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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
23/09/2005 19/08/2005 3 / 5 3 / 5
Distribuidora

Direção

Judd Apatow

Elenco

Catherine Keener , Seth Rogen , Elizabeth Banks , Jane Lynch , David Koechner , Steve Carell , Paul Rudd

Roteiro

Steve Carell , Judd Apatow

Produção

Judd Apatow

Fotografia

Jack N. Green

Música

Lyle Workman

Montagem

Brent White

Design de Produção

Jackson De Govia

Figurino

Debra McGuire

Direção de Arte

Tom Reta

O Virgem de 40 Anos
The 40 Year-Old Virgin

Dirigido por Judd Apatow. Com: Steve Carell, Paul Rudd, Catherine Keener, Romany Malco, Seth Rogen, Elizabeth Banks, Jane Lynch, David Koechner.

 

Quando escrevi sobre Todo Poderoso, em junho de 2003, comentei: `Outro que merece destaque é Steve Carell, que, no papel do principal rival de Bruce Nolan, protagoniza o momento mais engraçado do filme`. Cerca de um ano depois, em meu artigo sobre O Âncora, falei: `Steve Carell, que já roubara a cena de Jim Carrey como o âncora `possuído` de Todo Poderoso, volta a se destacar como o sujeito de Q.I. patologicamente baixo`. Era inevitável, portanto, que um comediante talentoso como Carell ganhasse seu próprio filme – e é isto que acontece em O Virgem de 40 Anos, no qual o ator, vivendo o personagem-título, enfrenta uma série de situações constrangedoras enquanto procura estrear como amante.

Escrito pelo próprio ator (em parceria com o diretor Judd Apatow), o roteiro segue a fórmula de O Âncora ao cercar o protagonista com três amigos que tentam ajudá-lo a alcançar seus objetivos. Condoídos com o celibato involuntário de Andy (o personagem de Carell), seus companheiros parecem mais preocupados em colocar um fim à sua abstinência sexual do que em zombar de sua condição de virgem – algo relativamente inesperado em um filme como esse. Sim, eles se divertem às custas do sujeito (como na cena em que este passa por uma dolorosa – e, ao que parece, real – depilação), mas, na maior parte do tempo, manifestam verdadeira frustração com os fracassos de Andy.

Este sentimento, aliás, é compartilhado pelo espectador, já que é impossível não torcer pelo protagonista: dono de um rosto naturalmente simpático, Steve Carell parece um sujeito comum, um vizinho que qualquer um de nós poderia ter. Além disso, a ótima caracterização do ator, que transforma Andy em uma figura tímida e insegura, nos faz acreditar que aquele homem poderia realmente ser virgem aos 40 anos de idade – algo fundamental para o sucesso do filme. Observe, por exemplo, como ele parece genuinamente embaraçado ao tentar descrever uma transa (fictícia) para seus amigos e constatará o bom trabalho do comediante.

E se Romany Malco e Seth Rogen oferecem desempenhos apenas corretos (ainda que eficazes) como Jay e Cal, respectivamente, o destaque no elenco secundário fica por conta de Paul Rudd, um ator sempre carismático e divertido – e que também havia feito um bom trabalho em O Âncora (aliás, David Koechner, outro membro da bancada de Ron Burgundy, também faz uma pequena ponta em O Virgem de 40 Anos). Desta vez, Rudd interpreta um sujeito que, apesar de incentivar a promiscuidade dos amigos, encontra-se irremediavelmente apaixonado por Amy, sua ex-namorada, o que leva a momentos hilários nos quais seu sofrimento irrompe de forma incontrolável. (E é preciso parabenizar as diretoras de elenco por escalarem uma atriz nada `glamourosa` para o papel de Amy, ilustrando o fato de que o amor não enxerga apenas atributos físicos, mas também qualidades menos óbvias como charme e inteligência.)

Enquanto isso, Judd Apatow se sai razoavelmente bem em sua estréia como diretor – e a montagem que ilustra a participação de Andy em uma espécie de `roleta russa` de primeiros encontros é particularmente eficaz (especialmente ao enfocar as reações de Carell frente a figuras como `Gina` e a garota que, agitada, nem sequer percebe que seus seios estão à mostra). Da mesma forma, o cineasta conduz bem a construção da piada envolvendo a pergunta `Como sei que você é gay?` (assista para entender), que começa de forma quase casual e vai crescendo até beirar o nonsense.

Por outro lado, falta fluidez à narrativa, como se cada cena criasse, desenvolvesse e encerrasse suas próprias gags, funcionando como esquetes isolados que nem sempre se complementam – e muitas destas cenas nem sequer parecem terminar apropriadamente, como se fossem cortadas pela metade. Além disso, ao transformar o filme em uma série de piadas, Apatow permite que o espectador avalie o longa por seus resultados imediatos, e não como uma estrutura completa: `a seqüência em que Andy tenta colocar uma camisinha é engraçada`, `aquela em que ele se encontra em um carro conduzido por uma garota bêbada, nem tanto`. Em um projeto coeso, tais análises até poderiam ser feitas, mas não teriam tanto peso quanto acabam assumindo em O Virgem de 40 Anos – que, além de tudo, repete o erro do recente (e superior) Penetras Bons de Bico e revela-se um pouco mais longo do que o ideal para uma comédia.

A sorte do filme, no entanto, é conseguir enviar o público para fora do cinema com um sorriso no rosto, já que sua cena final é, também, a melhor – e como temos a tendência de permitir que a última impressão seja a mais forte, é bastante provável que os espectadores se sintam mais satisfeitos com o longa do que este merecia.

 

23 de Setembro de 2005

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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