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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
29/07/2011 01/01/1970 3 / 5 4 / 5
Distribuidora

Capitão América: O Primeiro Vingador
Captain America: The First Avenger

Dirigido por Joe Johnston.Com: Chris Evans, Tommy Lee Jones, Hayley Atwell, Hugo Weaving, Toby Jones,Dominic Cooper, Stanley Tucci, Neal McDonough, Derek Luke.

Nunca me interessei muito pelo CapitãoAmérica. Enxergando-o como uma das criações mais descaradamente ufanistas daMarvel (rivalizando, neste aspecto, com o Superman da DC), ele trazia osEstados Unidos não só no nome - apoderando-se, como de hábito, de todo ocontinente em prol de seu país – como ainda em suas roupas e escudo. Assim, foicom agradável surpresa que vi minha percepção ser levemente alterada por estefilme, que humaniza o personagem de forma eficiente embora, em última análise, seja(como Thor)pouco mais do que um trailer de duas horas para Os Vingadores.

Escrito por Christopher Markus eStephen McFeely (responsáveis por adaptar a fraca série AsCrônicas de Nárnia), o roteiro tem início com a descoberta, nosdias atuais, dos destroços de uma nave em meio ao gelo – e quando o escudo doCapitão é visto congelado, saltamos para o período da Segunda Guerra e somosapresentados ao pequeno e magro Steve Rogers (Evans), que, carregando uma sériede problemas físicos, é continuamente rejeitado em suas tentativas dealistamento. É então que o cientista Abraham Erskine (Tucci) decide empregar orapaz em um experimento que o transformará em um “supersoldado” através de umsoro que, no passado, gerou o Caveira Vermelha (Weaving). A partir daí, Rogers,assumindo o nome de Capitão América, torna-se um ícone nacional e passa a ser oprincipal obstáculo do Caveira em seus planos enlouquecidos para o futuro dahumanidade.

Planos estes que, sejamos honestos,são aborrecidos e sem imaginação, resultando num vilão fraco que nem mesmo ohabitualmente competente Hugo Weaving consegue tornar interessante. Concebidocomo uma espécie de “supernazista” (embora, a rigor, ele acabe se opondo aHitler, o que não é de todo mal), o Caveira demonstra ser pior do que oscompanheiros ao obrigar seus asseclas a estenderem ambos os braços em suas saudações enquanto bradam “Heil Hydra!”, o que soa maiscomo falta de originalidade por parte do vilão do que como algo ameaçador – e confessoque fiquei esperando vê-lo exibindo um imenso bigode com uma única lacuna no centro,em outra “brilhante” subversão do padrão. Seja como for, os projetos do sujeitonunca ficam muito claros: sim, ele aparentemente planeja destruir grandesmetrópoles com o objetivo de criar um mundo sem fronteiras, mas a impressão quefica é a de que ele não pensou muito bem em como saltar de um ponto do plano aoutro. Como se não bastasse, ver o Capitão América gritando que não permitiráum “planeta sem bandeiras” em seu futuro não é algo que seja particularmenteinspirador vindo de um herói.

Tropeços semânticos à parte,contudo, Rogers é um bom sujeito. Idealista e corajoso, ele é encarnado porChris Evans como um homem perfeitamente disposto ao auto-sacrifício por suasconvicções e seus companheiros – e mesmo seu uniforme excessivamente ufanista ésatisfatoriamente justificado por ter sido concebido justamente como arma depropaganda pelo exército norte-americano. Além disso, o fato de o soro criadopor Erskine ser capaz de potencializar os traços de caráter da cobaia tambémexplica os arroubos patrióticos do personagem, que também ganha pontos pormostrar-se bravo mesmo preso a um corpo diminuto (e os efeitos visuais que “encolhem”Evans são tecnicamente impecáveis). Enquanto isso, o roteiro também se diverteao explorar melhor Howard Stark (Cooper), pai do futuro Homemde Ferro, que aqui é visto como uma espécie de Howard Hughespré-paranóia – e não deixa de ser curioso observar as pequenas similaridadesentre as caracterizações de Dominic Cooper e Robert Downey Jr. E se a belaHayley Atwell ganha a oportunidade de transformar sua Peggy Carter em umafigura mais marcante do que um mero interesse romântico, é mesmo Tommy LeeJones quem fica com as melhores falas do longa, explorando sua persona durona e mal-humorada comeficiência.

Dito isso, Capitão América falha naquilo que deveria fazer melhor: suassequências de ação. Formulaicas e sem energia na maior parte do tempo, elas sãodirigidas por Joe Johnston de maneira burocrática, pouco inventiva, o querepresenta uma óbvia decepção – e o 3D convertido (leia-se: completamentedescartável) acaba soando como distração adicional em vez de potencializar oimpacto dos acontecimentos vistos na tela. Em contrapartida, o longa diverte aoincluir várias referências aos demais filmes do universo dos Vingadores,dando-se ao luxo até mesmo de brincar com OsCaçadores da Arca Perdida já na primeira aparição do Caveira Vermelha.

Contando com um ótimo trabalho de design de produção ao recriar o inícioda década de 40 não com realismo absoluto, mas com uma leve estilização queremete ao universo dos quadrinhos, o projeto também traz uma fotografiainteligente de Shelly Johnson, colaborador habitual de Johnston, que carreganos tons sépia na primeira metade da projeção apenas para gradualmentesubstituí-los por um cinza sufocante nas sequências nos campos de batalha. Poroutro lado, o uso excessivo do greenscreenacaba desapontando tanto em momentos de ação (como na luta no trem) quanto emoutros mais calmos (como aquele que traz Peggy numa Londres em ruínas). Deforma similar, é meio ridículo ver os nomes das cidades-alvo do vilão pintadosnas respectivas bombas que irão atingi-las, num recurso expositivo ofensivo àinteligência do espectador e que contrasta, por exemplo, com a sutileza detrazer Rogers usando um capacete levemente maior para sugerir sua fragilidade físicano primeiro ato da narrativa. E se ver uma maquiagem tradicional, old school, ser usada para criar oCaveira Vermelha é uma grata surpresa, perceber como o veterano compositor AlanSilvestri cria uma de suas trilhas menos inspiradas não deixa de ser umprofundo desapontamento.

Prejudicado ainda por um finalanticlimático que não explica de forma convincente o destino do vilão ou mesmocomo o herói pode ter sido congelado como visto no início da projeção, Capitão América é apenas uma promessa defilme – e caberá a Os Vingadoresfazer jus a esta promessa.

Observação:o trailer de Os Vingadores é exibido após os créditos finais.

29de Julho de 2011

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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