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Roqueiros com participações marcantes e inusitadas no cinema Clube dos Cinco

São muitos os roqueiros que já fizeram participações especiais ou mesmo protagonizaram filmes durante suas carreiras. A lista é enorme, mas para formar o nosso Clube dos Cinco reunimos alguns dos mais marcantes e inusitados. Confira!

David Bowie, em Labirinto (por Larissa Padron)

Não é fácil escolher apenas uma participação do camaleão do rock no cinema, já que várias delas merecem destaque, interpretando sempre personagens muito inusitados - tanto como um dos seus primeiros, o alienígena Thomas de O Homem que Caiu na Terra, em 1976, quanto um dos seus mais recentes, o famoso cientista Nikola Tesla, em O Grande Truque, em 2006.

Em Labirinto - A Magia do Tempo, não podemos chamar a participação de Bowie como aparição, já que ele é um dos protagonistas, mas não é surpresa que você se lembre mais do maldoso Rei dos Goblins que, provavelmente, esteve presente em sua infância, do que de qualquer outra interpretação do músico.

O filme de 1986, produzido por George Lucas e dirigido por Jim Henson - o criador dos Muppets e da Vila Sésamo - trazia Jennifer Connelly com 15 anos de idade - na época em que seus pais pagavam seu aluguel, e não o Paul Bettany - como Sarah, que irritada por ter cuidar de seu irmãozinho, o bebê Toby, durante o final de semana, torce para que os duendes de seu livro favorito roubem o bebê. Quando o sequestro realmente ocorre, Sarah se arrepende e tem que percorrer um labirinto e enfrentar as armadilhas do maldoso Jareth (Bowie) para recuperar seu irmão.

O longa acabou sendo um fracasso de bilheteria, arrecadando prejuízos para a produtora, mas certamente virou um clássico da infância de muitos. Além de ser um genial vilão, Bowie também compôs e interpretou a maior parte das cenas musicais do filme, como a minha preferida, "Magic Dance":


Flea, em Psicose (por Tullio Dias)

Flea é mais conhecido como o baixista do Red Hot Chili Peppers, mas sempre consegue arrumar tempo para participar de um ou outro filme. Em De Volta Para o Futuro - Parte 2 e Parte 3, ele faz uma pequena participação especial, assim como em Psicose, de Gus Van Sant, quando interpreta o balconista que trabalha para o personagem de Viggo Mortensen (O Senhor dos Anéis).

Suas aparições sempre se apoiam no estilo exótico de sua personalidade (ele bancando um terrorista estrangeiro e levando uma bola de boliche na barriga em O Grande Lebowski, por exemplo), o que sempre costuma gerar sequências engraçadas. Dentre tantas opções (o que já renderia um Clube do Cinco exclusivo para o baixista), a mais divertida (e non-sense) é a de Rotação Máxima, comédia estrelada por Charlie Sheen no começo dos anos 90. Flea e Anthony Kiedis (vocalista do Chili Peppers) interpretam dois malucos que dirigem um jipe em alta velocidade e arrumam a maior confusão no trânsito. Tudo isso com trilha sonora da banda de punk Offspring.


Lemmy Kilmister, em Airheads - Os Cabeças de Vento (por Heitor Valadão)

Talvez eu esteja enfurecendo um ou outro metaleiro orgulhoso demais para admitir, mas a verdade é que Airheads é um retrato perfeito dos headbangers dos anos 90. Brendan Fraser faz o band leader que não quer apenas fazer sucesso, mas que sua música seja ouvida como arte. Steve Buscemi é o melhor amigo que não vale nada em uma briga, mas que é tão companheiro que se você arruma problemas com alguém, ele já chega dando a "voadora". E Adam Sandler, como o próprio filme diz, é o quiet cool, aquele cara quietinho, que curte um som pesado, mas é um doce de pessoa.

Uma das boas coisas do filme, além da trilha sonora que conta com grandes nomes do rock como Anthrax, Ramones e Motörhead, é que o roteiro não subestima a inteligência de seu público alvo. Todas as menções feitas não são explicadas para o público em geral, que pode não fazer a menor idéia de quem seja o Tommy Lee que está morando em Beverly Hills e namorando a Heather Locklear, ou quem é o Lemmy, que é comparado a Deus!


Se você não viu o filme, explico: os Lone Rangers, uma banda de rock pesado que está correndo atrás do sucesso, sequestra uma estação de rádio com armas de brinquedo para que ela toque a música deles. Claro que eles viram automaticamente heróis aos olhos dos seus semelhantes, que formam uma multidão gigantesca do lado de fora. Quando o vocalista e guitarrista Brendan Fraser é forçado a compartilhar com seus "fãs" alguns segredos humilhantes de sua adolescência geek, ao invés da multidão se rebelar, eles dão apoio ao seu novo herói. E do meio da multidão, aparece Lemmy Kilmister, líder do Motörhead em toda a sua glória, uma banda que é uma unanimidade louvada em seu meio, dando apoio aos Lone Rangers e dizendo que ele era editor da revista da escola:


Ele não canta, ele não toca, ele nem mesmo é Lemmy Kilmister. Quando se trata dos Lone Rangers, ele é apenas mais um metaleiro na multidão. Clássico!

Infelizmente, essa pequena pérola que é Airheads - Os Cabeças de Vento nunca ganhou uma edição em DVD no Brasil.

Neste link, você tem acesso à cena inteira.

Bruce Springsteen, em Alta Fidelidade (por Tullio Dias)

Rob Gordon (John Cusack) se encontra deitado e refletindo sobre a sua última desilusão amorosa em Alta Fidelidade, de Stephen Frears. Deprimido e solitário, o dono de uma loja de discos começa a refletir sobre procurar ou não as suas ex-namoradas. Eis que o cantor Bruce Springsteen surge de repente, quase como uma espécie de Mestre Yoda dos relacionamentos, e começa a conversar com Rob.

Quem mais poderia ter Bruce Springsteen como seu conselheiro amoroso particular? Só mesmo os personagens do romance escrito por Nick Hornby, um fã incondicional da boa música. O melhor da cena é conferir a expressão serena do cantor, como se ele realmente fosse a maior autoridade do mundo para conversar sobre namoros frustrados. Detalhe: o cantor surge acompanhado de sua guitarra, enquanto toca alguns acordes de um bom blues.


Supla, em Uma Escola Atrapalhada (por Renato Silveira)

Os filmes dos Trapalhões, da Xuxa, das Paquitas e da Angélica sempre serviram de palco para bandinhas bancadas por empresários que atuam nos bastidores dos programas de TV da Globo e do SBT. Dominó e Polegar eram presenças certas em números musicais gratuitos em todos aqueles filmes dos anos 80 e 90, chegando ao cúmulo de, em 2004, termos Um Show de Verão, de Moacyr Góes (aquele fenômeno do cinema brasileiro que conseguiu lançar três filmes por ano em 2003 e 2004 - mas, convenhamos, são seis filmes ruins que não dão um filme bom). Em Um Show de Verão, tem de tudo: Felipe Dylon, Lulu Santos, Jota Quest, DJ Marlboro, Capital Inicial, CPM 22, Detonautas... E, claro, Superfly. Quem se esquece do Superfly!

Mas em toda a história desse gênero peculiar da filmografia brasileira, somente um roqueiro fez as vezes de ator sem o oportunismo barato dos agenciados da Promoart: o "papito" Supla. Em Uma Escola Atrapalhada, de 1990 (o high school movie brasileiro, com direção de Antônio Rangel), Supla vive o autêntico bad boy do "culégio". Ele é tão mau, que aparece usando uma camisa babylook do Superman -  e tem que ser muito macho pra isso. Seu personagem, Carlão, passa o filme inteiro sendo provocado por Tami (Angélica), o diabo em corpo de anjo, o que dá a ele a chance de se transformar no galã da história. Imagine, você: Supla, o ícone do trash punk brasileiro, o irmão de Billy Idol e Dolph Lundgren que foi vendido para traficantes de bebês, derrota o engomadinho Nill do Dominó e fica com a Angélica no final!

Fiquem com uma compilação dos melhores momentos de Carlão e Tami encontrada no YouTube e vejam como eram todos novinhos. Tão novinhos, que a Angélica nem tinha permissão para beijar na boca:


Sobre o autor:

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