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88 - Por que Cancelei a Netflix e Acredito que Você Também Deveria - Parte III (e Final) Conversa de Cinéfilo

E assim chegamos à terceira e última parte da série que inicialmente seria apenas um artigo para explicitar todos os motivos que me levaram a ter a convicção de que cancelar a assinatura da Netflix depois de seis anos era não apenas razoável, mas eticamente necessário. (As partes I e II podem ser lidas aqui e aqui.)

Entre as publicações das duas primeiras partes, alguns incidentes curiosos ocorreram: em primeiro lugar, comecei a receber mensagens raivosas de um determinado tipo de perfil que, honestamente, eu detestaria ver me defendendo em qualquer circunstância, o que se mostrou bem revelador no que diz respeito ao papel que a Netflix assumiu nesse momento. Aliás, não demorou muito para que surgissem montagens nas quais o perfil oficial da empresa podia ser visto me respondendo com provocação – algo que, para imenso crédito das pessoas responsáveis pelas relações públicas da plataforma, o perfil fez questão de desmentir.

O que levou ao segundo movimento que achei curioso: com o desmentido, algumas pessoas que antes se viram concordando com meu texto passaram a dizer que a Netflix merecia ser “perdoada” e mesmo que torciam para que ela e eu “fizéssemos as pazes”. Foi aí que me vi obrigado a estourar a bolha destes leitores e informá-los de algo que já deveriam saber: a Netflix não é uma pessoa. Ao tentar se passar por uma empresa descolada e divertida, a marca busca justamente isso – personalizar algo que não é uma pessoa. A realidade, no entanto, é que a Netflix é uma corporação e, como tal, ela não tem sentimentos, simpatias ou antipatias: não importa se você é de esquerda, direita ou centro; para a Netflix você é simplesmente um cifrão.

E isto me leva a uma última observação antes de partir para as razões finais que este texto se propõe a tratar: em nenhum momento sugeri ou cogitei a possibilidade de um boicote ferir financeiramente (de forma relevante) a Netflix. No dia seguinte ao início do boicote, quando as ações da corporação subiram 4%, diversos perfis (sim, daquele mesmo tipo) passaram a enviar mensagens de provocação para apontar como eu “havia dado um tiro no pé e provocado a valorização da empresa” – apenas para sintomaticamente se tornarem silenciosos quando, a partir de então, elas despencaram (e até o momento da publicação deste texto, continuam a despencar). A verdade é que não creio que o boicote tenha exercido qualquer influência – nem para cima nem para baixo - mesmo com artigos negativos em inglês tendo sido publicados sobre a questão. O objetivo do boicote é, de fato, chamar a atenção da corporação na única linguagem que entende - a do dinheiro -, já que mesmo com 118 milhões de clientes, empresa alguma vê com tranquilidade uma pequena debandada de assinantes em um curto espaço de tempo.

Além do mais, há momentos em que tomar algum tipo de ação, mesmo que seja a de clicar num botão “Cancelar Assinatura”, faz mais diferença do que ficar espalhando hashtags no Twitter. A Internet vem nos tornando comodistas a ponto de hesitarmos em tomar uma atitude mínima apenas porque julgamos que será uma inconveniência (“ah, mas minhas séries...”). Ora, boicotar algo que não precisamos não é boicote, é deixar de jogar dinheiro fora; a força do gesto vem precisamente porque não é algo fácil.

Mas há algo que torna qualquer boicote contra a Netflix relevante para a corporação: o fato de seu modelo de negócios atual ser insustentável. Sim, numa avaliação superficial, o fato de a plataforma ter 118 milhões de assinantes é impressionante – até você descobrir que desde 2015 ela vem encerrando todos os anos com prejuízos cada vez maiores, fechando 2017 com 2 bilhões de dólares no vermelho e a previsão (feita pela própria empresa) de ter 4 bilhões de dólares de prejuízo em 2018. Isto considerando apenas as produções originais, sem computar os custos de licenciamento do resto do catálogo.

Como isto é possível? Na verdade, a resposta é simples e já foi dada nas Partes I e II desta série: quando percebeu que, na prática, estava nas mãos dos grandes estúdios, que eram os verdadeiros donos da maior parte dos títulos que oferecia aos assinantes, a Netflix chegou à conclusão de que sua única garantia de sobrevivência residia na produção de conteúdos próprios, o que passou a fazer em maior escala a partir dos últimos quatro meses de 2014, quando começou a registrar prejuízos crescentes. Esta decisão, porém, trouxe consequências graves: a partir do instante em que começaram a notar que a Netflix já não era apenas mais uma distribuidora, mas também um estúdio, Fox, Universal, Paramount, Sony, Disney e Warner passaram a encará-la como rival. A partir daí, não só aumentaram os custos do licenciamento de seus filmes e séries, mas se negaram a renovar os de diversos projetos.

Resultado: os custos da Netflix começaram a crescer exponencialmente ao mesmo tempo em que o catálogo que oferecia aos clientes passou a encolher rapidamente: nos Estados Unidos, ele caiu para cerca da metade em número de obras, ao passo que, no Brasil, os poucos mais de 4.000 títulos hoje disponíveis não fazem cócegas no acervo que as grandes locadoras possuíam – e notem que, neste último caso, elas tinham uma limitação de espaço que a Netflix não tem. Além disso, como as séries são um investimento com maior retorno, já que prendem o espectador mais tempo na plataforma e os levam a renovar a assinatura, a tendência é a de que passe a oferecer cada vez menos filmes e estique suas séries cada vez mais, tornando-as desnecessariamente inchadas. (Mais uma vez: falei sobre isso nos artigos anteriores.) Ah, sim: e os cancelamentos destas séries vêm se tornando mais frequentes.

Mas de onde vem o dinheiro, então? Novamente, a resposta é óbvia: empréstimos. E, no acumulado, a Netflix já tem uma dívida de (atenção!) 20,54 bilhões de dólares. Por enquanto, o mercado tem visto este movimento como aceitável, esperando que em algum momento o crescimento provocado por todas as novas produções irá levar a corporação a um fluxo positivo de caixa. Por outro lado, como vários analistas já apontaram, é possível que uma perigosa bolha já esteja se formando, já que nenhum estúdio constrói um catálogo em pouco tempo.

Agora some a tudo isso o crescimento das rivais da empresa (Amazon, HBO Go, YouTube Play, Hulu, Mubi, Filmstruck, etc) e tudo se torna ainda pior.

Então, sim, um boicote, por menor que seja, é algo que definitivamente a Netflix não gostaria de ver nesse momento.

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Dito isso, há questões que vão além da cinefilia ou da matemática simples (maiores assinaturas por menos conteúdo?!): há, também, fatores consideravelmente mais graves que dizem respeito à ética corporativa, política e mesmo social da empresa.

No segundo semestre de 2015, por exemplo, a Netflix apresentou uma justificativa curiosa para o fato de o número de assinantes ter crescido consideravelmente menos do que o que havia sido previsto para os acionistas (880 mil novos clientes em vez de 1,15 milhão nos EUA): a culpa teria sido da mudança dos cartões de crédito emitidos pelos grandes bancos, que passaram a empregar novos chips de segurança. No entanto, estranhamente a empresa foi a única a ser atingida pelo problema, já que várias outras que também dependem dos cartões, como o Spotify e outras lojas online, afirmaram que tudo continuava normal em suas cobranças automáticas.

Do mesmo modo, a Netflix foi acusada de aproveitar a crise financeira da Relativity Media, dona de boa parte de seu catálogo em 2016, para questionar legalmente seus planos a fim de obrigá-la a renegociar o contrato de licenciamento que ia até o final de 2018. O CEO da Relativity, Ryan Kavanaugh, declarou na época: “Eles já tentaram renegociar o contrato dúzias de vezes – e os números só funcionam quando altamente favoráveis a eles”. Como base de seus argumentos, a Netflix questionou o fato de que Kavanaugh e o magnata Joseph Nicholas haviam anunciado que seriam os responsáveis pela condução da empresa depois de inicialmente terem afirmado que o novo Presidente da Relativity seria...

... Kevin Spacey.

Pois é. Refletindo preocupações reais da Netflix ou não, o fato é que ela reclamou nos tribunais o fato de Kevin Spacey não ter sido confirmado como novo chefão da Relativity Media – que, numa dessas coincidências de Hollywood, já havia se afastado do diretor Brett Ratner, posteriormente acusado de abuso sexual e estupro por várias mulheres.

Você poderia, claro, argumentar que as denúncias contra Spacey só vieram a público em 2017 e que, portanto, a Netflix não tinha como saber que o ator era um abusador. O problema é que não apenas os casos envolvendo Kevin Spacey eram conhecidos em Hollywood e no meio teatral muito antes de caírem nos jornais – e em 2005 Seth MacFarlane chegou a incluir uma referência sobre isso em um episódio de “Family Guy”. (Repito: 2005.) Mas ainda mais comprometedor é que a Netflix recebeu denúncias de assédio por um integrante da equipe de produção contra Kevin Spacey durante a primeira temporada de House of Cards – ou seja, em 2012, quatro anos antes de questionar por que o ator não seria o novo presidente da Relativity Media como inicialmente afirmado. O interessante é que a Netflix negou ter tomado conhecimento do incidente ocorrido cinco anos antes – embora, como revelado posteriormente, Spacey tenha sido obrigado a passar por uma sessão de “treinamento” para não cometer mais atos impróprios nos sets de filmagem. E como se a situação não pudesse ficar pior, nada menos do que oito membros da equipe de House of Cards relataram que os assédios e abusos ocorreram durante anos e que criavam um “ambiente tóxico” para todos os jovens que ali trabalhavam. Ainda de acordo com os relatos, tudo ocorria em espaços abertos e “todo mundo via” o que ocorria. “Toda a equipe comentava sobre o comportamento dele”. Curiosamente, aparentemente os executivos da Netflix eram os únicos que não sabiam de nada. Hum-hum. (A propósito: membros da equipe afirmaram que “(os executivos e o co-criador da série, Beau Willimon) tinham reuniões sobre o comportamento de Spacey com a equipe e o elenco e nada jamais foi feito. Tratavam como piada”.

Algo similar ocorreu com a série The Ranch, também produzida pela corporação, que tinha em seu elenco o ator Danny Masterson, que já havia contracenado com o protagonista da série, Ashton Kutcher, quando fizeram That ‘70s Show. Quando assinou com a Netflix, Masterson (que também é produtor executivo do projeto) já havia sido denunciado por “estuprar violentamente” quatro mulheres. Meses depois de uma investigação ser anunciada pela polícia de Los Angeles, a Netflix não só renovou a série como confirmou que Masterson permaneceria no elenco – o que levou uma de suas vítimas, Chrissie Carnell Bixler, a denunciar publicamente a empresa: “Fiquei enojada quando li a declaração da Netflix de que continuaria com The Ranch e a trabalhar com um homem que abusou e estuprou violentamente tantas mulheres. (...) Depois que o artigo foi publicado no HuffPost e o jornalista procurou a Netflix quinze vezes para conseguir um depoimento, eles acabaram dizendo que vão continuar a trabalhar com Masterson até que a situação se torne mais clara”. E ela continuou: “O que a Netflix fez parece uma continuação de como a Igreja da Cientologia me fez sentir quando denunciei a ela meu estupro. (...) Fizeram com que eu me sentisse desimportante. Como se eu não importasse. (…) NÃO vou calar minha boca enquanto a Netflix tenta nos fazer sentir como se não importássemos. Nós importamos SIM. Nós SOMOS importantes. (…) As vítimas estão retomando o poder que lhes foi roubado e as coisas vão mudar. A Netflix deveria anotar isso.”

Pois algum tempo depois, a Netflix finalmente demitiu Danny Masterson, mas só depois que um de seus executivos, sem saber com quem conversava, disse a uma das vítimas do ator que “nós (a Netflix e ele) não acreditavam nas acusações”. Quando a conversa foi parar nos jornais e sites de notícias, a corporação cortou laços com Masterson e com o executivo, Andy Yeatman – que era diretor global de conteúdo para crianças.

Outro indício de que a Netflix não segue, nos bastidores, a imagem positiva que cultua nas redes surgiu na forma de um processo iniciado por um ex-executivo, Barry Coleman: contratado pouco depois do assassinato de seu filho, Coleman afirmou em depoimento ter recebido a garantia da então vice-presidente de pessoal Barbie Graver de que teria tempo para lidar com suas questões particulares em seus primeiros meses na empresa. Aos poucos, porém, ele teria começado a receber provocações de outros executivos e a ouvir que “não era Netflix o bastante”. Além disso, Coleman alegou ter sofrido assédio sexual por parte de um executivo sênior da corporação – e que, ao reclamar com Graver, ouviu que isso não tinha nada de mais. Para piorar, Coleman também afirmou em seu processo que a política anunciada da Netflix de conceder até um ano de licença para funcionários que haviam se tornado pais recentemente só funcionava no papel, já que, no dia a dia da empresa, havia pressão contínua para que retornassem ao trabalho. “Eles diziam que particularmente as mulheres que tiravam a licença eram vistas como se não levassem a sério suas carreiras”.

A Netflix negou todas as acusações, obviamente, mas acabou entrando em um acordo extrajudicial com Coleman (envolvendo cláusulas de confidencialidade), que, assim, abandonou o processo. Quando o Hollywood Reporter pressionou a empresa sobre as acusações, ela disse que abriria mão da confidencialidade para permitir que Coleman falasse com o veículo – mas ainda assim a entrevista não pôde ser feita porque o ex-executivo ainda permanecia preso por um outro acordo para não atacar a ex-empregadora.

Eu poderia parar por aqui, creio, mas como ainda há aqueles que buscam limitar minha aversão crescente à Netflix ao projeto de José Padilha, sinto que preciso oferecer mais elementos – e uma das séries mais populares da plataforma, Stranger Things, forneceu alguns recentemente: os irmãos Duffer, criadores do projeto, foram acusados por uma ex-integrante da equipe, Peyton Brown, de “abusarem verbalmente de várias mulheres nos sets da série” – o que a teria levado a se demitir e algo que ambos negaram veementemente. Esta negativa, por sua vez, levou Lori Grabowski, uma das mulheres que teriam sido insultadas pelos irmãos, a se identificar no Instagram: “Fui supervisora de roteiro por duas temporadas (em Stranger Things). Eu não posso ficar calada e deixar que Peyton seja chamada de mentirosa, já que o que ela disse é, infelizmente, a verdade. Eu não tinha desejo algum de compartilhar minha história pessoal na produção de Stranger Things – até que vi tantas pessoas acusando (Peyton) de ser mentirosa. Eu não podia ficar em silêncio”. Sobre os insultos que teria sofrido, ela escreveu: “Sou uma das mulheres às quais Peyton se referiu. Foi muito real não só para mim, mas para outras mulheres no set que também querem dividir suas histórias”.

Fica pior: a jovem atriz Sadie Sink, que interpretou Max na segunda temporada, revelou em entrevistas que só descobriu que faria uma cena de beijo ao chegar no set: “Não estava no roteiro. Um (dos irmãos Duffer) perguntou ‘Sadie, está preparada para o beijo?’ Eu respondi: ‘O quê? Não! Não está no roteiro e não vai rolar’. E passei o dia todo estressada”. E sabem o que Ross Duffer, que também participava da conversa, respondeu? “Você reagiu de forma tão intensa. Eu só estava brincando. Mas você ficou tão apavorada que eu pensei: ‘Bom, agora tenho que te obrigar a fazer isso’. Foi isso que aconteceu. Por isso a culpa é sua”.

Sim, o realizador de 33 anos de idade admitiu publicamente ter obrigado uma adolescente de 15 anos a fazer uma cena de beijo porque viu que isso a incomodaria. E ainda a culpou por tê-la forçado a participar da cena. Claro que a repercussão foi péssima, o que levou o site The Wrap a perguntar à atriz o que havia ocorrido de fato. Desta vez, a garota mudou a história, dizendo que os irmãos Duffer a deixaram sempre confortável e que só ficou nervosa porque aquele foi seu primeiro beijo também na vida real. Neste momento, a repórter Jennifer Maas perguntou se alguém havia “ensaiado” aquela resposta com ela – e “neste momento uma pausa desconfortável surgiu. Então, a relações-públicas da atriz disse acreditar que a garota já havia respondido à pergunta completamente”.

E se me permitem dividir uma última história sobre a ética particular da Netflix e de alguns de seus produtores associados, creio que poucas poderiam ser mais revoltantes do que aquela relacionada à série original Hot Girls Wanted: Turned On, que teoricamente busca expor o tratamento recebido pelas mulheres na indústria pornográfica. Se a intenção era boa, na prática o projeto acabou desrespeitando tanto as atrizes envolvidas que estas decidiram denunciar os responsáveis, que não apenas usaram suas imagens sem consentimento como ainda revelaram o nome verdadeiro de uma delas, incluindo na série sua página pessoal no Facebook. Além disso, uma delas tuitou o seguinte: “EI @hotgirlswanted LEMBRAM QUANDO PROMETERAM CORTAR MINHA PARTE PQ ESTAVAM TENTANDO ME FAZER FALAR DA MINHA FAMÍLIA E EU FIQUEI DESCONFORTÁVEL? PORQUE EU LEMBRO. OBRIGADA POR MANTEREM A PALAVRA. SERPENTES”.

Quando o site Vocativ, responsável pela matéria original, procurou a Netflix para ouvir sua explicação, a empresa não respondeu.

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Eu poderia dividir este artigo em uma Parte IV, mas, honestamente, se você não se convenceu até agora de que 1) há várias questões graves envolvendo a Netflix; 2) estas questões envolvem o desrespeito que ela exibe pelo Cinema; sua preocupação com quantidade em vez de qualidade; os preços que aumentam inversamente ao tamanho de seu catálogo; sua ética e seu comportamento diante de denúncias sérias; e 3) um boicote neste momento representa uma forma legítima e eficaz de demonstrar sua insatisfação diante de tudo isso, bom... nada mais irá te convencer. E se prefere insistir que meus problemas se resumem a O Mecanismo, aí a questão é mesmo de desonestidade intelectual.

Claro, eu poderia ainda falar sobre a irresponsabilidade da série Os 13 Porquês que apontei em minha crítica e também no Facebook (e que foi apontada também por sites especializados em Psicologia e por organizações dedicadas à Saúde Mental, como a australiana Fundação Nacional de Saúde Mental da Juventude); poderia mencionar as duas ações coletivas iniciadas pelos “juicers” (encarregados de assistir aos títulos do catálogo e selecionar imagens e vídeos que os ilustrem) exigindo pagamento de horas extras, férias e folgas que não haviam sido remuneradas; ou, considerando as revelações recentes envolvendo o Facebook, o fato de que a segurança dos dados particulares dos clientes da Netflix já foi questionada e também rendeu outra ação coletiva, voltando a ser criticada por questões similares há poucos meses. Ou eu poderia comentar como O Mecanismo é apenas uma entre outras decisões de fundo político tomada pela corporação, como ao produzir uma série argentina (mas dirigida por um inglês) sobre a morte de Alberto Nisman em 2015 e que também envolve um caso polêmico, ainda em investigação e num país polarizado – mas que provavelmente será feita com muito cuidado, já que os produtores anunciaram que a produção durará três meses inteirinhos (sim, eu fui irônico ao dizer “muito cuidado”). E há, claro, o fato de a Netflix distribuir a série israelense Fauda, que praticamente glorifica a ocupação da Palestina e retrata de forma grosseira a violência contra os palestinos, sendo pesadamente criticada por ativistas contra a ocupação e rendendo outra campanha de boicote contra a Netflix.

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Considerando todos estes fatores que expus ao longo de três artigos e sete mil palavras, encerro meu caso pelo cancelamento da Netflix; fiz o que considerei certo, mas não posso – e nem iria querer – forçar ninguém a me acompanhar.

O que posso fazer – e farei – é recomendar serviços alternativos de streaming. No momento, estou testando e avaliando três deles (além dos dois que já conhecia) e espero publicar este próximo texto ainda esta semana.

Aos que chegaram até aqui, obrigado pela paciência. Os esforços como os necessários na preparação destes textos são imensos e desgastantes, mas saber que vocês estão aí, interessados no que escrevo, é recompensador. E se quiserem dar uma passadinha na página do Cinema em Cena no Catarse, agradecerei imensamente; são as colaborações de vocês que mantêm o site vivo e que podem inclusive resultar na ampliação do nosso canal no YouTube. São só mais três minutinhos para ver o que propomos lá – e se você perseverou até aqui... não custa nada dar mais uns passinhos.

Um grande abraço e bons filmes!

02 de Abril de 2018

Sobre o autor:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.
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