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75 - Oscar 2016: Previsões Finais Conversa de Cinéfilo

Amigos do Cinema em Cena,

antes de falar sobre as previsões, convido vocês a me seguirem no Snapchat e no Twitter (em ambos, pablovillaca), onde comentarei a cerimônia. 

Bom, desde que comecei a publicar minhas previsões para o Oscar, em 2000, não me lembro de uma temporada de prêmios tão imprevisível quanto esta. Como sempre explico, não é difícil prever os vencedores se você acompanha os eventos que são considerados como “termômetros” do prêmio da Academia – especialmente aqueles distribuídos pelos guilds (associações) como o PGA (dos produtores), DGA (dos diretores), SAG (dos atores), WGA (dos roteiristas), ACE (dos montadores) e assim por diante. (Não, o Globo de Ouro é insignificante e não é levado a sério por ninguém da indústria.)

Ano passado, a disputa foi acirrada (especialmente entre Boyhood e Birdman), mas não “imprevisível” justamente em função da distribuição de prêmios nas semanas anteriores, que já indicava o caminho. Este ano, porém, a coisa se complicou bastante.

Explico: desde que mudou sua maneira de definir os vencedores, o PGA tem sido o termômetro mais confiável, já que é o único que também usa o modelo de voto preferencial para eleger o Melhor Filme (as outras categorias são decididas do modo mais tradicional: quem tem mais votos, ganha). Este modelo preferencial, como também já discuti em outras ocasiões (como neste post no blog do Submarino, por exemplo), tende a beneficiar filmes que não dividem muito o público (longas do tipo “ame ou odeie”). Pois bem: este ano, o PGA foi para A Grande Aposta.

Por outro lado, os prêmios conferidos pelo DGA e pelo SAG também são considerados muito influentes, mesmo não acertando tanto quanto o PGA (o que provavelmente ocorre porque não usam o sistema preferencial) – e, este ano, foram dados a O Regresso e a Spotlight.

E este é o problema: normalmente, se um filme vence o PGA e mais um dos demais, torna-se a aposta mais segura. Isto, porém, não ocorreu em 2016. O Regresso acabou dominando o maior número de premiações diferentes e tem o maior número de indicações – dois sinais de que é o que tem mais chances de vencer -, mas... bom, perdeu o PGA. E o PGA é o mais confiável. Percebem o dilema?

Assim sendo, ninguém pode afirmar estar convencido de saber quem vencerá. Ninguém. Só sabemos que o troféu de Melhor Filme ficará entre O Regresso, A Grade Aposta ou Spotlight; fora isso, qualquer palpite é puro achismo. Da mesma maneira, o DGA costuma ser ótimo para prever quem vencerá o Oscar de Melhor Direção, mesmo tendo errado, por exemplo, no ano passado, quando foi para Richard Linklater (Iñárritu levou o Oscar). Aí vem a questão: se o DGA premiou Iñárritu para compensar a derrota em 2015, a Academia não se verá compelida a fazer isso, já que ele foi o vencedor no ano passado. Mas Melhor Filme e Melhor Direção costumam ir para o mesmo filme e Adam McKay não tem tanta força quanto Iñárritu, o que seria um mau sinal para A Grande Aposta. Ai, ai. Minha cabeça já começou a doer. (Correção: Iñárritu venceu o DGA em 2015.)

Já nas demais categorias, a coisa é um pouco mais simples.

Então chega de papo e vamos às previsões.

Filme

Vai vencer: O Regresso da Grande Aposta. (Ok, ok: O Regresso.) (Não: A Grande Aposta.)

Explicando a escolha: Expliquei na introdução a complicação para se prever esta categoria. Não é necessário repetir.

Qual seria meu voto: A Grande Aposta.

Se vencer, eu mato um: Pontes dos Espiões.

 

Diretor 

Vai vencer: George Miller, caso eu fosse muito teimoso. Mas será Iñárritu.

Explicando a escolha: O senso comum aponta para Iñárritu, mas... não sei. Caso vença, o mexicano se juntará a John Ford e a Joseph L. Mankiewicz no seleto grupo de cineastas que receberam o prêmio em dois anos consecutivos. E que me desculpem os fãs do diretor, mas ele definitivamente não está no mesmo nível que os demais. Por outro lado, venho apostando em George Miller a temporada inteira e perdendo. Está na hora de aprender a abrir mão.

Qual seria meu voto: George Miller.

Surpresa que não me desagradaria: Adam McKay, por A Grande Aposta.

Se vencer, eu mato um: Gosto de todos os indicados. Não acho que Iñárritu mereça, mas seu trabalho em O Regresso é competente, mesmo que narcisista demais.

 

Ator 

Vai vencer: Leonardo DiCaprio.

Explicando a escolha: Não há discussão. É a aposta mais segura deste ano; caso DiCaprio perca, será mais do que uma zebra, mas um choque. Venceu todos os prêmios anteriores, conta com a simpatia da indústria, já perdeu em quatro outras ocasiões e fez campanha pesadamente este ano, participando de diversos eventos voltados para os eleitores da Academia.

Qual seria meu voto: DiCaprio.

Surpresa que não me desagradaria: Michael Fassbender.

Se vencer, eu mato um: Eddie Redmayne, que interpreta uma caricatura em A Garota Dinamarquesa.

 

Atriz

Vai vencer: Brie Larson.  

Explicando a escolha: Venceu praticamente todos os prêmios precursores – e, para ajudá-la, a única outra concorrente que tinha alguma chance, Charlotte Rampling, falou uma imensa bobagem sobre a falta de representatividade no Oscar. Numa eleição, um erro desses tende a ser fatal.

Qual seria meu voto: Rampling.

Surpresa que não me desagradaria: Saoirse Ronan.

Se vencer, eu mato quinze: Jennifer Lawrence.

 

Ator Coadjuvante 

Vai vencer: Sylvester Stallone.

Explicando a escolha: É um veterano da indústria. A narrativa de sua premiação seria perfeita: criou um personagem há 40 anos, foi indicado ao Oscar por ele na época, caiu no esquecimento, recuperou-se e voltou à franquia completando a trajetória de sua criação numa posição agora de coadjuvante. Não é à toa que ele venceu tantos prêmios até agora.

Qual seria meu voto: Stallone, Stallone e Stallone.

Surpresa que não me desagradaria: Os cinco mereceram suas indicações. Gosto um pouco menos de Rylance, mas não seria absurdo se vencesse.

Se vencer, eu mato um: Sou o Dalai Lama quanto a esta categoria.

 

Atriz Coadjuvante 

Vai vencer: Alicia Vikander.

Explicando a escolha: A disputa é injusta: ela está concorrendo como coadjuvante por um filme do qual é protagonista, o que a coloca em vantagem óbvia com relação às demais integrantes da categoria. A decisão do estúdio de colocá-la como coadjuvante é fraudulenta. Mas se revelou eficaz, já que ela venceu prêmio atrás de prêmio. (Aliás, a mesma estratégia foi tentada com Rooney Mara, mas sem tanto sucesso.)

Qual seria meu voto: Jennifer Jason Leigh, por Os Oito Odiados.

Surpresa que não me desagradaria: Kate Winslet.

Se vencer, eu mato um: Todas estão excelentes em seus papéis. Não concordo com a presença de Vikander e Mara nesta categoria, mas, já que já estão ali, não vejo sentido em reclamar.

 

Roteiro Adaptado 

Vai vencer: A Grande Aposta.

Explicando a escolha: A pessoa que leu o excelente livro original e pensou que daria para fazer um filme a partir dele é completamente insana. Ou genial. Ou ambas.

Qual seria meu voto: A Grande Aposta.

Se vencer, eu mato um: Este ano, estou muito bonzinho. Não mataria ninguém. Bom, talvez o Adam Sandler, mas não em função do resultado desta categoria; apenas por prazer, mesmo.

 

Roteiro Original 

Vai vencer: Spotlight.

Explicando a escolha: Um tema importante desenvolvido de forma elegante e complexa. Além disso, como suas chances nas demais categorias são pequenas, esta seria praticamente sua única chance de vencer algo.

Qual seria meu voto: Ex Machina.

Surpresa que não me desagradaria: Divertida Mente.

Se vencer, eu mato um: Ponte dos Espiões.

 

Filme Estrangeiro 

Vai vencer: O Filho de Saul.

Explicando a escolha: Cantei a pedra assim que vi o filme em Cannes, em sua première mundial. Lida com o Holocausto, com a perda de um pai, conta com uma linguagem atípica e intensa, foi dirigido pelo discípulo de um mestre... O contexto perfeito.

Qual seria meu voto: O Abraço da Serpente, que considero uma obra-prima.

 

Animação 

Vai vencer: Divertida Mente.

Explicando a escolha: É a Pixar. Com um filme que emocionou meio mundo, traz uma história original, bem-humorada e tocante, foi um tremendo sucesso de bilheteria e contou com verba para fazer campanha.

Qual seria meu voto: O Menino e o Mundo. Sou brasileiro, ué. Claro que votaria pelo nosso trabalho – a não ser que fosse algo vergonhoso, o que não é. Ao contrário.

Se vencer, eu mato um: Gosto de todos os indicados. (Eu sei, tenho um coração de manteiga.) 

 

Fotografia 

Vai vencer: O Regresso.

Explicando a escolha: Lubezki venceu praticamente tudo este ano. É um dos profissionais mais respeitados da área (embora esteja concorrendo com outro mestre, Roger Deakins, que já deveria ter vencido há muito). O filme é tecnicamente muito mais... “grandioso”? “chamativo”? “auto-indulgente”?... do que seus concorrentes e a sutileza de Deakins em Sicário, por exemplo, acaba prejudicando-o injustamente. Pelo jeito, Lubezki se tornará o primeiro diretor de fotografia a vencer três Oscars consecutivos.

Qual seria meu voto: Mad Max. Adoro o trabalho de Deakins, mas não só a ideia de fugir das cores dessaturadas de filmes pós-apocalípticos me encanta, mas principalmente o conceito de rodar boa parte do filme (suas sequências de ação) com um frame rate inferior a 24 quadros por segundo.

Se vencer, eu mato um: Adivinhem só? Pois é. Gosto de todos.

 

Design de Produção

Vai vencer: Mad Max.

Explicando a escolha: Venceu o BAFTA e – ainda mais importante – o prêmio da associação de diretores de arte. Além disso, o filme não deverá vencer nas categorias principais e, assim, é bem provável que a Academia queira compensar isto nas técnicas.

Qual seria meu voto: Mad Max.

Se vencer, eu mato um: O Regresso. Não vamos exagerar no apreço pelo filme, ok?

 

Figurino 

Vai vencer: Mad Max.

Explicando a escolha: Pelo mesmo motivo descrito acima. Além disso, Sandy Powell, que é sempre uma concorrente forte nesta categoria, dividirá os votos consigo mesma por ter sido indicada duplamente (por Carol e Cinderela).

Qual seria meu voto: Mad Max.

Se vencer, eu mato um: O Regresso. Não há nada de particularmente criativo, evocativo ou desafiador nos figurinos do filme.

 

Montagem 

Vai vencer: Mad Max.

Explicando a escolha: A montagem é um elemento fundamental na energia do filme, que, afinal, consiste basicamente de uma longa sequência de ação. Por outro lado, denúncias recentes de Margaret Sixel não teria montado de fato o projeto, roubando os créditos de Jason Ballatine, podem prejudicá-la. (Se é verdade ou não, não faço ideia.)

Qual seria meu voto: A Grande Aposta.

Surpresa que não me desagradaria: Eu quero que A Grande Aposta vença. Ele merece; tem a linguagem mais inovadora entre os cinco (discuto isso na minha crítica).

Se vencer, eu mato um: EU QUERO QUE A GRANDE APOSTA VENÇA, NÃO ENTENDERAM AINDA?!?!

 

Maquiagem 

Vai vencer: Mad Max.

Explicando a escolha: Ora, vocês viram o filme?

Qual seria meu voto: Mad Max.

 

Trilha Sonora 

Vai vencer: Os Oito Odiados.

Explicando a escolha: Ennio Morricone é uma lenda. Nunca venceu um Oscar competitivo em seus 87 anos (ganhou um honorário em 2007). Ele é o maior, o melhor, o mais foda.

Qual seria meu voto: Fraudaria o processo para votar dez vezes em Morricone.

Se vencer, eu mato um: Na verdade, seria uma chacina.

 

Canção Original 

Vai vencer: ‘Til it Happens to You, The Hunting Ground.

Explicando a escolha: O documentário é impactante e importante. Trata-se de um projeto com prestígio, com consciência, e que contou com uma artista no auge da fama na criação de sua música-tema. Além disso, Lady Gaga fez forte campanha durante os dois últimos meses: participou de exibições do longa, apresentou-se em outras cerimônias (como o PGA) e é a Lady Gaga.

Qual seria meu voto: Não tenho uma paixão profunda por nenhum dos indicados e, assim, acho que votaria em Earned It só pela trollagem de ver 50 Tons de Cinza podendo colocar em seu currículo a expressão “Vencedor do Oscar”.

Se vencer, eu mato um: Aquela canção pavorosa de Spectre. Que porra foi aquela?

 

Som 

Vai vencer: Mad Max.

Explicando a escolha: Esta é uma categoria complicada e que se torna ainda mais confusa graças à ignorância da maior parte dos eleitores da Academia, que não sabe exatamente em que está votando (como resultado, tendem a eleger o filme mais barulhento). Star Wars foi um fenômeno bem-vindo em 2015 e é um espetáculo técnico (além de um ótimo trabalho). Por outro lado, Mad Max e O Regresso tendem a dividir as categorias técnicas este ano.

Qual seria meu voto: Mad Max.

 

Edição de Som 

Vai vencer: O Regresso.

Explicando a escolha: Como falei antes, creio que a Academia tenderá a dividir os prêmios técnicos entre Mad Max e O Regresso.

Qual seria meu voto: Star Wars.

 

Efeitos Visuais 

Vai vencer: Star Wars.

Explicando a escolha: É Star Wars, caramba. (Por outro lado, há o urso de O Regresso, mas...)

Qual seria meu voto: Ex Machina.

 

Documentário 

Vai vencer: Amy.

Explicando a escolha: É uma história trágica que aqui ganha contornos que tornam mais complexa a percepção provocada pela manipulação midiática. Além disso, é o trabalho que mais venceu prêmios na categoria este ano.

Qual seria meu voto: Cartel Land.

Surpresa que não me desagradaria: The Look of Silence.

 

Curta Live Action 

Vai vencer: Shok.

Qual seria meu voto: Vi apenas dois dos curtas e não votaria.  

 

Curta Documentário 

Vai vencer: Body Team 12. (Embora Specters of Shoah trate de um tema que a Academia tende a premiar quase no piloto automático.)

Qual seria meu voto: Não vi nenhum dos indicados.

 

Curta Animação 

Vai vencer: Bear Story.

Qual seria meu voto: World of Tomorrow.

 

Um grande abraço e bom Oscar!

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Sobre o autor:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.
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