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Festival de Berlim 2016 - Dia 10 (e último) Festivais e Mostras

E a 66ª. edição do Festival de Berlim chegou ao fim. Nos últimos dez dias, assisti a 42 filmes, publiquei onze vídeos e escrevi cerca de 15 mil palavras. E passei frio. Muito frio.

Mas também fiz Meryl Streep rir.

Pois é. Embora tenha contado no Twitter o que houve, acabei não incluindo nos textos sobre o festival, mas não poderia deixar de falar sobre isso antes de encerrar a cobertura: eu estava sentado no café localizado no segundo andar do Cinemaxx, onde muitos dos longas são exibidos. Era um intervalo entre sessões e eu tentava injetar a maior quantidade de cafeína possível em meu corpo para mantê-lo capaz de chegar ao fim do dia. De repente, uma pequena comoção toma conta do ambiente e...

... Meryl Streep entra acompanhada de outra integrante do júri e de alguns membros da equipe do festival (suponho que eram seguranças, embora não estivessem vestindo nada que indicasse isso). Ela estava no Cinemaxx para ver mais um dos títulos em competição e, antes, iria falar brevemente para a rádio oficial do festival, que, não por acaso, funcionava bem ali, num canto do café.

Enquanto tudo era preparado para a conversa, ela foi direcionada para um banco que ocupava toda a parede no fundo do café e caminhou até lá, sentando-se. Ao meu lado.

Congelei. Eu deveria dizer alguma coisa? Reconhecer que estava ao lado de La Streep? Acenar com a cabeça? Sorrir? Oferecer café? Deitar em seu colo e pedir carinho?

Ela resolveu a questão para mim. Provavelmente habituada à impressão que causa nos demais seres humanos que habitam o planeta oficial de Meryl Streep, ela graciosamente demonstrou que eu não precisava ficar preocupado, pois não mordia: fez um pequeno gesto em direção do meu crachá, que estava ao contrário (como sempre), e perguntou:

“Market or press?”

Ela se referia às duas principais credenciais do festival. Tentando parecer o mais natural possível, como se conversar com a atriz mais premiada da História das Atrizes da Galáxia fosse algo que faço corriqueiramente, mostrei o crachá e respondi: “Press”. Ela sorriu, acenou com a cabeça e voltou a olhar para a frente.

Uns dois ou três segundos de silêncio se passaram. E então perguntei:

“And you?”

E aí ela soltou aquela risada de Meryl Streep, jogando a cabeça para trás.

A partir daí, começamos a bater papo, trocamos telefone e nos tornamos grandes amigos.

Hum. Não exatamente. A verdade é que não consegui pensar em mais nada para dizer e, logo em seguida, ela foi chamada para a entrevista, ergueu-se, disse um “Bye” simpático e foi cumprir suas funções de estrela. E me deixou com uma história para contar para os leitores, os filhos e os netos, que por sua vez o narrarão aos seus próprios descendentes e perpetuando a história da grande honra com a qual os Villaça foram agraciados no longínquo ano de 2016.

Bom... mas vamos trabalhar. No décimo dia, vi três filmes: Shepherds and Butchers, Aqui no há pasado nada e Os Primeiros, os Últimos. Comentarei os três no vídeo que está ao fim deste texto, mas, excepcionalmente, não escreverei sobre nenhum (embora tenha gostado de todos). Estou exausto e me darei o direito de ir dormir mais cedo.

Antes, porém, vamos aos prêmios desta Berlinale (o Urso de Ouro foi para o italiano Fuocoammare, sobre o qual escrevi durante a cobertura):

Membros do Júri Internacional: Meryl Streep (Presidenta), Lars Eidinger, Nick James, Brigitte Lacombe, Clive Owen, Alba Rohrwacher e Małgorzata Szumowska

Urso de Ouro para Melhor Filme: Fuocoammare, de Gianfranco Rosi

Urso de Prata, Grande Prêmio do Júri: Morte em Sarajevo, de Danis Tanovic

Urso de Prata, Prêmio Alfred Bauer (para um filme que abre novas perspectivas): A Lullaby to the Sorrowful Mystery, de Lav Diaz

Urso de Prata, Melhor Direção: Mia Hansen-Løve por L'avenir

Urso de Prata, Melhor Atriz: Trine Dyrholm em Kollektivet (The Commune), de Thomas Vinterberg

Urso de Prata, Melhor Ator:  Majd Mastoura em Inhebbek Hedi (Hedi), de Mohamed Ben Attia

Urso de Prata, Melhor Roteiro:  Tomasz Wasilewski, por Zjednoczone stany miłości (United States of Love), de Tomasz Wasilewski

Urso de Prata, Maior Contribuição Artística nas categorias de fotografia, montagem, música, figurinos ou direção de arte: Mark Lee Ping-Bing pela fotografia de Chang Jiang Tu (Crosscurrent), de Yang Chao

Prêmio de Melhor Longa de Estreia (membros do júri que decidiram o prêmio de 50 mil euros: Michel Franco, Enrico Lo Verso e Ursula Meier): Inhebbek Hedi Hedi, de Mohamed Ben Attia.

E é isso. Esperam que tenham gostado da cobertura. O vídeo com comentários sobre os longas do último dia está logo abaixo.

Um grande abraço e bons filmes!

Sobre o autor:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.
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