Cinema Expresso

A 36ª. Câmara de Shaolin (Shao Lin san shi liu fang, Hong Kong, 1978)
Um clássico cult do cinema de Hong Kong da década de 70, é beneficiado por valores de produção incrivelmente altos para um título do gênero, revelando uma ambição que se reflete não só no bom roteiro, mas na maneira calculada com que a narrativa é desenvolvida. Pecando apenas por um clímax que soa abrupto demais em um filme que até então não demonstrara qualquer pressa em construir a história, o projeto acaba por conceber um herói ao mesmo tempo humano e de dimensões mitológicas. 4/5
A Busca (Idem, Brasil, 2013)
Wagner Moura, como de hábito, se entrega com intensidade e sensibilidade ao papel – e o filme faz jus à sua performance até cerca de metade da projeção, quando, então, começa a prolongar a narrativa e a torná-la cada vez mais implausível a fim de chegar a uma catarse artificial que desaponta. 3/5
A Casa do Fim dos Tempos (La casa del fin de los tiempos, Venezuela, 2013)
O roteiro acaba sendo mais previsível do que julga ser, mas o diretor estreante consegue criar uma atmosfera suficientemente inquietante para manter o espectador envolvido e – o mais importante – tenso na maior parte do tempo. 3/5
A Espiã que Sabia de Menos (Spy, EUA, 2015)
McCarthy consegue criar uma personagem que soa real mesmo vivendo as mais absurdas situações, ao passo que Paul Feig realiza a proeza de evitar a pura sátira ao gênero, criando sequências de ação eficientes e empregando a violência (até mesmo gráfica) como contraponto para gerar choque, mas também o riso. 4/5
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A Fuga (La fuga, Argentina/Espanha, 2001)
Remetendo mais a uma novela pouco inspirada do que ao drama de época multifacetado que pretende ser, o filme é um melodrama aborrecido que só não merece o esquecimento completo por trazer um Ricardo Darín que aqui começava a encontrar o reconhecimento internacional que tanto merecia (mas cuja trajetória poderia ter sido facilmente prejudicada por este equívoco). 2/5
A Garota que Anda à Noite
Uma fotografia belíssima a serviço de um filme que confunde um tom contemplativo e uma narrativa existencialista com... o mais absoluto tédio. Eu até poderia escrever mais sobre esse filme, mas não szzzzzzzzzzzzz. 1/5
A História da Eternidade (Idem, Brasil, 2015)
Misto de alegoria, drama com narrativas múltiplas e um comentário político-social construído a partir de um microcosmos fascinante, o filme conta com personagens ricos, uma fotografia belíssima, um design de produção soberbo e com momentos tão mágicos quanto duros em seu realismo – além de trazer ao menos duas cenas absolutamente inesquecíveis (ambas protagonizadas por um Irandhir Santos cada vez melhor). 4/5
A Idade do Ouro (L’âge d’or, França, 1930)
A pior maneira de se assistir a A Idade do Ouro é tentando decifrá-lo – o que seria uma tarefa não só exaustiva, já que cada plano parece trazer duzentos simbolismos, mas também inútil, já que é bastante provável que boa parte destes “simbolismos” sejam apenas resultado das ideias de Buñuel e Dalí acerca do que ficaria interessante na tela e ajudaria a criar uma atmosfera onírica intensa. Sim, há instantes em que as alegorias se tornam claras (como o burguês com o rosto coberto de moscas), mas há vários outros nos quais o diretor busca mesmo testar novas formas de levar o público a experimentar o Cinema. E o que importa é que, mesmo indecifrável, o filme jamais deixa de ser fascinante. 5/5