Várias pessoas me alertaram, antes que eu viesse para Curitiba, sobre o jeitão supostamente pouco simpático dos paranaenses - e vários comentários similares foram publicados aqui no blog por leitores.
Devo ter vindo parar numa dimensão paralela, então, pois o fato é que, até o momento, estou simplesmente encantado com a gentileza, a educação e a simpatia desse povo.
Vou dar um exemplo básico: no Rio, praticamente todos os taxistas que conheci me trataram mal (especialmente se a corrida era curta) e tentaram dar voltas comigo (algo que eu combatia ao exibir claramente o GPS do iPhone). Pois aqui em Curitiba, não só os taxistas sempre exibem uma cortesia ímpar - mesmo quando a corrida dá, sei lá, 7 reais - como ainda surpreendem pela articulação e honestidade. Para que tenham uma idéia, ontem peguei um táxi para ir até o Shopping Barigui a fim de assistir a Transformers 2 e, ao lá chegar, entreguei uma nota de 50 reais para o motorista a fim de pagar os 11 reais da corrida.
- Rapaz, eu não tenho troco. Você é a terceira pessoa que me paga com uma nota de 50 reais hoje. Você não tem menor?
Eu não tinha. Nesse momento, qualquer um dos taxistas que conheci no Rio iria começar a resmungar enquanto tentava encontrar alguém que trocasse o dinheiro, buscando, com isso, deixar claro como eu estava sendo inconveniente. Pois adivinhem qual foi a reação do motorista curitibano:
- Vamos fazer o seguinte - ele disse, me devolvendo a nota -: depois você me paga.
- Mas... como, depois?
- Você está hospedado no Virmond, não é? Uma hora dessas você vai precisar de táxi de novo e se coincidir de me chamarem, você acerta comigo.
Reparem que ele nem sabia quanto tempo eu ficaria na cidade e também não podia garantir que eu o chamaria novamente.
- Olha, eu agradeço a confiança, mas se o senhor esperar só um minutinho, eu vou ali dentro e troco o dinheiro.
- Não, não precisa, não.
- Mas eu fico meio tenso em ficar devendo...
- Não precisa ficar tenso, não! - ele riu. - Não tem problema algum.
Ainda assim, insisti e, poucos minutos depois, retornei para pagá-lo.
Mas fiquei encantado com a boa vontade do sujeito.
(Observação em nome do politicamente correto, que desprezo, mas que aqui julgo ser necessário: isto não é um depoimento contra o povo carioca. Ao contrário: os alunos do curso no Rio foram absurdamente alegres e simpáticos - e é bastante possível que eu esteja apenas dando sorte ao encontrar taxistas curitibanos simpáticos. O objetivo deste post é apenas o de ilustrar como a generalização feita sobre o povo de Curitiba tem me parecido injusta. Voltamos agora à nossa programação normal.)
Quero aproveitar para mandar um abraço para o leitor Thiago Daher, que se aproximou de mim ao final da sessão de Transformers 2 e disse:
- Eu vi você entrando e não quis incomodar, mas como você diz no blog que gosta quando leitores se apresentam...
Ele está certíssimo. Eu realmente adoro conhecer leitores do blog e do site. Batemos papo por alguns minutos depois da sessão e isto ajudou a deixar meu dia mais alegre, já que é um porre, nessas viagens, o tanto que sou obrigado a ficar calado durante o dia, já que não tenho com quem conversar.