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Cinco mestres nada santos Clube dos Cinco

Fanáticos. Farsantes. Pecadores. Neste Clube dos Cinco, nós selecionamos cinco personagens que, assim como Lancaster Dodd, papel de Philip Seymour Hoffman em O Mestre, são líderes religiosos que escondem esqueletos no armário.

Euliss “Sonny” Dewey, em O Apóstolo (The Apostle, 1997, EUA, dir.: Robert Duvall) – por Renato Silveira 

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O pastor interpretado por Robert Duvall em O Apóstolo tem bastante em comum com o líder da Causa, vivido por Hoffman em O Mestre

Duvall é Sonny, que comandava uma igreja Pentecostal no Texas até ser expulso por sua própria esposa (Farrah Fawcett), que ainda o traiu com um pastor mais jovem. Sem receber uma resposta de Deus sobre o que fazer, ele acaba matando o amante de sua mulher e foge para reiniciar sua vida. Adotando o pseudônimo de “Apóstolo E.F.”, Sonny começa uma nova igreja em outra cidade e logo atrai vários fiéis, usando toda a força de seu carisma. Mas é como dizem: a mentira tem pernas curtas. E o primeiro a desconfiar é um operário racista, vivido por Billy Bob Thornton.

 

Assim como Lancaster Dodd em O Mestre, Sonny recorre a sua doutrina para alienar-se, fugindo da compreensão de que ele é um homem sujeito a falhas e necessidades que não é Deus quem vai reparar ou suprir. E sua "missão" é justamente buscar esse entendimento.

A poderosa atuação de Duvall (que também assina o roteiro e a direção) rendeu a ele uma indicação ao Oscar de Melhor Ator, o que chamou a atenção para o filme na época da premiação. Mas o longa é injustamente pouco lembrado hoje em dia. Vale a pena redescobri-lo.

Harry Powell, em O Mensageiro do Diabo (The Night of the Hunter, 1955, EUA, dir.: Charles Laughton) – por Tullio Dias

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O personagem de Robert Mitchum em O Mensageiro do Diabo possui uma tatuagem para cada mão: em uma delas está escrito “love” (amor) e na outra, “hate” (ódio). Talvez seja o fator mais explícito do perseverante vilão da obra lançada em 1955.

Harry Powell (Mitchum) é um ex-presidiário que se tornou um reverendo, como se tivesse se livrado de todo o mal. Só que ele escondia um grave segredo: Powell seduzia jovens viúvas para depois acabar com suas vidas e roubar o dinheiro. A trama do filme apresenta duas crianças órfãs que tentam escapar de todas as maneiras possíveis do padrasto, mas que sempre são alcançadas. 

O Mensageiro do Diabo é um belo exemplo cinematográfico daquele ditado: um lobo na pele de cordeiro. Destaque para a interpretação de tirar o fôlego de Mitchum, que encarnou um dos principais vilões da história do cinema. 

LEIA TAMBÉM: Coluna CinematecaO Mensageiro do Diabo: do fracasso ao triunfo

Eli Sunday, em Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007, EUA, dir.: Paul Thomas Anderson) – por Larissa Padron

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Existem algumas semelhanças entre O Mestre (cuja trama é inspirada no surgimento da cientologia) e o trabalho anterior do diretor Paul Thomas Anderson, Sangue Negro. Ambos possuem uma trilha sonora angustiante e têm o instinto animalesco de seus personagens como centro da trama. Mas a principal semelhança está entre a relação de Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman) com Freddie Quell (Joaquin Phoenix) e a de Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) com o Reverendo Eli Sunday (Paul Dano). Em ambos os relacionamentos existe uma codependência dos personagens que desperta ira na maioria das vezes.

Em Sangue Negro, o reverendo Sunday se aproxima de Plainview para abençoar seu trabalho, mas com o claro interesse de obter recursos para aumentar sua igreja. Através dos discursos de Sunday, nós vemos um homem egoísta, narcisista e que se importa muito mais com o poder que sua profissão lhe dá do que com o bem que pode causar.

Elmer Gantry, em Entre Deus e o Pecado (Elmer Gantry, 1960, EUA, dir: Richard Brooks) – por Renato Silveira

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Baseado no livro de Sinclair Lewis (também adaptado como ópera e musical da Broadway), Entre Deus e o Pecado traz Burt Lancaster em uma performance vencedora do Oscar de Melhor Ator como Elmer Gantry, um caixeiro viajante beberrão e oportunista que descobre na religião uma nova forma de ganhar dinheiro fácil.

Usando de toda a sua lábia e carisma para inflamar seus sermões, ele conquista a fama ao lado da irmã Sharon Falconer (papel de Jean Simmons) viajando pelo interior do país. Mas a carne é fraca e Gantry tem seu sucesso ameaçado por uma ex-namorada (Shirley Jones, também ganhadora do Oscar pelo papel).

Richard Brooks não foi indicado a Melhor Diretor, mas ganhou a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado. Entre Deus e o Pecado também concorreu ao Oscar de Melhor Filme.

Jonas Nightengale, em Fé Demais Não Cheira Bem (Leap of Faith, 1992, EUA, dir.: Richard Pearce) – por Tullio Dias

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Em 1992, o divertido Steve Martin protagonizou a comédia Fé Demais Não Cheira Bem. A trama apresenta o Reverendo Jonas Nightengale, um charlatão de primeira que consegue iludir muitas pessoas com seus falsos milagres. Não demorou muito para ele receber um “castigo divino” e ficar preso numa pequena cidade no Kansas.

Enquanto aguarda pelas peças necessárias para o conserto do seu veículo, Nightengale resolve iniciar uma série de cultos para enganar os habitantes da cidade e faturar um dinheiro extra, mas acaba sendo surpreendido quando um verdadeiro milagre acontece em sua vida.

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