Poster: Invasão Zumbi

 

 

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Banner: Invasão Zumbi

Datas de Estréia: Notas:
Brasil Exterior Crítico Assinante Distribuidora
29/12/2016 20/07/2016
Paris

Sobre o autor da crítica:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

Dirigido e roteirizado por Yeon Sang-ho. Com: Gong Yoo, Ma Dong-seok, Jung Yu-mi, Choi Woo-sik, Sohee, Kim Soo-an, Kim Eui-sung, Choi Gwi-hwa e Jeong Seok-yong.

Poucos monstros clássicos seguem tão presentes no século 21 quanto os zumbis. Se vampiros, múmias e lobisomens surgem ocasionalmente em um filme ou outro, os mortos-vivos sempre podem ser facilmente vistos nos cinemas, em séries de TV, games e quadrinhos. Mais raro, porém, é encontrar projetos que tragam algo de novo ao gênero – uma proeza que o sul-coreano Invasão Zumbi realiza ao empregar um conceito que pode ser resumido em apenas quatro palavras:

Zumbis em um trem.

Funcionando como uma versão de Expresso do Amanhã que substitui os soldados por cadáveres comedores de carne humana, este longa escrito pelo cineasta Yeon Sang-ho acompanha Woo Seok (Yoo), um executivo workaholic que, recém-divorciado, negligencia a filha (a pequena e formidável Soo-an) a ponto de presenteá-la em seu aniversário com o mesmo console de videogame que já havia comprado em uma outra data comemorativa. Sentindo-se culpado pelo equívoco, ele concorda em levá-la para visitar a mãe na cidade de Busan, embarcando com a menina em um trem expresso justamente quando o país começa a enfrentar uma estranha epidemia cuja natureza qualquer cinéfilo é capaz de identificar em dez segundos. Assim, quando uma pessoa infectada ataca um dos condutores, o caos começa a se instalar nos vários carros, levando os passageiros a uma fuga desesperada pelos vagões.

Primeira incursão do diretor Yeon Sang-ho no live-action depois de anos devotado aos animes, Invasão Zumbi é dotado de uma energia que frequentemente aponta para esta origem do realizador, já que seus mortos-vivos fogem do padrão clássico popularizado por George Romero e se revelam criaturas que se transformam em questão de segundos, movimentando-se com agilidade assustadora e remetendo mais aos “primos” vistos em Extermínio e Guerra Mundial Z do que aos lentos seres de The Walking Dead e Madrugada dos Mortos (a versão de Romero, não a de Snyder). Porém, Sang-ho adiciona seus próprios elementos à mitologia ao estabelecer que seus monstros não conseguem enxergar no escuro – uma ideia engenhosa que lhe permite explorar os vários túneis localizados no trajeto.

Mas se a obra é eficaz em seu ritmo e na inventividade com que as sequências de ação são desenvolvidas, o roteiro acaba pecando ao sentir-se na obrigação de fazer comentários sociais através das posturas de seus personagens. Não que adotar um contexto político seja algo ruim (o próprio Romero fez isso em vários de seus trabalhos); o problema é que Invasão Zumbi é simplista demais em seus esforços, retratando executivos de grandes corporações como indivíduos egoístas e cruéis (aquele vivido por Kim Eui-sung é especialmente irritante) e membros da classe média ou mesmo mendigos como seres naturalmente mais nobres e capazes de gestos altruístas. “Você não precisava ter sido boazinha; deveria ter pensado só em você”, diz o protagonista para a filha em certo ponto da projeção – uma fala afetada que só é amenizada graças à boa dinâmica entre os atores, incluindo-se aí o carismático Ma Dong-seok como um marido disposto a tudo para proteger a esposa grávida.

Perdendo um pouco da força no terceiro ato, quando aposta em incidentes absurdos demais até mesmo para uma trama já naturalmente fantástica, o filme ao menos fecha bem o arco de Wook Seok, criando também um plano que merece figurar entre os mais memoráveis do Cinema em 2016: aquele que traz centenas de zumbis perseguindo uma locomotiva e criando uma espécie de malha viva (ou morta-viva) que é por ela arrastada.

Mesmo falhando em seus esforços dramáticos, que soam artificiais demais para comover, Invasão Zumbi traz um fôlego novo a um gênero que constantemente parece satisfeito em depender dos clichês. Esperemos agora por zumbis em um avião.

30 de Dezembro de 2016

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  • Anderson em 02/01/2017 às 22:23

    Eu gostei bastante da sua critica só tenho alguns pontos q foi da percepção q eu tive ao assistir..
    O filme parece querer retratar alguns aspectos da cultura coreana, por isso que em alguns personagens passa a impressão de um drama mal desenvolvido.. Antes de assistir o filme eu vi uma sinopse que dizia q o pai da criança era uma pessoa cruel e desumana e que a menina faria ele mudar, ao assistir não achei isso.. No momento em q ele falou para a criança não se preocupar com os outros era relativo a momentos de crise, ele esta acostumado a fazer analises e conhece o comportamento humano.. Fiquei surpreso no final, eu achava q ele diria algo dramático para a criança, algo como eu quero o melhor para você, cuide da sua mãe, em geral, algo q expressaria o sentimento q ele tinha ali ao ver pela ultima vez a filha.. Isso não aconteceu, acredito q seja devido a cultura repressiva entranhada nele. Algo interessante aconteceu perto do momento da transformação, ele ao invés de sentir raiva (acontecia com as outras pessoas, inclusive a mãe dele) ele liberou todos os sentimentos reprimidos.. Ele chorou e lembrou de todos os momentos com a filha..
    A coisa em relação a critica social, eu não sei se era em relação a executivos ou era somente aquele homem, tanto q a maioria q acabou entrando naquele vagão ficaram cruéis em algum momento, eles não eram inicialmente de um setor especifico e mais caro do trem...
    O marido da mulher gravida mostrou um certo preconceito pelo pai da menina, a coisa do investidor, talvez seja o mesmo comentário q alguém teria aqui no Brasil faria com grandes acionistas de bancos. Achei curioso a coisa do patriarca ter q escolher o nome da criança, deve ser cultural ou religioso, isso e' muito interessante.. Eu achei o personagem dele mais frio do que o pai da menina, se bem q a maioria do filme e' meio fria...
    Eu tenho q assistir novamente, fico na duvida se os q eram mais generosos (ou só eram generosos) foram porque tinham um vinculo muito forte, alguém para proteger ou faziam parte de um grupo, digo respectivamente grupo pais (o pai da menininha marido da gravida) e o time de baseball..

    Achei q a menininha foi muito bem.. A coisa dos zumbis coloca guerra mundial Z no chinelo, o uso daquela grande quantidade de figurantes foi sem igual...

    Eu fico na duvida se teve mesmo falta drama ou se foi falha em desenvolvimento personagens ou de justiça poética em algumas mortes ali, principalmente na da moca q acompanhava o time de baseball..

    O filme e' espetacular..

  • Jorge em 31/12/2016 às 02:08

    Achei divertidinho somente. Os cortes são muito rápidos, o que me incomoda sempre nos filmes de ação atuais (e este é mais um filme de ação do que terror, sem dúvida). Outro porém ao meu ver é o sentimentalismo a mais de algumas sequências...

  • klilton filho em 30/12/2016 às 09:20

    I have had it with this motherf***ing zombies in this motherf***ing plane?

 

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