Você pergunta! PODCAST #161: Grandes Filmes: O BEBÊ DE ROSEMARY
Renato Silveira
Crítico e colunista

O programa desta semana é dedicado à análise de O Bebê de Rosemary (1968), de Roman Polanski. Mais uma vez, nós teremos a presença da professora de cinema da Escola de Belas Artes da UFMG Ana Lúcia Andrade e do crítico e professor de cinema Carlos Quintão no debate.
Você, assinante do Cinema em Cena, tem exclusividade para enviar perguntas sobre o tema deste programa. Elas serão respondidas na gravação do podcast.
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Prazo para o envio das perguntas: até 13h30 do dia 16/03.
Comentários (5)
Essa "cópia" (na verdade réplica digital) que passou recentemente na sessão de meia-noite do Cinemark estava com imagem e som perfeitos e foi uma delícia rever o filme. Mas com relação à polêmica sobre o bebê aparecer ou não, parece que há de fato um único frame com um close no rosto dele. Na época estava na moda aquele nonsense sobre imagens subliminares terem um impacto muito maior sobre o espectador que as escancaradas e por conta da crendice vários diretores apelavam para a técnica - como William Friedkin em Parceiros da Noite (Cruising, 1980).
Olá, pessoal do Cinema em Cena! Fico feliz que mais um dos meus filmes favoritos esteja na série de podcasts Grandes Filmes. A minha pergunta é a seguinte: Até que ponto a trágica morte da esposa de Polanski, Sharon Tate, ocorrida em 1969, assassinada por Charles Manson, enquanto ainda estava grávida, contribuiu para criar o status macabro do filme O Bebê de Rosemary, lançado recentemente na época? Vejo muitos fazendo associações macabras entre o filme e o hediondo evento, por conta de coincidências simbólicas.
Faz anos que não revejo o Bebê mas o que me marcou é aquela trilha de canção de ninar que consegue ser mais apavorante que muita trilha carregada usuais nos filmes de terror. E o filme te deixa tenso sem apelar para nenhuma cena tipica de susto. E o final marcante que mesmo sem mostrar o bebê faz com que muitos tenham certeza de ter visto (ou mesmo os olhos, citados mas nunca mostrados). Um belo exemplo do poder de sugestão do Cinema.
1. O Bebê de Rosemary é o segundo filme da famosa "trilogia do apartamento" do Polanski, que também engloba Repulsa ao Sexo e O Inquilino. Além do fato de serem filmes praticamente confinados num único ambiente - o apartamento enquanto símbolo de urbanização e modernidade - o sexo e sua influência no cotidiano está presente em cada frame das três obras. Gostaria que vocês comentassem as características que unificam de alguma maneira os três filmes, que apesar de terem um tom muito diferente entre si, transmitem uma sensação monumental de paranoia. 2. A meu ver, o grande barato de um filme de horror, e talvez essa seja sua condição enquanto gênero, é o confronto entre o real e o fantástico, ao passo que o pavor, relacionado ao medo, e o grotesco, relacionado ao gore, podem, um e/ou o outro, estarem presente numa mesma narrativa. Polanski escolhe andar nessa corda bamba entre o real e o fantástico até a sequência final, quando finalmente pende para um lado. Mesmo assim, o genial polonês força o espectador a tomar uma postura ativa diante da ausência de uma imagem (que não falo aqui para evitar spoilers). Pra vocês, quais os significados que essa lacuna traz? Teria William Castle aprovado essa ousadia?
Menos uma pergunta, mais um comentário/observação. O personagem do não tão jovem (mas com pinta de galã) John Cassavetes permite traçar um paralelo com a carreira desse ator/diretor. Todo o pacto com entidades demoníacas é feita porque o personagem de Guy Woodhouse quer obter um papel. Da mesma forma que Cassavetes, depois de sua experiência hollywoodiana como diretor ("Canção da Esperança" e "Minha Esperança é Você"), sempre se viu obrigado a lutar com unhas e dentes pelos seus projetos pessoais. Acho que vale observar o terno azul claro que ele usa em algum momento do filme (salvo engano) e seu olhar levemente maníaco, que dão a ele uma aparência de tubarão, à espreita para atacar.


