para começar.


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Colunista:

Pablo Villaça

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

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