Seja bem-vindx!
Acessar - Registrar

Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
03/06/2005 06/05/2005 2 / 5 / 5
Distribuidora

A Casa de Cera
House of Wax

Dirigido por Jaume Collet-Serra. Com: Elisha Cuthbert, Chad Michael Murray, Brian Van Holt, Paris Hilton, Jared Padalecki, Jon Abrahams, Robert Ri’chard, Damon Herriman.

 

Quando o cineasta Robert Zemeckis e o produtor Joel Silver se uniram para fundar a Dark Castle, há pouco mais de seis anos, o propósito da dupla era o de resgatar os filmes de terror B como aqueles realizados por William Castle na década de 50 (daí a referência ao nome do diretor). Infelizmente, eles parecem não ter compreendido o conceito de `filmes B`, que eram projetos realizados com baixo orçamento, sem grandes nomes no elenco, e que receberam este nome por normalmente serem exibidos depois de produções maiores, nas sessões duplas tão comuns na época. De acordo com a visão de Zemeckis e Silver, `filme B` é simplesmente um sinônimo de `filme ruim` – basta ver a lista dos filmes cometidos pela Dark Castle desde sua fundação: A Casa da Colina, 13 Fantasmas, Navio Fantasma (o melhorzinho), Na Companhia do Medo e, agora, esta `refilmagem` (a história é completamente diferente) de Museu de Cera, estrelado por Vincent Price em 1953.

Dirigido pelo estreante Jaume Collet-Serra, o longa acompanha um grupo de jovens que, depois de pegarem um desvio errado na estrada, vão parar nas proximidades de uma cidadezinha que, de tão remota, sequer aparece no mapa. Antigamente conhecida por seu museu de cera, Ambrose (este é o nome do lugar) está praticamente abandonada – e o que os `heróis` irão descobrir é que há um motivo para que as estátuas de cera do museu pareçam tão reais – e é bastante provável que, até o final da projeção, muitos deles tenham passado a fazer parte de seu acervo.

Escrito pelos gêmeos Chad e Carey Hayes (cujas `brilhantes` carreiras consistem em trabalhos feitos para a tevê, como a série Baywatch), o roteiro é composto de praticamente todos os clichês do gênero e, com apenas cinco minutos de história, já somos capazes de identificar quem morrerá ou sobreviverá às ameaças presentes em Ambrose. Habitado por personagens estúpidos que parecem determinados a morrer, A Casa de Cera conta com várias daquelas cenas nas quais a mocinha decide investigar um barulho misterioso no meio da noite e, assim, sai sozinha (e com roupas mínimas) para ver o que está acontecendo – apenas para levar um susto com a chegada súbita de um de seus amigos, que, é claro, se aproxima por trás sem fazer qualquer barulho, como se quisesse mesmo matar a garota do coração.

Além de estúpidos, alguns dos protagonistas do longa também são extremamente mal-educados: poucas vezes, por exemplo, vi um personagem tão chato quanto Wade (Padalecki), namorado da mocinha, que tem o hábito de invadir propriedades privadas e fuçar nos objetos particulares de outras pessoas (curiosamente, o filme não parece perceber que o sujeito é um imbecil). E o que é pior é que Collet-Serra acredita que temos algum interesse em sua galeria de estereótipos, já que gasta praticamente uma hora apenas para estabelecer a `dinâmica` (na falta de um termo melhor) entre os personagens, demorando imensamente para chegar à parte que realmente interessa: as mortes.

Aliás, neste quesito os fãs do gênero não ficarão decepcionados: A Casa de Cera segue de perto o estilo gráfico das produções de terror da década de 80, exibindo sem pudor desmembramentos, decapitações e, é claro, muito sangue. Vale dizer, também, que o próprio conceito da trama apresenta um grande potencial – e a cena envolvendo a transformação de um personagem em estátua é chocante. Da mesma forma, o design de produção, supervisionado por Graham Walker, merece destaque ao fazer bom uso da premissa: a `casa de cera` do título é fascinante – especialmente ao derreter-se.

O que nos traz de volta à estupidez dos personagens e do roteiro, condenando a produção: se você está em uma casa feita de cera e esta começa a se desfazer, qual é a melhor atitude a tomar? Acreditem ou não, a mocinha vivida de forma genérica por Elisha Cuthbert acredita que a resposta é `subir as escadas`. Com um QI desses, é incrível que ela tenha chegado à idade adulta.

Para finalizar, muito se falou sobre a participação da socialite Paris Hilton em A Casa de Cera – e sobre sua falta de talento. A verdade é que Hilton é um alvo fácil para os críticos mais preguiçosos, que preferem culpá-la pelo fracasso do projeto em vez de analisarem com cuidado os demais aspectos do filme. Ora, ela não faz nada diferente do esperado; é a `amiga da mocinha` e, como tal, é burra, gostosa, promíscua e morre violentamente. E pronto. Nem a melhor (ou a pior) atriz do planeta poderia fazer algo de diferente com um papel destes. Por outro lado, a insistência de Jaume Collet-Serra em fazer piadinhas com a famosa fita de sexo protagonizada por Hilton denota a burrice e a falta de experiência do diretor, que não percebe que, a cada vez que faz uma alusão ao passado da garota, tira o espectador do filme, anulando qualquer tentativa de criar suspense ou tensão.

Mas há algo ainda mais perturbador em A Casa de Cera: em certo momento, quando a mocinha resolve entrar no meio da floresta para descobrir a fonte do mau cheiro que está sentindo, a personagem de Hilton pergunta, com justificada incredulidade: `Por quê (vai fazer isso)?`. Uau. Qualquer filme no qual Paris Hilton se revela a figura mais sensata certamente tem algo de muito errado.
``

 

04 de Junho de 2005

Comente esta crítica em nosso fórum e troque idéias com outros leitores! Clique aqui!

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

Para dar uma nota para este filme, você precisa estar logado!