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Cinco filmes mais famosos que vencedores da Palma de Ouro Clube dos Cinco

Toda premiação é passível de injustiças. Nós já lembramos no Clube dos Cinco das esnobadas que a Academia deu no Oscar. Agora, com a 66ª edição de Cannes acontecendo, é hora de listarmos as "mancadas" que o prestigiado festival cometeu ao longo de sua história. As aspas se fazem necessárias porque vários dos filmes mencionados nesta lista perderam a Palma de Ouro, mas ganharam o Grande Prêmio do Júri, que é o segundo em importância na premiação, além de outros terem ganhado o prêmio de Melhor Direção.

A ideia não é desmerecer os ganhadores da Palma de Ouro, mas mostrar que diversos filmes que não levaram o cobiçado troféu acabaram sendo mais lembrados com o passar dos anos do que os grandes vencedores do festival.

Solaris (Solyaris, 1972, União Soviética, dir.: Andrei Tarkovsky) - por Renato Silveira

Solaris é tido como marco da ficção científica, muitas vezes comparado a 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick, por sua ambição em promover a reflexão sobre a condição humana e levar o espectador a uma experiência sensorial durante a projeção. O longa, um dos mais famosos do diretor soviético Andrei Tarkovsky (dos também clássicos Andrei Roublev, O Espelho e O Sacrifício), ganharia 30 anos mais tarde uma refilmagem em inglês, dirigida por Steven Soderbergh (Traffic) e estrelada por George Clooney (Amor Sem Escalas).

Solaris concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1972, mas ficou com o Grande Prêmio do júri presidido pelo cineasta britânico Joseph Losey (O Mensageiro, vencedor da Palma de Ouro no ano anterior). O prêmio máximo acabou dividido entre dois filmes italianos: A Classe Operária Vai ao Paraíso (La classe operaia va in paradiso), de Elio Petri, e O Caso Mattei (Il caso Mattei), de Francesco Rosi. 

 

Monty Python: O Sentido da Vida (The Meaning of Life, 1983, Reino Unido, dir.: Terry Jones e Terry Gilliam) - por Larissa Padron

Este Clube dos Cinco não questiona os méritos cinematográficos dos vencedores da Palma de Ouro, e, sim, a sua capacidade de ser tornarem inesquecíveis na memória do público. Sendo assim, quem se lembra do japonês A Balada de Narayama, drama de 1983 dirigido por Shôhei Imamura?

Em compensação, quem lembra de Monty Python: O Sentido da Vida, terceiro longa do grupo dos seis comediantes ingleses? Muito mais gente, provavelmente. A comédia levou o Grande Prêmio do Júri do festival, mas não a Palma de Ouro, que ficou com Imamura.

Como se não bastasse, a seleção daquele festival ainda teve O Rei da Comédia, um dos mais bonitos (e injustamente menos lembrados) filmes de Martin Scorsese, que une o seu “muso” Robert De Niro com o grande comediante Jerry Lewis (em um papel nada engraçado). O filme não ganhou prêmio nenhum no festival daquele ano. Mas, como consolação, na edição de Cannes deste ano o longa terá uma exibição de sua cópia restaurada, com a presença de Lewis, De Niro e Scorsese na plateia. 

 

Asas do Desejo (Der Himmel über Berlin, 1987, Alemanha Ocidental/França, dir.: Wim Wenders) - por Luísa Gomes

Wim Wenders (Paris, Texas) levou o seu cinema com fortes influências teatrais da Alemanha para o mundo. Em 1987, ele teve a consagração de sua carreira com Asas do Desejo, sucesso imenso de crítica e símbolo do cinema europeu dos anos 80. O silêncio, marca frequente em seus longas, vindo com a memória e a pureza do sentimento do anjo Damiel (Bruno Ganz) transformam o drama em um questionamento da existência humana com a sensibilidade inquestionável de Wenders.

Sob o Sol de Satã é o filme do diretor Maurice Pialat que mostra Gérard Depardieu (Cyrano) como um padre em uma jornada que põe à prova sua fé quando se depara com sentimentos sombrios em um vilarejo francês. O drama não teve o alcance de critica e público como À Nos Amours e Van Gogh, outros longas de Pialat.

Os dois filmes se enfrentaram, junto com À Margem da Vida, de Paul Newman (Golpe de Mestre), A Barriga do Arquiteto, de Peter Greenaway (O Livro de Cabeceira) e outros 16 filmes no 40º Festival de Cannes. Daquela seleção, Asas do Desejo é hoje o mais lembrado, sem dúvida. Mas quem levou a Palma de Ouro para casa foi Sob o Sol de Satã.

Cinema Paradiso (Nuovo Cinema Paradiso, 1988, Itália, dir.: Giuseppe Tornatore) - por Larisssa Padron

Steven Soderbergh realizou uma bela estreia na direção de longas com Sexo, Mentiras e Videotape, em 1989. O filme agradou tanto que levou a Palma de Ouro em Cannes naquele ano. No entanto, em se tratando da obra do prolífico diretor, que supera a marca de um longa por ano, outros de seus filmes podem surgir na memória do público mais facilmente, como Erin Brockovich, Traffic e Onze Homens e Um Segredo.

E se perguntarem: “diga o nome do belíssimo filme italiano que faz 99% do seu público chorar, em duas palavras?”, o que você responde? Pois é, Sexo Mentiras e Videotape tirou a Palma de Ouro de Cinema Paradiso, um dos melhores filmes de Giuseppe Tornatore, com uma das mais memoráveis composições de Ennio Morricone e que se tornou um clássico contemporâneo do cinema italiano. Pelo menos, o longa levou o Grande Prêmio do Júri naquele ano.

Faça a Coisa Certa, um dos mais famosos trabalhos de Spike Lee, também perdeu a estatueta para o longa de Soderbergh.

Tudo Sobre Minha Mãe (Todo sobre mi madre, 1999, Espanha/França, dir.: Pedro Almodóvar) - por Luísa Teixeira de Paula

Rosetta, dos irmãos Dardenne, e Tudo Sobre Minha Mãe, de Pedro Almodóvar, dividiram os principais prêmios do Festival de Cannes de 1999: enquanto o drama franco-belga ganhou a Palma de Ouro, o filme espanhol coroou seu diretor. No Oscar do ano seguinte, uma surpresa. A história da garota de 17 anos que dá nome à produção não foi nem indicada a Melhor Filme em Língua Estrangeira. Em compensação, o grande vencedor da noite foi justamente aquele que não havia levado o prêmio máximo da mostra francesa.

Esta história serve também como metáfora do sucesso de ambas as produções nos anos seguintes. Rosetta, apesar de marcar a filmografia dos Dardenne, não é tão conhecido do grande público quanto a história da mãe solteira que, após a morte de seu filho, vai à Barcelona em busca da travesti Lola, “pai” do garoto.

Em comum, as duas produções têm, na figura feminina, suas protagonistas. Mas, venhamos e convenhamos, a maneira com que Almodóvar conduz a narrativa em torno de suas mulheres é única. Apesar de Cannes não ter dado a Tudo Sobre Minha Mãe sua Palma de Ouro, o filme foi contemplado não só com um Oscar, mas também com um Globo de Ouro.

Mais filmes que não ganharam a Palma de Ouro, mas ficaram mais famosos:

Em 1957, ganhou Sublime Tentação (Friendly Persuasion), de William Wyler; entres os concorrentes estavam Noites de Cabíria (Le notti di Cabiria), de Federico Fellini, e O Sétimo Selo (Det sjunde inseglet), de Ingmar Bergman.

Em 1964, ganhou Os Guarda-Chuvas do Amor (Les parapluies de Cherbourg); entres os concorrentes estavam Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha, e Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos.

Em 1966, empataram Um Homem, uma Mulher (Un homme et une femme), de Claude Lelouch, e Confusões à la Italiana (Signore & signori), de Pietro Germi, empataram; entres os concorrentes estava Dr. Jivago (Doctor Zhivago), de David Lean.

Em 1969, ganhou Se... (If...), de Lindsay Anderson; entres os concorrentes estavam Sem Destino (Easy Rider), de Dennis Hopper, e Z, de Costa-Gavras.

Em 1975, ganhou Crônica dos Anos de Fogo (Chronique des années de braise), de Mohammed Lakhdar-Hamina; entres os concorrentes estavam Alice Não Mora Mais Aqui (Alice Doesn't Live Here Anymore), de Martin Scorsese, O Enigma de Kaspar Hauser (Jeder für sich und Gott gegen alle), de Werner Herzog, e Profissão: Repórter (Professione: reporter), de Michelangelo Antonioni.

Em 1981, ganhou O Homem de Ferro (Czlowiek z zelaza), Andrzej Wajda; entres os concorrentes estavam Carruagens de Fogo (Chariots of Fire), de Hugh Hudson, e O Portal do Paraíso (Heaven's Gate), de Michael Cimino.

Em 1992, ganhou As Melhores Intenções (Den goda viljan), de Bille August; entres os concorrentes estavam O Jogador (The Player), de Robert Altman, Instinto Selvagem (Basic Instinct), de Paul Verhoeven, e Retorno a Howards End (Howards End), de James Ivory.

Em 1998, ganhou Uma Eternidade e um Dia (Mia aioniotita kai mia mera), de Theodoros Angelopoulos; entres os concorrentes estavam Festa de Família (Festen), de Thomas Vinterberg, Medo e Delírio (Fear and Loathing in Las Vegas), de Terry Gilliam, Os Idiotas (Idioterne), de Lars von Trier, Velvet Goldmine, de Todd Haynes, e A Vida é Bela (La vita è bella), de Roberto Benigni.

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