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Cinco viagens a Marte Clube dos Cinco

Com John Carter - Entre dos Mundos em cartaz, resolvemos relembrar cinco filmes que também nos levaram a Marte, provavelmente o planeta mais presente na cultura pop, em suas mais variadas manifestações: música, quadrinhos, literatura... Mas aqui o assunto é cinema, então, apertem os cintos, pois a contagem regressiva já está acabando!

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Princess of Mars (2009), por Renato Silveira

Talvez por estarem cansados da demora dos grandes estúdios de Hollywood em levar Uma Princesa de Marte para o cinema, os produtores do estúdio independente americano The Asylum decidiram fazer sua própria adaptação deste clássico da literatura de ficção-científica, escrito por Edgar Rice Burroughs, publicado em 1917 e no qual John Carter - Entre Dois Mundos é baseado. Ou, vai ver, tudo não passou de puro oportunismo mesmo. Afinal, a mesma The Asylum realizou, quase que simultaneamente a Guerra dos Mundos, de Steven Spielberg, sua própria versão do livro de H.G. Wells (que inclusive é uma das inspirações de Burroughs para Uma Princesa de Marte).

Princess of Mars é mais um "mockbuster" do estúdio, lançado direto em DVD em 2009, e já exibido em canais de TV como o SyFy. A história original foi trazida para os tempos atuais e John Carter é transformado em um soldado americano no Afeganistão. O protagonista é interpretado por Antonio Sabato Jr., astro de filmes B como Pânico no Mar e O Ataque dos Insetos. Seu filme mais bem sucedido é Tiro e Queda, 1998, em que atua ao lado de Mark Wahlberg, Lou Diamond Phillips e Christina Applegate.

Já a princesa Dejah Thoris é vivida por Traci Lords. Se você por acaso pensar que ela parece uma atriz saída de um filme pornô, você está certo! Lords começou a carreira na indústria de filmes adultos, mas já largou essa vida faz tempo, tendo participado de diversos filmes e séries de TV desde os anos 90. De qualquer forma, ela relembrou os velhos tempos em Pagando Bem que Mal Tem, de Kevin Smith. Lembra-se da Bubbles?

Como em toda produção barata, neste predecessor de John Carter - Entre Dois Mundos encontramos efeitos especiais dignos de uma dessas superproduções para TV da Record, no Brasil. O CGI é muito mal feito e as máscaras utilizadas para caracterizar os Tharks parecem ter sido reaproveitadas de Jaspion e outros seriados japoneses dos anos 80. A viagem, ou teletransporte, de John Carter a Marte mais parece um vídeo de uma colonoscopia. E para situar Marte foram usadas as paisagens de Vasquez Rocks, em Los Angeles, que, claro, foram "pintadas" de vermelho na pós-produção através de um filtro de cor. 

O filme é realmente ruim, mas vale como curiosidade (mórbida) para os fãs do livro.


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Robinson Crusoé em Marte (Robinson Crusoe on Mars, 1964), por Heitor Valadão

A história de Robinson Crusoé é conhecida por todos. Muitos anos após sua versão, então contemporânea, de Guerra dos Mundos, o diretor Byron Haskin voltou à ficção-científica levando às telas Robinson Crusoé em Marte, uma adaptação do livro de Daniel Defoe.

Dois astronautas, vividos por Paul Mantee e Adam West (sim, o Batman da série de TV) são atingidos por uma chuva de meteoros enquanto estão na órbita de Marte. Eles ejetam-se de seu foguete em casulos separados e caem no Planeta Vermelho. A história passa a seguir então o astronauta Mantee e a macaca Mona, e ele tem que descobrir formas de sobreviver em um ambiente inóspito e alienígena.

Hoje, os efeitos visuais parecem saídos de um filme da Xuxa dos anos 80, mas considerando que o filme é de 1964, pode-se dizer então que ele estava 16 anos à frente de seu tempo. Não são inovadores, especialmente se levarmos em consideração que 2001 - Uma Odisseia no Espaço seria lançado apenas quatro anos depois. Mas as locações usadas no Death Valley, na Califórnia, passam com perfeição o desolamento local.

No fim das contas, Robinson Crusoé em Marte parece um filme ingênuo e simples. E é. Mas está longe de ser ruim. Basta ler as entrelinhas.

 

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Missão: Marte (Mission to Mars, 2000), por Renato Silveira

Se o tema deste Clube dos Cinco é "viagens a Marte", esta misteriosa aventura espacial dirigida por Brian De Palma (Os Intocáveis, Dália Negra) não poderia faltar. Afinal, praticamente o filme todo ocorre durante uma viagem ao Planeta Vermelho.

Na época do lançamento nos cinemas, muita gente reclamou do ritmo lento do filme, especialmente num dos momentos de maior tensão, quando o personagem de Tim Robbins perde contato com seus colegas astronautas em plena órbita do nosso vizinho no Sistema Solar. Mas, ei: que culpa De Palma tem se aquela situação exige um ritmo lento pela própria condição em que os personagens se encontram? Dentro do que ele pode fazer naquele ironicamente limitado espaço, De Palma faz com propriedade. E quando ele tem maior liberdade, o resultado são planos-sequências belíssimos, como o da cena em que os personagens escutam a "Dance the Night Away", do Van Hallen, numa das homenagens visuais que De Palma presta a Stanley Kubrick e seu "2001: Uma Odisseia no Espaço".

Marte em si surge no filme como um grande vilão, mas descobrimos que as coisas não são bem assim. Primeiro, o planeta é mostrado no mesmo nível de realismo que a NASA nos permite conhecer, mas logo ganha a aura dos filmes de ficção-científica e De Palma não faz concessões ao embarcar na fantasia.

De todos os problemas que já foram levantados a respeito do filme desde seu lançamento, hoje o que realmente ainda o prejudica é a sequência final, onde De Palma poderia ter mantido o foco no destino do personagem de Gary Sinise, e sem precisar reprisar o filme inteiro num flashback. Talvez uma conclusão mais refinada seja o que faltou para que Missão: Marte tivesse o reconhecimento que merece por tudo o que ele mostra até ali.

 

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Fantasmas de Marte (Ghosts of Mars, 2001), por Heitor Valadão

Certa vez, o crítico de cinema e professor Carlos Quintão, do Gabinete do Kas, disse que "todo filme de John Carpenter acaba sendo um western. Não pelo tema em si, mas pela forma que é filmado". Tal afirmação não poderia ser mais verdade do que em Fantasmas de Marte. Disfarçado de ficção-científica, o filme mostra o Planeta Vermelho colonizado pelos humanos. A geografia, como já foi mostrada em diversos outros filmes, assemelha-se a dos desertos do oeste americano. Quando um grupo de policiais é enviado a uma pequena vila de mineradores para escoltar um prisioneiro, eles encontram o local deserto. Os moradores são possuídos por fantasmas.

Em uma mistura de filmes de zumbis e cowboys, o visual do líder dos possuídos é bastante parecido com o de um índio, com toques de monstro. Seus urros lembram os gritos de guerra dos apaches "malvados" dos velhos westerns. Para fugir do local, os policiais precisam fazer funcionar nada menos que um trem. Além, claro, da alegoria de que os fantasmas já eram os habitantes do local, e os terráqueos simplesmente invadiram Marte e o tomaram à força.

Tire a poeira do DVD que está perdido em algum canto da sua coleção, ou da videolocadora, e não perca esse western futurista interplanetário.

 

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O Vingador do Futuro (Total Recall, 1990), por Tullio Dias

Se você ficou decepcionado ao saber que a refilmagem de O Vingador do Futuro não se passará em Marte, não se preocupe: o filme original ainda é muito eficiente e possui muitos motivos para ser assistido novamente (ou pela primeira vez, se for o caso). O Planeta Vermelho é apresentado como o submundo das grandes cidades terrestres, onde rebeldes lutam por seus direitos enquanto sofrem com a tirania de homens poderosos. 

Só mesmo Arnold Schwarzenegger para acordar de um terrível pesadelo e ter ao seu lado ninguém menos que Sharon Stone para começar a consolá-lo. Ela tenta aconselhá-lo de que Marte é um lixo de planeta e que ele estaria mais feliz vivendo na Terra, mas o grandalhão cisma que quer ser mais do que um operário e decide comprar falsas memórias para viver a sua experiência marciana. O grande problema é que ele descobre que é um agente secreto e que tem uma grande missão para resolver. 

Como todo bom submundo, Marte possui detalhes peculiares. Desde um guru que surge da barriga de um homem, passando por uma prostituta anã que dispara sua arma sem dó, até a famosa Mary Três Tetas, cujo nome dispensa apresentações. Não importa se a refilmagem estrelada por Colin Farrell e Jessica Biel chegará ou não aos pés do filme original, pois o longa-metragem de Paul Verhoeven nunca deixará de ser charmoso.

Quer relembrar mais filmes com viagens a Marte? Deixe seu comentário e participe da discussão.

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