Curso - 17a. Edição - Balanço

by Pablo 21. março 2010 01:39

Ministro o curso de Teoria, Linguagem e Crítica há cerca de cinco anos. Neste período, foram 17 edições - e somente de janeiro de 2009 para cá, tive nada menos do que 353 alunos. Ainda assim, até hoje, ninguém nunca havia dito no formulário de avaliação do curso (que é preenchido anonimamente) que me achara antipático.

Até Fortaleza.

Sim, pela primeira vez em todos esses anos e alunos, fui considerado "antipático" por um dos integrantes da turma. Por outro lado, ele (ou ela) me deu nota 4 em 5 no quesito didática e, portanto, o estrago não pode ter sido tão grande assim. De todo modo, fiquei surpreso, mas... bom, é impossível agradar todo mundo.

Vamos então ao balanço e à explicação habitual: como sempre, entreguei um formulário ao final do curso para que os alunos comentassem e atribuíssem "pontos" à experiência, sendo que as edições anteriores obtiveram as seguintes avaliações: 4,40 (Décima sexta), 4,62 (Décima quinta), 4,57 (Décima quarta), 4,47 (Décima terceira), 4,57 (Décima segunda), 4,76 (Décima primeira), 4,22 (Décima), 4,33 (Nona), 4,45 (Oitava), 4,07 (Sétima), 4,44 (Sexta) e 4,27 (Quinta). Estas avaliações incluem os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível).

Desta vez, as médias das notas foram:
 
Infra-estrutura: 3,52
Conteúdo: 4,33
Didática: 4,63
Estrutura do curso: 4,33

Média geral: 4,20. 

Curioso: se as duas edições no Sul do país renderam minhas melhores notas (Curitiba, 4,76; Porto Alegre, 4,62), as que ocorreram no Nordeste renderam minhas duas piores (Salvador, 4,07; Fortaleza, 4,20). Não sei explicar o motivo, mas não deixa de ser interessante. 

E agora, vamos à foto tradicional de formatura, que, infelizmente, não contou com a participação de 12 dos 39 alunos da turma: 

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Mais um dia em Fortaleza

by Pablo 17. março 2010 01:15
Quem dera eu pudesse dar o curso apenas no litoral. Nada contra cidades como Porto Alegre, Campinas e São Paulo, que me apresentaram a turmas às quais me apeguei talvez mais do que devesse (mas não consigo evitar; como já disse antes, sinto que cada turma me apresenta a dezenas de novos amigos), mas a vantagem de ministrar uma edição do Teoria, Linguagem e Crítica em cidades praianas é óbvia: durante o dia, me sinto quase (quase) em férias.
 
O segundo dia de aula foi, como de hábito, um pouco mais cansativo. Carregado em conceitos importantes (muitos dos quais chegam a ser quase abstratos, de certo modo), este é o momento ao qual preciso conferir o máximo de energia e ritmo para evitar que a turma se disperse - e o resultado é que sempre saio da aula exausto. Por outro lado, é sempre um prazer ver a turma aprendendo estes fascinantes detalhes sobre a construção narrativa e descobrindo explicações lógicas por trás de impressões que provavelmente a intrigavam há tempos. Além disso, essa edição trouxe uma novidade para mim: como acontece em uma espécie de aquário localizado no andar superior da Saraiva, ocasionalmente um cliente da loja para do outro lado da parede de vidro e fica observando o que ocorre lá dentro - algo que sempre me diverte imensamente, já que sei que eles não estão conseguindo ouvir direito o que digo (e nesses instantes sempre exagero na gesticulação apenas como piada interna).
 
Após a aula, meu amigo Daniel Herculano me levou para conhecer outro restaurante da cidade, o "Degusti" (espero ter escrito corretamente), que tinha uma ótima cantora se apresentando ao vivo e uma pizza deliciosa (e fugindo do meu hábito de evitar álcool, tomei duas caipiroskas muito, muito boas, o que talvez explique meu alto teor etílico neste momento. Aliás, logo em seguida publicarei uma foto minha nu e segurando um cartaz de O Poderoso Chefão).
 
Esta viagem tem sido muito boa. Acho que vou estender a duração do curso para três semanas.

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curso | variados

Agenda em Fortaleza

by Pablo 16. março 2010 13:51

Nesta quarta-feira, dia 17, participarei ao vivo do programa Na Rede, da TV União, às 11h50 (ou meio-dia, não sei ao certo).

Já na quinta-feira, estarei no programa Grande Debate, da TV O Povo, também ao vivo. Horário: 13 horas.

Eita.

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Em Fortaleza (e jantar no Vojnilô)

by Pablo 16. março 2010 02:57
Cheguei a Fortaleza na tarde de sábado depois de dormir por apenas três horas em Campinas, já que a turma de lá me levou para um restaurante depois da última aula e cheguei ao hotel tarde e ainda sem ter arrumado as malas. Recebido no aeroporto por meu amigo (e ex-aluno) Daniel Herculano, colaborador de O Povo e do Cinema em Cena (onde assina a coluna Listas em Cena), fui direto para o hotel, onde deixei a bagagem, para só então seguir para a Saraiva Megastore do shopping Iguatemi, onde o curso acontece. Recebido com simpatia por Maíra, com quem acertei o evento na loja, conheci o local das aulas - uma espécie de aquário no andar superior da Saraiva - e retornei ao hotel para uma boa noite de sono.
 
No domingo, mais uma vez acompanhado por Daniel, sua esposa Kellen (que também fez o curso em Salvador, em janeiro de 2009) e pelo irmão desta (de quem tirei comprometedora foto com uma pochete, que ele alega odiar), conheci o Beach Park, que me enlouqueceu - aliás, só mesmo nesse estado mental perturbado para descer o Insano, escorregador com 41 metros de altura. Infelizmente, o que eu não sabia era que minha velha amiga Suzy, que conheci ainda nos tempos do BBS (em 1994, 1995, portanto), estava de plantão no parque nesse dia - e quase lamento não ter me machucado no Insano para ser tratado por ela.
 
Já na segunda, estreei a décima-sétima edição do Curso de Teoria, Linguagem e Crítica, completando 11 edições em pouco mais de um ano, desde que comecei a viajar com as aulas (a "première" foi em janeiro de 2009, em Salvador, embora eu tenha feito uma "pré-estréia" em julho de 2007, em São Paulo, mas numa edição modificada). Com a sala lotada e alunos que já se mostraram bem-humorados e que rapidamente se entrosaram, trocando informações pessoais e casos, a primeira aula correu de maneira agradável e dinâmica, o que sempre me deixa feliz.
 
E foi aí que Daniel me levou para conhecer o restaurante Vojnilô, de seu amigo Lúcio Figueiredo.
 
Mineiro de Caxambu, Lúcio Figueiredo criou um espaço que traz uma decoração agradável e aconchegante e que combina plenamente com a personalidade de seu dono e a de sua esposa Manu. Além de nos atender pessoalmente e fazer sugestões de pratos, o chef não hesitou em aceitar nosso convite para se sentar à mesa conosco - e, curioso por natureza (e cozinheiro frustrado), logo o enchi de perguntas sobre suas origens, seu início como cozinheiro, a história do restaurante e todo o resto. Com isso, a noite passou rápida e deliciosamente. E o mais surpreendente: embora não seja particularmente fã de frutos do mar, poucas vezes saí tão satisfeito de um restaurante.
 
Assim como recomendei a pousada Casa Vila Bela em Salvador, neste post e neste, me sinto no dever de fazer o mesmo com o Vojnilô - e isso, acreditem, nada tem a ver com a amizade de Daniel e Lúcio, mas tudo a ver com a qualidade da refeição e a simpatia do dono do restaurante e de sua esposa.
 
E agora... dormir para me preparar para o segundo dia do curso.

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Críticas - 12/03/2010

by Pablo 14. março 2010 05:52

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críticas | novos filmes

Curso - 16. Edição - Balanço

by Pablo 13. março 2010 05:50

De janeiro de 2009 até hoje, nada menos do que dez turmas passaram pelo curso de Teoria, Linguagem e Crítica - e se o pessoal de Campinas se mostrou um pouco mais reservado durante a semana (embora tenha participado ativamente das aulas, perguntando, comentando e se divertindo), esta postura se alterou radicalmente no último dia, quando todos pareciam infinitamente mais soltos e felizes com a experiência. E, como já vem se tornando tradição no curso, me levaram para conhecer um restaurante tradicional da cidade, o Giovanetti 5, onde pudemos bater papo, contar piadas e relaxar.

Aliás, seguindo outra tradição, é hora do balanço e da explicação habitual: como sempre, entreguei um formulário ao final do curso para que os alunos comentassem e atribuíssem "pontos" à experiência, sendo que as edições anteriores obtiveram as seguintes avaliações: 4,62 (Décima quinta), 4,57 (Décima quarta), 4,47 (Décima terceira), 4,57 (Décima segunda), 4,76 (Décima primeira), 4,22 (Décima), 4,33 (Nona), 4,45 (Oitava), 4,07 (Sétima), 4,44 (Sexta) e 4,27 (Quinta). Estas avaliações incluem os seguintes itens, que são graduados com notas que vão de 1 a 5: Infra-estrutura (instalações, recursos audiovisuais, atendimento); Conteúdo; Didática (clareza de exposição, domínio dos conteúdos); Estrutura do Curso (ordem dos conteúdos, divisão do tempo disponível).

Desta vez, as médias das notas foram:
 
Infra-estrutura: 3,75 (principal reclamação: sala quente demais)
Conteúdo: 4,56
Didática: 4,84
Estrutura do curso: 4,47

Média geral: 4,40. 

Para concluir, os novos "formandos":  

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Lost 0607

by Pablo 10. março 2010 04:59

(The hills are alive... with the sounds of spoilers...)

Michael Emerson acabou de garantir alguns prêmios de atuação com este episódio. E merecidamente. Desde que surgiu na segunda temporada, Benjamin Linus (então Henry Gale) se estabeleceu como um dos personagens mais fascinantes de toda a série - algo que se deve não apenas à belíssima construção de Emerson, mas aos roteiros de Lost, que sempre nos fizeram encarar aquele homem como um eterno mistério. Em meu curso de Teoria, Linguagem e Crítica, chego a dedicar uma parte da aula de Narração ao personagem, explicando que sua complexidade é evidenciada pelo fato dele exercer as seis funções clássicas determinadas pelo modelo actancial de A.J. Greimas: Sujeito, Objeto, Destinador, Destinatário, Oponente e Adjuvante. Aliás, ele é um dos poucos personagens que consigo lembrar que cumpriram todas estas funções na mesma narrativa.

Provando que todos os episódios centrados em Linus se estabelecem como grandes momentos da série (ao contrário do que ocorre com Kate e com o casal Jin & Sun), este sétimo capítulo da última temporada finalmente permitiu que a estrutura da realidade paralela se mostrasse orgânica: em vez de se preocupar em introduzir novos personagens, as seqüências naquele universo reutilizaram vários (vários mesmo) indivíduos já conhecidos em contextos levemente distorcidos - mas não a ponto de se tornarem irreconhecíveis: Arntz continua chato, Alex encara Ben como uma espécie de figura paterna e Locke, como sempre, se dispõe a seguir/ajudar Linus. A única surpresa real é perceber como o personagem de Emerson agora se relaciona com o pai: em vez do ressentimento que o levou ao parricídio, Ben agora cuida do sujeito com dedicação absoluta - que, por sua vez, se revela um homem preocupado com o bem-estar do filho. Com isso, a realidade paralela finalmente funcionou ao permitir pequenas catarses que surgem como conseqüência do que já sabíamos sobre aqueles personagens.

Além disso, assim como naquele universo Ben se vê dividido entre a tentação do poder e o impulso de agir corretamente, na ilha percebemos como o "velho" Linus se arrepende de seus atos passados - o que, mais uma vez, nos leva a celebrar sua decisão na realidade paralela como uma redenção que, na linha original, ele jamais conseguirá totalmente. Mas mais importante do que isso: pela primeira vez em toda a série, não questionei nem por um segundo a veracidade do que saía da boca de Benjamin Linus quando, entre lágrimas, expôs sua dor e arrependimento diante da perda de Alex e da morte de Jacob. E quando Emerson, com a voz trêmula e olhos marejados, disse que iria de encontro a Locke porque este era o "único que o aceitaria", eu, como espectador e testemunha da trajetória ambígua daquele homem maniqueísta, me comovi com seu sofrimento ao constatar o isolamento que recebeu em troca de seus atos.

E se isto já seria o bastante para transformar o episódio num dos grandes momentos da série, a impressão só se reforçou graças à espetacular cena envolvendo Jack e Richard Alpert e que serviu para que o primeiro (em mais um grande instante de Matthew Fox) expressasse sua conversão absoluta à natureza misteriosa de Jacob e da própria ilha. O antes cínico e racional Jack agora não hesita em apostar a própria vida em sua Fé recém-conquistada, o que representa um dos maiores e mais eficazes arcos dramáticos de todo o projeto.

Pela primeira vez - e graças à qualidade deste episódio - senti realmente uma angústia forte por saber que teremos apenas mais 11 episódios desta série magnífica e desde já inesquecível.

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Oscar 2010: Videocast ao Vivo!

by Pablo 7. março 2010 13:54

Ao todo, o videocast deste Oscar 2010 foi visto por quase 12 mil pessoas - um número que eu jamais poderia imaginar. Obrigado a todos que participaram enviando perguntas ou que simplesmente fizeram a gentileza de acompanhar a cerimônia aqui no blog. Para assistir aos vídeos (são 9 partes) com os comentários, clique em Leia mais...

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premiações e eventos | videocast

Críticas - 05/03/2010

by Pablo 5. março 2010 13:04

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críticas | novos filmes

Oscar 2010: Previsões finais

by Pablo 5. março 2010 01:17

Tentar adivinhar quem vencerá o Oscar é sempre um exercício bobo. Mas divertidíssimo. E se costumo ter uma boa média de acertos, isso se deve menos à minha genialidade (embora todos aqui saibam que, como egocêntrico que sou, eu atribuirei a ela) e mais ao fato da temporada do Oscar estar se tornando cada vez mais previsível, enfadonha e cansativa.

Mas vamos às previsões:

Filme

Vai vencer: Guerra ao Terror.

Explicando a escolha: Neste momento, eu diria que Guerra ao Terror e Avatar estão com chances virtualmente idênticas: 49% cada. Os 2% de diferença ficam por conta de Bastardos Inglórios. Historicamente falando, Avatar tem a grande vantagem de ser um sucesso de bilheteria, já que nunca, em toda a história do Oscar, um filme com arrecadação tão baixa quanto a de Guerra ao Terror venceu o prêmio principal. Assim, estou indo contra 81 anos de tradição ao apostar no longa de Kathryn Bigelow. Além disso, nas últimas semanas uma verdadeira campanha contra o projeto tomou conta da temporada, com entrevistas com veteranos que disseram que o filme não reflete a realidade da guerra, o vazamento do email de um dos produtores pedindo votos e falando mal de Avatar, o processo instaurado contra o estúdio por um sargento que diz ter sido a inspiração para o protagonista e por aí afora. Aliás, quanto mais escrevo, mais penso que deveria mudar minha previsão para Avatar. No entanto, há um... não sei... um “gut feeling” me dizendo para apostar em Guerra ao Terror apesar de todos os obstáculos.

Qual seria meu voto: Anticristo. Hein? Não está concorrendo? Ok, então Guerra ao Terror.

Se vencer, eu mato um: Nhé. Não odeio nenhum dos candidatos a esse ponto. Sou da paz.

 

Diretor 

Vai vencer: Kathryn Bigelow, tornando-se a primeira mulher a vencer este prêmio.

Qual seria meu voto: Kathryn Bigelow.

Se vencer, eu mato um: Nhé. Não odeio nenhum dos indicados. Sou da paz.

 

Ator 

Vai vencer: Jeff Bridges.

Explicando a escolha: Um filme menor, falho, mas que é engrandecido pela grande atuação de um ator não só competente e carismático, mas adorado por todos. E que já foi indicado quatro vezes sem nunca ter levado a estatueta.

Qual seria meu voto: Bridges.

Surpresa que não me desagradaria: Jeremy Renner.

Se vencer, eu mato um: Morgan Freeman. Invictus é medíocre e mesmo que se mostre seguro no papel, Freeman não faz nada de essencialmente diferente do tipo que vem desenvolvendo há anos. Dane-se a paz!

 

Atriz

Vai vencer: Sandra Bullock.

 

Explicando a escolha: Entre as categorias principais, esta é provavelmente a mais disputada. Meryl Streep já foi indicada 16 vezes (3 delas como coadjuvante) e não vence há décadas. Com isso, há um sentimento claro de que já passou da hora de uma das melhores atrizes norte-americanas receber um Oscar que coroaria sua carreira – e até há dois meses, eu apostaria em Streep. No entanto, Bullock venceu várias premiações importantes – entre elas, o SAG – e levou na esportiva até mesmo o fato de também estar concorrendo ao Framboesa de Ouro. E todo mundo gosta de uma pessoa bem humorada.

Qual seria meu voto: Gabourey Sidibe.

Se vencer, eu mato um: Helen Mirren. Mas só porque não vi The Last Station e ficaria frustrado por não poder dizer se ela mereceu ou não.

 

Ator Coadjuvante 

Vai vencer: Christoph Waltz.

Explicando a escolha: Venceu tudo até agora. Por que isso mudaria no Oscar? Por outro lado, Christopher Plummer conquistou sua primeira indicação depois de 52 anos de carreira – e a Academia adora esse tipo de trajetória. Além disso, as categorias de coadjuvantes são constantemente palco de surpresas. Se somarmos a isso o fato de Waltz ser um completo desconhecido até um ano atrás, as chances do veterano sobem um pouquinho. Mas só um pouquinho.

Qual seria meu voto: Waltz.

Se vencer, eu mato um: Stanley Tucci, um ator competente que interpreta uma caricatura no pavoroso Um Olhar do Paraíso. E ele que não tente me fazer ser preso depois que estiver lá no alto.

Surpresa que não me desagradaria: Woody Harrelson.

 

Atriz Coadjuvante 

Vai vencer: Mo’Nique.

Explicando a escolha: Assistam ao filme. Não há como negar um prêmio a ela.

Qual seria meu voto: Mo’Nique.

Se vencer, eu mato um: Qualquer uma que não seja Mo’Nique.

 

Roteiro Original 

Vai vencer: Bastardos Inglórios.

Explicando a escolha: Tarantino atingiu o status de “mestre do Cinema” na última década. É visto como um outsider, embora seja impossível alguém atingir uma posição maior de insider do que a dele (a não ser que você seja Spielberg ou James Cameron), e isto também confere uma aura independente e cult ao sujeito. Além disso, há um sentimento crescente (e correto) de que Forrest Gump tomar o prêmio de melhor filme de Pulp Fiction foi um absurdo pavoroso e esta seria uma boa maneira de afagar a cabeça de seu diretor. Por outro lado, Guerra ao Terror, por ser o projeto com maior número de indicações, pode vencer por uma questão de coerência – dependendo do número de votos enviados antes de que a história do processo contra os produtores estourasse na mídia.

Qual seria meu voto e surpresa que me agradaria muito: Um Homem Sério.

Se vencer, eu mato um: Bastardos Inglórios, um roteiro mediano que foi alçado à condição de magnífico apenas por ter sido dirigido por Tarantino. Pelo jeito, alguém morrerá no domingo.

 

Roteiro Adaptado 

Vai vencer: Amor Sem Escalas.

Explicando a escolha: Jason Reitman é outro cineasta que vem conquistando o respeito da Academia nos últimos anos. Porém, como seu Amor Sem Escalas vai sair de mãos abanando nas principais categorias, esta seria uma boa forma de homenageá-lo e evitar uma derrota absoluta. De certa forma, esta lógica também se aplica a Preciosa, mas a vitória de Mo’Nique pode minimizar a necessidade deste prêmio (que, ainda assim, é uma possibilidade).

Qual seria meu voto: In the Loop, sem a menor sombra de dúvida.

Se vencer, eu mato um: Educação, cujos cinco minutos finais negam tudo que o filme vinha pregando até então.

 

Filme Estrangeiro 

Vai vencer: A Fita Branca.

Explicando a escolha: Se Tarantino ganhou a aura de “mestre do Cinema”, Michael Haneke é um. E seu A Fita Branca vem sendo premiado em importantes festivais ao redor do mundo, o que, somado ao fato de Haneke jamais ter sido indicado ao Oscar (nem mesmo por seu fascinante Caché), praticamente garante sua vitória. Por outro lado, Um Profeta vem ganhando momentum nas últimas semanas e poderia facilmente surpreender.

Qual seria meu voto: Vi apenas três dos indicados (faltaram o israelense Ajami e o peruano A Teta Assustada) e não poderia votar, já que esta é uma das poucas categorias que exigem que os votantes tenham assistido a todos os candidatos antes de enviarem suas escolhas.

Quem eu gostaria que ganhasse: O Segredo dos Seus Olhos, do magnífico argentino Juan José Campanella.

 

Animação 

Vai vencer: Up.

Explicando a escolha: A Pixar é sócia da Academia.

Qual seria meu voto: Coraline.

Se vencer, eu mato um: A Princesa e o Sapo.

 

Fotografia 

Vai vencer: Avatar.

Explicando a escolha: Não dá para ignorar o fato de que Avatar não é só um bom filme, mas também um salto tecnológico importantíssimo para o próprio Cinema – e sua fotografia é um dos principais componentes deste salto.

Qual seria meu voto: Apesar desta importância tecnológica, poucas coisas me impressionaram mais esse ano do que a fotografia de A Fita Branca, que, assim, receberia meu voto.

Se vencer, eu mato um: Gosto de todos os indicados.

 

Direção de Arte 

Vai vencer: Avatar.

Explicando a escolha: A equipe de Cameron concebeu um universo detalhista e impressionante a partir do nada, num trabalho que envolveu uma escala inimaginável.

Qual seria meu voto: Avatar.

Se vencer, eu mato um: Qualquer um que não seja Avatar.

 

Figurino 

Vai vencer: Coco Antes de Chanel.

Explicando a escolha: Um filme sobre uma estilista que marcou história? Como ignorar a tentação de premiar os figurinos, mesmo que o longa em si seja medíocre?

Qual seria meu voto: Brilho de uma Paixão.

Se vencer, eu mato um: Não tenho grande paixão por ou grande antipatia de nenhum dos indicados.

 

Montagem 

Vai vencer: Guerra ao Terror.

Explicando a escolha: Indicado a Melhor Filme, levará o de Melhor Direção e tem uma montagem precisa e brilhante. Acho dificílimo que não vença, mas, caso perca, será para seu principal rival, Avatar.

Qual seria meu voto: Guerra ao Terror.

Se vencer, eu mato um: Preciosa, já que as seqüências fantasiosas jamais conseguem interferir na narrativa de maneira orgânica.

 

Maquiagem 

Vai vencer: Star Trek.

Explicando a escolha: Um sucesso de bilheteria que poderia perfeitamente ter entrado entre os dez indicados a Melhor Filme no lugar de Distrito 9 – e que, além disso, traz um trabalho inventivo e eficaz de maquiagem.

Qual seria meu voto: Il Divo, já que a transformação de Toni Servillo em Giulio Andreotti é absolutamente fantástica.

 

Trilha Sonora 

Vai vencer: Up.

Explicando a escolha: Michael Giacchino é um dos melhores compositores da atualidade – e o fato da Academia ter ignorado a trilha de Os Incríveis ainda é algo que não consigo aceitar. E não há como ignorar os dez minutos iniciais de Up, nos quais a trilha desempenha um papel fundamental.

Qual seria meu voto: Up.

Se vencer, eu mato um: Avatar, já que James Horner parece estar sempre se repetindo – e há momentos da trilha de Avatar que parecem ter sido transpostos integralmente de Titanic.

 

Canção Original 

Vai vencer: The Weary Kind, de Coração Louco.

Qual seria meu voto: The Weary Kind.

Se vencer, eu mato um: Qualquer uma das duas canções do pavoroso A Princesa e o Sapo.

 

Som 

Vai vencer: Avatar.

Qual seria meu voto: Avatar.

 

Edição de Som 

Vai vencer: Avatar, mas eu não descartaria Guerra ao Terror.

Qual seria meu voto: Avatar.

 

Efeitos Visuais 

Vai vencer: Distrito 9. Duh, bem capaz. Avatar, é lógico. A categoria mais óbvia da noite.

Qual seria meu voto: Avatar.

 

Documentário 

Vai vencer: The Cove.

Explicando a escolha: Dos cinco, só não vi Which Way Home, mas acho difícil que a Academia ignore não só a importância de The Cove, mas também o fato de ser um quase representante do cinema-guerrilha, já que sua equipe se arriscou bastante ao realizá-lo. Além disso, quem não ama golfinhos?

Qual seria meu voto: The Cove.

Se vencer, eu mato um: Food, Inc, que apesar de trazer algumas revelações importantes, é aborrecidíssimo e burocrático.

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cinema | premiações e eventos

Série Musas #17

by Pablo 4. março 2010 21:36

Sofia Vergara. 

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Série Musas

Oscar 2010: Videocast ao vivo - ANO III

by Pablo 4. março 2010 05:38
Gostaria de convidar todos vocês - e seus amigos, parentes, vizinhos, animais de estimação, etc - a assistirem ao Oscar 2010 comigo. Porém, como sei que viajar para Belo Horizonte é algo que sairia caro e que, mesmo que topassem o investimento, eu jamais conseguiria enfiar tantas pessoas na sala do meu apartamento, quero propor uma solução: assim como fiz nos dois últimos anos, farei um videocast ao vivo durante toda a transmissão da cerimônia. Por motivos óbvios (a Globo e a TNT me processariam), não poderei mostrar o que está acontecendo no Kodak Theater, mas nada me impede de comentar o que ocorrer por lá.
 
Se aceitarem o convite, basta que apareçam neste blog na noite de domingo, meia hora antes do início da cerimônia. Teremos uma sala de chat abaixo da janela com o vídeo (no qual surgirei ao vivo) e vocês poderão bater papo com outros leitores ou me enviar perguntas caso queiram.
 
E aí? Temos um encontro? 

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premiações e eventos | videocast

Curtas de animação que concorrem ao Oscar 2010

by Pablo 3. março 2010 23:08

(Update: Os dois concorrentes restantes também foram postados.)

Postei isso no twitter mais cedo, mas achei que valeria a pena publicar aqui: cliquem no "Leia mais" e assistam a três dos curtas de animação que concorrem ao Oscar 2010! Leia mais...

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premiações e eventos | vídeos

Lost S06E06

by Pablo 3. março 2010 02:23

(No meio do caminho havia um spoiler. Havia um spoiler no meio do caminho.)

Sayid não é mais o mesmo. Se antes ele era o primeiro a detectar mentiras e perigos, mostrando-se sempre durão e inabalável, agora ele grita, geme e é facilmente manipulado por todos. A expressão antes sempre dura e impassível agora cedeu lugar a um olhar de sofrimento, dúvida e hesitação. Não é mais o personagem que eu considerava um de meus favoritos, mas não posso reclamar: mesmo que ele tenha se transformado em alguém que não conheço, o fato é que estas mudanças foram justificadas pelos acontecimentos das últimas duas temporadas e, portanto, soam perfeitamente naturais. 

Com um ritmo bem mais acelerado do que o episódio anterior, Lost agora parece ter entrado em ritmo de final de temporada, embora tenhamos chegado apenas ao fim do primeiro terço - e isso é bom e apropriado, mesmo que às vezes dê a impressão de que certos incidentes ocorreram de forma conveniente demais, como a chegada de Kate (ela não ia procurar Claire?), Ben, Sun e os demais em um momento-chave. Por outro lado, é preferível que as coisas aconteçam subitamente do que demorem mais do que o indicado - e Lost é famosa por arrastar mistérios até que eles se tornem mais importantes do que deveriam, gerando um anti-clímax que pode ser frustrante quando são finalmente esclarecidos (mesmo que a explicação seja coerente).

Pecando aqui e ali em função de tropeços técnicos (o dublê de Naveen Andrews na luta com Dogen tem seu rosto constantemente revelado, o que indica um erro grave na coreografia e na decupagem da cena), o episódio ainda assim conquistou pelo impacto provocado por vários instantes de sua trama, como a ótima conversa entre LockeLuthor e Sayid, o jeitão de "profeta do fim dos tempos" de ClaireSalu e, claro, o plano final, que me trouxe uma clara impressão de revival de Os Invasores de Corpos.

Um ótimo episódio.

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séries de tevê

Filmes de Fevereiro/2010

by Pablo 2. março 2010 19:39

Filmes vistos (ou revistos) em fevereiro:

Vida de Casado (Married Life, EUA/Canadá, 2007. Dir: Ira Sachs. Com: Chris Cooper, Pierce Brosnan, Patricia Clarkson, Rachel McAdams, David Wenham.) - Um melodrama que flerta pontualmente com o noir, o filme surpreende não pela trama, mas pelas decisões e motivações de seus personagens, trazendo um elenco coeso liderado por um Cooper mais do que inspirado. Ainda assim, alguns diálogos são difíceis de engolir. (3 estrelas em 5)

Charlie Murphy: I Will Not Apologize (Idem, EUA, 2010. Dir: Lance Rivera. Com: Charlie Murphy.) - Oferecendo uma das piores performances que já de stand-up comedy, o irmão de Eddie não só exibe uma total falta de timing como ainda chega a roubar material de George Carlin. “I Will Not Apologize”? Pois deveria. (1 estrela em 5)

RocknRolla – A Grande Roubada (RocknRolla, Inglaterra, 2008. Dir: Guy Ritchie. Com: Gerard Butler, Thandie Newton, Tom Wilkinson, Mark Strong, Idris Elba, Tom Hardy, Karel Roden, Toby Kebbell, Jeremy Piven, Ludacris, Jimi Mistry, Matt King.) - Ritchie mais uma vez bebe na fonte de seus dois primeiros filmes, criando personagens divertidos, perigosos e absurdos. (3 estrelas em 5)

Lola (Lola, Alemanha Ocidental, 1981. Dir: R.W. Fassbinder. Com: Barbara Sukowa, Armin Mueller-Stahl, Mario Adorf, Matthias Fuchs, Helga Feddersen, Karin Baal, Ivan Desny.) - A fotografia espetacular de Schwarzenberger, associada às atuações de Sukowa e Adorf, garante que este comentário social e político de Fassbinder se mantenha fascinante quase 30 anos depois. (4 estrelas em 5)

O Enigma de Andrômeda (The Andromeda Strain, EUA, 2008. Dir: Mikael Salomon. Com: Benjamin Bratt, Eric McCormack, Christa Miller, Daniel Dae Kim, Viola Davis, Justin Louis, Rick Schroder, Andre Braugher, Ted Whittall.) - Embora empalideça diante do original e conte com um terceiro ato que beira o ridículo, traz momentos inspirados do diretor Salomon e de parte do elenco. (3 estrelas em 5)

44 Inch Chest (Idem, Inglaterra, 2009. Dir: Malcolm Venville. Com: Ray Winstone, Tom Wilkinson, Ian McShane, Stephen Dillane, Joanne Whalley, Melvil Poupaud e John Hurt.) - Com um elenco de “machões profissionais” e um roteiro que bebe pesadamente na fonte de David Mamet, o filme certamente tem ótimos momentos, embora peque pelas longas seqüências de “diálogo interno” e pelo excesso de teatralidade. (3 estrelas em 5)

A Invasora (À l’intérieur, França, 2007. Dir: Alexandre Bustillo, Julien Maury. Com: Béatrice Dalle, Alysson Paradis, Nathalie Roussel, François-Régis Marchasson.) - Os vinte minutos iniciais, que parecem ter envolvido algum tipo de pensamento racional, funcionam bem e trazem planos memoráveis. A partir do segundo ato, porém, o filme se contenta com o gore gratuito e descerebrado, julgando que polemizar com violência contra grávidas é o bastante para merece créditos. (1 estrela em 5)

What Goes Up (Idem, EUA, 2009. Dir: Jonathan Glatzer. Com: Steve Coogan, Hilary Duff, Josh Peck, Molly Shannon, Olivia Thirlby, Molly Price, Max Hoffman, Sarah Lind, Laura Konechny, Ingrid Nilson, Andrea Brooks, Andrew Wheeler, Brett Kelly) - O humor melancólico estabelecido pelo estreante Glatzer funciona na maior parte do tempo, sendo beneficiado ainda pela impecável performance de Coogan. (4 estrelas em 5)

Triangle (Idem, Inglaterra/Austrália, 2009. Dir: Christopher Smith. Com: Melissa George, Michael Dorman, Rachael Carpani, Liam Hemsworth, Emma Lung, Henry Nixon, Joshua McIvor.) - Smith não apenas cria um roteiro inteligente e com uma estrutura complexa e fascinante como ainda confere um tom opressivo de pesadelo através de sua excelente direção. (5 estrelas em 5)

O Lobisomem (The Wolfman, EUA/Inglaterra, 2010. Dir: Joe Johnston. Com: Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt, Hugo Weaving, Art Malik, Cristina Contes.) - Um protagonista sem qualquer indício de personalidade, uma atuação sem qualquer envolvimento de Hopkins e um roteiro sem qualquer sinal de inteligência. (2 estrelas em 5)

Herb and Dorothy (Idem, EUA, 2008. Dir: Megumi Sasaki. Com: Herbert Vogel, Dorothy Vogel.) - A história da paixão incontrolável do casal Vogel por arte contemporânea é algo não só tocante, mas educativo. (4 estrelas em 5)

Quando Chega a Escuridão (Near Dark, EUA, 1987. Dir: Kathryn Bigelow. Com: Adrian Pasdar, Jenny Wright, Lance Henriksen, Bill Paxton, Jenette Goldstein, Tim Thomerson, Joshua John Miller, Marcie Leeds.) - Como terror focado em vampiros, empalidece diante de Garotos Perdidos, lançado no mesmo ano; como alegoria do submundo das drogas e de uma época em que o sexo se tornou letal, é óbvio e infantil. Como esta bobagem virou cult, não sei explicar. (2 estrelas em 5)

The House of the Devil (Idem, EUA, 2009. Dir: Ti West. Com: Jocelin Donahue, Tom Noonan, Mary Woronov, Greta Gerwig, AJ Bowen, Dee Wallace.) - Além da excelente ambientação de época (e da própria estética setentista), West concebe uma narrativa bem construída e tensa, resultando num filme tenso e eficiente. (4 estrelas em 5)

Dreams with Sharp Teeth (Idem, EUA, 2008. Dir: Erik Nelson. Com: Harlan Ellison, Robin Williams, Neil Gailman, Josh Olson.) - Ellison é arrogante, mal-humorado, impulsivo, auto-indulgente, prolixo e agressivo. É também brilhante, articulado e divertidíssimo – exatamente como este belo documentário que gira em torno não de sua obra, mas de sua personalidade. (4 estrelas em 5)

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