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Selvagem

Crítico★★★☆☆3/5
4 min
Selvagem
Selvagem

Dirigido por Steve ‘Spaz’ Williams. Com as vozes de Kiefer Sutherland, James Belushi, Greg Cipes, Janeane Garofalo, Eddie Izzard, William Shatner, Jason Connery.

 

Adotado pela Walt Disney como resultado do período em que a parceria desta com a Pixar permaneceu em hiato, Selvagem divide, com os filmes originados dentro do próprio estúdio, uma história que aborda, em parte, o sentimento de inadequação de um personagem que, frustrado com um mundo que parece não compreendê-lo, se envolve em uma aventura que resultará em um processo de auto-descoberta (como nos recentes Leitão – O Filme, O Galinho Chicken Little, Irmão Urso, Mulan, entre outros). Desta vez, é o leãozinho Ryan que, sentindo-se fraco diante da figura imponente – ainda que carinhosa – do pai, o principal habitante do zoológico de Nova  York, esconde-se em um container e é enviado por engano para uma ilha distante. Desesperado para encontrar o filho, Sansão parte com os amigos Benny (um esquilo), Bridget (uma girafa), Larry (uma cobra) e Nigel (um coala) em uma jornada que... bom, resultará em um processo de auto-descoberta para todos os envolvidos.

           

Escrito por nada menos do que quatro pessoas (como já falei várias vezes, isto é sempre um mau sinal), Selvagem é mais um daqueles filmes durante os quais ouvimos vários discursos do tipo “Acredite em você mesmo!”, “Não importa de onde você veio, mas sim quem você é!”, e assim por diante – e sempre que a narrativa começa a dar sinais de que vai perder o ritmo (algo que se torna claro principalmente depois que os animais chegam à ilha), surge uma montagem musical para tentar empurrá-la para frente. Dirigida pelo estreante Steve ‘Spaz’ Williams, esta animação digital jamais consegue recriar os momentos de magia das produções da Pixar; até mesmo seu humor soa forçado, dependendo mais de efeitos sonoros engraçadinhos do que do charme dos personagens.

           

Há exceções, é claro: a paixão do esquilo Benny pela girafa, por exemplo, torna-se divertida em um espírito similar ao “clássico” caso de amor entre o elefante e a formiga, levando-nos, neste caso, a ignorar a diferença de tamanho (para não dizer de espécies!) entre os dois e a torcer por um final feliz. Ainda assim, o destaque fica por conta do coala Nigel, que, com sua dicção incerta, seu jeito cambaleante e sua personalidade imprevisível, parece estar sempre bêbado, o que o transforma em responsável direto pelos momentos mais engraçados do filme. Além disso, mesmo que não sejam propriamente divertidos, os demais personagens são certamente adoráveis, já que contam com um visual inteligente que, fugindo da estilização exagerada do apenas regular Madagascar (apropriada àquele longa, mas não a este), transforma os animais em criaturas que, apesar de uma aparência quase realista, não deixam de parecer encantadores bichinhos de pelúcia.

           

Aliás, a principal força de Selvagem reside justamente em seus aspectos técnicos: além do design dos personagens, a qualidade da animação impressiona pela fluidez no movimento dos animais e por detalhes como o balanço dos pelos (e as manchas que o leãozinho tem em sua pelugem) e as perfeitas contrações musculares em cada ação. Da mesma forma, a magnífica fotografia não apenas transforma a Nova York do filme em um espetáculo de luzes como ainda contribui para estabelecer atmosferas diferentes ao longo da projeção, desde a melancólica cena em que Ryan se esconde nas sombras de uma das árvores do zoológico até o ameaçador ataque dos gnus em uma caverna tomada pela fumaça e tingida pelos reflexos vermelhos originados da lava, em um vulcão pronto para entrar em erupção. O único momento em que a produção escorrega – e feio – ocorre durante os créditos finais, enfeitados por alguns dos personagens da história: aqui e ali, podemos perceber que alguns dos animais (como a pomba e o camaleão) estão em um loop pavoroso – um descuido que a Pixar certamente jamais teria.

           

Entregando-se a um clichê solidificado pela conclusão de Shrek, Selvagem ainda se esforça desajeitadamente para criar um número musical que, reunindo vários personagens, possa mandar o espectador para fora do cinema com uma sensação de euforia artificial. É um exemplo que representa bem os problemas de um filme que, como uma espécie de Procurando Nemo em Madagascar, é divertidinho, mas nem um pouco original.
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12 de Abril de 2006

 

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Pablo Villaça
Avaliação do CríticoPablo Villaça
3.0
★★★☆☆

Um jovem leão é enviado para a selva por engano. Um grupo de animais do zoológico onde ele vivia decide se juntar para resgatar o amigo. Entre eles estão um leão mais velho, uma girafa, uma cobra pouco inteligente, um esquilo (apaixonado pela girafa) e um coala, que odeia ser chamado de “bonitinho”.

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