Ontem à noite, Luca disse que queria escrever um livro e perguntou se podia usar o notebook. Abri o Word, apertei o CAPS LOCK (ele tem mais facilidade com letras de forma em caixa alta) e coloquei a fonte com tamanho 16. E deixei o pequeno trabalhar. E como ele trabalhou: durante mais de uma hora (uma eternidade para uma criança de seis anos de idade), Luca permaneceu diligentemente diante do notebook, buscando as letras no teclado enquanto compunha sua história sobre piratas. De tempos em tempos, me chamava para ajudá-lo a dar espaço suficiente para que iniciasse uma nova página ou então resolvesse algum problema (em certo instante, disse um "Papai!" apavorado quando todo o seu texto desapareceu. Nada que um CTRL+Z não resolvesse, mas que o deixou ansioso).
Finalmente, ao concluir seu livro, pediu que eu o imprimisse - o que fiz imediatamente: cinco páginas, cada uma contendo uma ou duas frases e um imenso espaço em branco que ele então utilizou para ilustrar a história. Para arrematar, ele pediu mais duas folhas em branco: na primeira, desenhou a capa; no verso da segunda (a contracapa, portanto), escreveu: "ESTE LIVRO FOI FEITO POR LUCA. 27/03/2009".
Grampeei as páginas cuidadosamente para que elas abrissem como num livro de verdade e o pequeno, orgulhoso, folheou seu trabalho com uma expressão de imensa felicidade. E desde então mostrou seu "primeiro livro" para a vovó, as primas e por aí afora.
Meu sentimento? Um orgulho tremendo e um frio na barriga que começou no momento em que vi o baixinho diante do notebook, digitando lenta e concentradamente durante tanto tempo.
É muito, mas muito bom ser pai.
(Palavras que Luca disse recentemente e que corrigi depois de pedir que ele primeiro as repetisse umas quinhentas vezes: "lebrina" (neblina), "bisbiotar" (bisbilhotar) e "debolir" (demolir).
Hoje levei o pequeno para assistir a Monstros Vs. Alienígenas num cinema 3D. Antes da sessão, ele comentou, empolgado:
- Eu estou adorando ver filmes em 3D, papai!
- É mesmo? Por quê?
- Porque parecem mais reais, né? Porque a vida é em 3D também! (pausa) Como será que as coisas seriam se tudo fosse 2D?
Depois do filme, o comentário crítico:
- Adorei, papai! Mas eles quiseram mesmo mostrar que era um filme 3D, né?
- Por que diz isso?
- Porque toda hora colocavam uma explosão, uma cena no espaço, alguma coisa pra sair da tela. Era só pra mostrar que era 3D!
Ah, danadinho...