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HÉRCULES, de Werner Herzog Curta em Cena

O cineasta alemão Werner Herzog (na humilde opinião deste colunista) está entre os melhores profissionais da sétima arte de todos os tempos. Trabalhando atrás das câmeras há mais de 50 anos, o veterano já produziu obras de qualidade incontestável, como Aguirre, a Cólera dos Deuses (1972), O Enigma de Kaspar Hauser (1974), Nosferatu - O Vampiro da Noite (1979) e Fitzcarraldo (1982).

Sua filmografia também traz pérolas pouco vistas, como Os Anões Também Começaram Pequenos (1970), Stroszek (1977), Onde Sonham as Formigas Verdes (1984), Ecos de um Império Sombrio (1990) e O Pequeno Dieter Precisa Voar (1997). Mas como começou a carreira de Herzog, que permanece em atividade para a alegria dos cinéfilos?

Seu primeiro filme, o curta-metragem Hércules (1962), retoma o heroico personagem da mitologia grega que cumpriu 12 difíceis trabalhos para se tornar imortal. O diretor, que tinha apenas 19 anos na época, apresenta fisiculturistas exibindo seus corpos durante exercícios de musculação e pergunta, de forma irônica, se eles seriam capazes de fazer as mesmas tarefas de Hércules, como limpar os estábulos de Áugias, derrotar a Hidra de Lerna e domar as éguas de Diómedes.

A ironia se intensifica quando Herzog intercala a busca pelo corpo perfeito e o ideal de masculinidade com cenas da era moderna que se relacionam aos 12 trabalhos: um depósito de lixo após a menção aos estábulos cheios de esterco; imagens de aviões bombardeando veículos e casas depois da citação às aves do Lago Estínfalo que Hércules matou. A interpretação fica por conta de cada um, mas é possível perceber uma crítica à veneração quase obsessiva ao corpo e, ao mesmo tempo, à capacidade humana de autodestruição desse mesmo corpo. Poderia o mito sobreviver à realidade?

E já que estamos falando de curtas, os fãs de Herzog também precisam conhecer A Defesa Sem Precedentes do Forte Deutschkreuz (1967), sobre a irracionalidade das guerras; Últimas Palavras (1968), curioso falso documentário em que os personagens repetem suas irrelevantes falas; o cômico Medidas Contra Fanáticos (1969) e o tocante Ninguém Quer Brincar Comigo (1976), apenas para citar alguns de início de carreira.

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