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89 - Cancelei a Netflix; e Agora, Quais São as Alternativas? Conversa de Cinéfilo

Há algumas semanas, quando publiquei três artigos expondo razões cinéfilas, éticas e políticas para cancelar a Netflix (Parte I, Parte II e Parte III), vários leitores fizeram uma pergunta mais do que razoável: qual seria a alternativa à plataforma, então? O fato é que a Netfix criou, nos últimos anos, uma narrativa na qual seria a única opção de streaming diversificada e com alcance suficiente para atender às necessidades de quem curte ver filmes e séries, mas não está a fim de sair casa. Sim, é uma narrativa falsa (o Amazon Prime já passa dos 100 milhões de assinantes e o catálogo da Netflix é limitadíssimo), mas dominante. Tão dominante que, a princípio, pensei que não teria como oferecer opções realmente dignas de recomendação.

Até que, claro, comecei a buscá-las.

O que encontrei no processo foram várias opções com catálogos excelentes, preços justos e que ofereciam uma diversidade nas escolhas com a qual a Netflix pode apenas sonhar. (Aliás, só sonhar mesmo, já que continua a se endividar para produzir filmes e séries originais que lhe permitam escapar do licenciamento dos grandes estúdios, como expliquei nos meus artigos.)

Assim, passei as últimas semanas testando todos os serviços, avaliando qualidade de streaming, riqueza de títulos e preços. O resultado pode ser conferido na lista abaixo – e meu balanço (incluindo combos que julgo aceitáveis) estará na conclusão do texto. Por motivos óbvios, não incluí plataformas que são basicamente streaming disfarçado de conteúdo obtido via torrent. Já os sites que oferecem conteúdo legalmente, mas que são restritos a usuários em outros territórios, não trazem opções de legenda em português ou exigem cartão de crédito internacional serão discutidos futuramente (Hulu, Fandor, Filmstruck, Crunchyroll, Snagfilms, Tubi, Screambox, Viki, Hallmark, Spuul, FullMoon, etc).

PRIME VIDEO (AMAZON)

Principal rival mundial da Netflix, este serviço oferecido pela Amazon conta com algumas vantagens comerciais que garantem a continuidade na oferta de uma gama maior de títulos – sendo a mais óbvia delas o fato de que este não é o principal modelo de negócios da corporação. Com isso, a Amazon não sofre qualquer pressão para expandir rapidamente seu catálogo de originais, tendo liberdade para investir principalmente em produções com potencial de lhe trazer algum prestígio em vez de se preocupar apenas com a quantidade de títulos originais – e algumas de suas obras incluem The Man in the High Castle, Jack Ryan e Deuses Americanos, além de disponibilizar as temporadas de Transparent, This is Us, Mr. Robot, Fear the Walking Dead, The Office, House, Community e por aí afora. Ah, sim: e também séries infantis.

Oferecendo também a opção de download para assistir offline, o Prime Video disponibiliza clássicos (incluindo a trilogia O Poderoso Chefão, o que já o leva a ganhar dois mil pontos) e lançamentos regulares. Por outro lado, sua categorização em gêneros é bem frágil, incluindo apenas os principais (Drama, Comédia, Terror, etc), e sua oferta de produções brasileiras é ridiculamente pequena.

Não é à toa que esta plataforma representa a maior ameaça imediata à Netflix.

O valor: 7,90 pelos primeiros seis meses.

Clique aqui para ir até o Prime Video.

MUBI

Este é, hoje, uma de minhas plataformas favoritas de streaming. Cobrando 8,99 por mês, o site tem algo que falta à maioria dos serviços do gênero: uma curadoria ativa, que seleciona os títulos disponibilizados para os clientes. Além disso, todos os dias há um filme novo, o que é sensacional.

O Mubi funciona da seguinte maneira: cada nova obra que entra no site fica disponível por 30 dias e é acompanhada por um breve texto explicando por que foi incluída e qual seria sua importância. Com isso, há sempre 30 opções interessantes no ar, além de mostras ocasionais que são montadas para amarrar alguns dos filmes exibidos (neste momento, por exemplo, há “Absurdamente Seu: Os Filmes de Benoît Forgeard” e “Os Demônios Interiores de Ingmar Bergman”, para citar apenas duas).

Porém, se você está com a impressão de que há apenas “filmes-cabeça” (um termo que detesto, por sinal), estará enganada(o), já que constantemente vemos obras de gênero, da comédia aos filmes de artes marciais.

Para completar, o Mubi também funciona como rede social, permitindo que você marque seus filmes favoritos e mantenha contato com outros amantes do Cinema. (Meu perfil está aqui.)

Ah, e a plataforma também oferece a opção de locação de títulos adicionais, que não se encontram na rotação principal mensal.

Clique aqui para ir até o Mubi.

LOOKE

Esta opção de locação adicional à assinatura vem se tornando algo cada vez mais praticado, diga-se de passagem. Aliás, atrevo-me a sugerir que com o tempo se tornará o padrão deste tipo de serviço, que oferecerá, por um valor mensal, um catálogo de obras diversificado que pode ser explorado à vontade e também outro que trará filmes recém-saídos dos cinemas e que podem ser locados ou comprados. (E é razoável presumir que, com o passar do tempo, vários destes lançamentos sejam transferidos para o outro catálogo coberto por assinatura mensal.)

Esta é a maneira como o Looke trabalha: ao entrar no site, há o VideoClub, com o catálogo fixo, e a Loja Online, com os lançamentos. Há também uma seção exclusiva para crianças, o que contempla os pais preocupados com o entretenimento dos filhos. Ao todo, a plataforma oferece mais de 13 mil títulos (incluindo séries), o que deixa os pouco mais de quatro mil títulos da Netflix Brasil comendo poeira. E o melhor, a oferta de clássicos é boa (A Greve, Rebecca, Bullit, Hiroshima Meu Amor, a trilogia dos Dólares, vários filmes de Fellini e até mesmo Glen ou Glenda, de Ed Wood), bem como a de documentários (O Equilibrista, Gimme Shelter, Que Estranho Chamar-se Federico). E o melhor: incluindo produções brasileiras, que vão desde o seminal Em Nome da Razão até Juízo, de Maria Augusta Ramos, passando por Janela da Alma, Extremo Sul e Ato de Vida).

O catálogo de filmes nacionais, infelizmente, ainda desaponta: há Batismo de Sangue, Carlota Joaquina, Bicho de Sete Cabeças e Histórias que Só Existem Quando Lembradas e mais uns vinte, mas só.

Por outro lado, há catálogos específicos de obras com temáticas diversas (LGBTQ, Esportes, Direitos Humanos), vindas de vários países (A Separação, Polissia, Cópia Fiel, Alabama Monroe, Amores Imaginários), além de curtas-metragens (com vários brasileiros). Quanto às séries, há poucas (Luther, Doctor Who, Lowdown, The Honourable Woman), o que se aplica também aos shows musicais.

Já o catálogo de lançamentos, que contém locações que começam em 1,89 e vão até os pré-lançamentos de 16,99 (pelo que vi, boa parte fica em torno de 9 reais) e compras que vão obviamente além (de 14,90 a 49,90), trazem títulos como A Vida é uma Festa, Paddington 2, Os Últimos Jedi, O Rei do Show, Sombras da Vida e por aí afora. Lembrando que os filmes comprados ficam disponíveis para sempre em sua conta, ao passo que os locados devem ser vistos até 48 horas depois da ativação (que não é necessariamente o momento da locação). Ah, e não é preciso ser assinante do Video Club para locar ou comprar filmes.

O valor da mensalidade (que inclui todo o Video Club) começa em 16,90 (um dispositivo), passa por 18,90 (para três dispositivos) e vai até 25,90 (cinco dispositivos e uma locação grátis por mês). Também é possível baixar os títulos para assistir offline.

Clique aqui para ir até o Looke.

HBO GO

A principal vantagem desta plataforma reside na possibilidade de assistir às séries que fazem parte da programação atual da HBO (Westworld, Big Little Lies, Silicon Valley, Game of Thrones, Last Week with John Oliver, Greg News, Barry, entre outras), além do acesso às temporadas daquelas que já chegaram ao fim (A Sete Palmos, The Sopranos, Band of Brothers, Boardwalk Empire, Em Terapia, etc).

Infelizmente, o catálogo de filmes é bem reduzido (mesmo incluindo obras como O Gigante de Ferro, Animais Fantásticos e alguns bons documentários), ao passo que o valor mensal é salgado (34,90).

Clique aqui para ir ao HBO GO.

CINEMA LIVRE

Este é um site curioso: o design é horroroso (quase amador), há links quebrados para certas seções (“Store”) e certas páginas trazem banners de propaganda de outras empresas. Aliás, sua aparência é tão ruim que, ao fazer a assinatura (9 reais/mês), não tive coragem de utilizar a opção de realizá-la diretamente do site, optando por completá-la via PayPal.

Dito isso, o fato é que – ao menos até agora – não me arrependi de fazê-la. Trazendo essencialmente obras em domínio público, o site oferece um número imenso de clássicos – e todos legendados em português. Sim, é suspeito fortemente de que todos os títulos estejam sendo puxados do YouTube, mas há um bom serviço oferecido pelo Cinema Livre no que diz respeito à categorização das obras através de diretores, do elenco e do gênero. Além disso, todos os filmes que vi estavam com ótima qualidade de imagem, o que sugere que os misteriosos responsáveis pelo site (não encontrei o nome de ninguém) fazem uma busca pelas melhores versões disponíveis.

E como assinei pelo PayPal, não vejo problema em pagar por um trabalho que, honestamente, eu não teria tempo nem paciência de fazer.

Clique aqui para ir ao Cinema Livre.

OLDFLIX

Basicamente, quase tudo que escrevi sobre o Cinema Livre cabe também ao descrever o Oldflix. Tudo bem, seu design é mais profissional e não há propagandas espalhadas, mas sou levado a supor que o conteúdo é basicamente sugado de outros sites de streaming. Por outro lado, pesquisei vários dos títulos no YouTube e similares e não os encontrei embora estejam facilmente acessíveis no Oldflix (incluindo versões com as dublagens clássicas, para aqueles que preferem se entregar à nostalgia).

Assim sendo, mais uma vez não me incomodo em pagar pelo trabalho de organização e busca dos responsáveis pelo site (afinal, o catálogo é imenso), embora a assinatura seja um pouco mais cara do que a do Cinema Livre (12,90/mês). Além disso, como pode ser feita via Mercado Pago, não há a preocupação de entregar o número do cartão para desconhecidos. (Há também a opção de pagar com boleto bancário.)

Clique aqui para ir ao Oldflix.

GOOGLE PLAY, YOUTUBE FILMES e ITUNES STORE

Os três funcionam como serviço de locação e vendas, não oferecendo qualquer plano de assinatura como o Looke. O YouTube peca gravemente ao oferecer diversos títulos apenas em suas versões dubladas e contar com um catálogo pequeno, ao passo que a iTunes Store costuma cobrar um pouco mais caro pelos mesmos filmes (ainda que ofereça o maior número de títulos entre os três). Já o Google Play traz um catálogo muito bom, oferece filmes nacionais recentes (como Bingo, Hoje eu Quero Voltar Sozinho, Aquarius, Entre Abelhas e O Filme da Minha Vida) e facilita a vida dos clientes ao listar os títulos mais baratos disponíveis (Dunkirk, It – A Coisa, mãe!, O Jovem Karl Marx, entre outros).

Entre os três, fico dividido entre o Google Play (quanto aos valores médios cobrados) e a iTunes Store (por seu catálogo mais amplo).

Clique aqui para ir ao Google Play e aqui para ir ao YouTube Filmes. Já a seção de filmes da iTunes deve ser acessada diretamente pela iTunes Store.

CINEMATECA BRASILEIRA

O site da Cinemateca conta com um Banco de Conteúdos Culturais (BCC) que oferece acesso gratuito a mais de 300 clássicos do Cinema brasileiro, incluindo longas e curtas. O mais bacana é que sua organização divide as obras entre aquelas produzidas pela Atlântida e pela Vera Cruz, além de uma seção exclusiva para os filmes mudos. Há também uma parte voltada para os projetos produzidos pelo INCE (Instituto Nacional de Cinema Educativo). Como se não bastasse, há galerias de fotos e cartazes, além de uma aba dedicada à TV Tupi.

E, como já mencionei, tudo gratuitamente. (Não é necessário sequer fazer um cadastro.)

Clique aqui para ir ao Banco de Conteúdos Culturais da Cinemateca Brasileira.

LIBREFLIX

Esta iniciativa 100% brasileira concebida por Guilmour Rossi tem o objetivo principal de fomentar uma distribuição cultural que contemple também aqueles que normalmente não poderiam pagar por isso. Para atingir esta meta, a plataforma oferece obras independentes e que tenham exibição liberada por seus autores. Porém, o que diferencia de fato o Libreflix é o enfoque de seu conteúdo, que privilegia títulos que contribuam também para estimular a reflexão.

Aliás, basta ver as principais categorias nas quais divide seu conteúdo para perceber isso: em vez de Drama, Terror, etc, temos Social, Tech, Ativismo, Feminismo, Veganismo, Religião e Natureza, além de Sci-fi, Animação, Comédia e Música. Além, claro, de documentários (Estamira), curtas (Quem Matou Eloá?) e clássicos (como Limite e Metropolis). Há também uma pequena seção que oferece seis títulos voltados para crianças.

E eu já mencionei que é tudo gratuito?

Clique aqui para ir ao Libreflix.

AFROFLIX

A proposta deste outro projeto brasileiro é similar ao do Libreflix, mas com uma diferença importante: nesta plataforma são exibidos apenas títulos que tragam profissionais negros em funções importantes na equipe (direção, elenco, roteiro e daí por diante). Além disso, é necessário que a obra tenha conteúdo liberado para exibição gratuita, obviamente.

Assim, o catálogo do site é dividido nas seguintes categorias: Documentário, Experimental, Ficção, FIC/DOC, Programa, Série, Videoclipe e Vlog.

Como é fácil imaginar, não há um grande número de títulos, mas o acesso é gratuito.

Clique aqui para ir ao Afroflix.

CURTA DOC, PORTA CURTAS E CURTA NA ESCOLA

As três plataformas são gratuitas e contam com um grande catálogo de curtas-metragens de todos os gêneros. O Curta na Escola traz também o diferencial de oferecer apoio pedagógico aos professores interessados em utilizar os filmes nas escolas - e o streaming em si vem, em sua maioria, do Porta Curtas. Aliás, este último representa um banco de dados magnífico e importantíssimo da produção de curtas-metragens no Brasil, trazendo quase 12 mil filmes catalogados e oferecendo a exibição de 1.235 (número sempre em crescimento). Além disso, há a possibilidade de busca por gêneros, pelos nomes dos membros da equipe e do elenco e também a opção de criar canais particulares com seus favoritos ou títulos que deseja ver.

Enquanto isso, o Curta Doc se dedica aos documentários não só do Brasil, mas de toda a América Latina. Em seu acervo, há centenas de filmes divididos em categorias como Artes, Biografias, Cultura Popular, Diversidade Sexual, Inclusão, Infância, Meio Ambiente, Memória, Mulher, Música e Política. Para completar, há os arquivos das três temporadas do programa CurtaDoc, que era exibido na SescTV, e entrevistas com realizadores. Ao todo, são 1.367 filmes para assistir.

Clique aqui para ir ao Curta Doc, aqui para ir ao Curta na Escola e aqui para ir ao Porta Curtas.

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Pois bem: considerando todas as opções apresentadas acima – e sem contar, obviamente, com as plataformas de streaming gratuito -, o combo que julgo um substituto superior à Netflix seria aquele formado pelas três primeiras plataformas apresentadas. Em outras palavras: Prime, Mubi e Looke, que juntas custam em torno de 34 reais e oferecem um catálogo infinitamente mais rico (em número e qualidade) do que aquela que é considerada a “melhor” plataforma disponível. E se você somar a estes três todas as opções gratuitas, terá filme para ver pelo resto da vida. 

Aliás, a partir de agora, todas as dicas da coluna Cinema em Streaming sairão exclusivamente dos sites listados neste artigo. Vejo vocês por lá.

Um grande abraço e bons filmes!

(Ei, uma pergunta: você gosta dos textos que lê aqui? Bom, então é importante que saiba que o site precisa de seu apoio para continuar a existir e a produzir conteúdo de forma independente. Para saber como ajudar, basta clicar aqui - só precisamos de alguns minutinhos para explicar. E obrigado desde já pelo clique!)

Sobre o autor:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.
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