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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
11/07/2003 01/01/1970 3 / 5 2 / 5
Distribuidora

O Agente Teen
Agent Cody Banks

Dirigido por Harald Zwart. Com: Frankie Muniz, Hilary Duff, Angie Harmon, Keith David, Arnold Vosloo, Ian McShane, Darrell Hammond e Martin Donovan.

No cartaz utilizado para divulgar O Agente Teen, o seguinte slogan chamou minha atenção: `Salvar o mundo. Conquistar a garota. Passar em matemática`. Com isso, fui levado a acreditar que o filme traria um personagem que, entre uma aventura e outra, seria obrigado a lidar com os habituais problemas enfrentados pelos adolescentes – o que poderia gerar uma história interessante. Infelizmente, não é o que acontece: em um momento ou outro, o roteiro realmente dá sinais de que pode explorar o paradoxo potencialmente hilário entre as responsabilidades de um agente secreto e as de um jovem estudante, mas esta promessa jamais se concretiza, deixando-nos entregues a mais uma aventura-padrão que procura satirizar os principais elementos consagrados pela série 007 ao longo das décadas: temos os equipamentos ultra-modernos, o vilão com planos de destruição global (e que possui um sofisticado esconderijo nas montanhas), perseguições, explosões e, é claro, a bela garota em perigo.

Integrante de um programa especial desenvolvido pela CIA para treinar agentes adolescentes, Cody Banks (Muniz) é encarregado de se aproximar da jovem Natalie Connors (Duff), filha de um cientista que vem sendo mantido como refém pelo inescrupuloso Brinkman (McShane) depois de desenvolver nanorrobôs capazes de destruir qualquer metal. O que o diretor da CIA não esperava, porém, é que Banks se revelasse um adolescente tímido e com dificuldades para se aproximar das garotas de sua idade – o que pode pôr a missão em risco. Sempre monitorado pela sensual agente Ronica Miles (Harmon), o rapaz terá que superar sua insegurança para não perder o posto de espião mais promissor da agência.

Ao contrário dos fantasiosos (e divertidíssimos) filmes da série Pequenos Espiões, O Agente Teen procura ambientar suas aventuras em um mundo mais real (isto é, levando-se em consideração o gênero absurdo no qual se insere, obviamente) – e, assim, não envolve criaturas mágicas ou lugares míticos, embora seu herói pareça ser indestrutível como os irmãos Carmen e Juni Cortez. Conseqüentemente, esta nova produção jamais consegue se revelar tão cativante ou imaginativa como os trabalhos dirigidos por Robert Rodriguez, igualando-se a tantas outras sátiras ao gênero espionagem, como Johnny English, Austin Powers ou Espião por Engano (uma produção fraquíssima realizada no início da década de 90).

Escrito por nada menos do que quatro pessoas (incluindo a excelente dupla formada por Scott Alexander e Larry Karaszewski, especializada em cinebiografias), o roteiro de O Agente Teen tem algumas boas piadas, como os óculos de raios-X que vêm com `parental control` (controle dos pais) e a cena em que Cody Banks (no melhor estilo James Bond) desafia um vilão em um jogo de roleta, durante uma festa de aniversário, e diz, depois que o sujeito se irrita por ter perdido: `Calma, é só dinheiro de brinquedo`. Além disso, merecem destaque os momentos em que o herói é obrigado a lidar com o fato de ser apenas um adolescente, como ao ter que encontrar uma forma de sair de casa para salvar alguém, já que está de castigo. É uma pena que, como eu já disse anteriormente, o filme não se preocupe em explorar melhor estes dilemas.

Emprestando grande carisma a Banks, o jovem ator Frankie Muniz cria um protagonista simpático, eficiente, mas (o que é importante) vulnerável – e que parece estar sempre buscando a aprovação de seus superiores, o que lhe confere mais autenticidade. Da mesma forma, o veterano coadjuvante Keith David transforma o diretor da CIA em um personagem bastante divertido, como pode ser constatado na cena em que, ao descobrir as deficiências de seu jovem agente, diz: `Então você é tímido!`, com um sorriso `simpático` que obviamente esconde uma raiva colossal. Da mesma forma, Arnold Vosloo (mais conhecido por viver o vilão Imhotep em A Múmia) demonstra estar bem à vontade como o capanga Molay – o mesmo valendo para a bela Angie Harmon como a tutora de Banks. Por outro lado, Hilary Duff se revela apenas irritante como a mocinha Natalie, chegando ao ápice da chatice no momento em que, ao encontrar o herói, se entrega a todos os clichês do gênero ao dizer frases como `Você me usou!`, `Achei que fosse diferente dos outros rapazes!`, e por aí afora.

Contando com algumas boas seqüências de ação (a que abre o filme merece destaque, enquanto o confronto final é uma imensa decepção), O Agente Teen é moderadamente divertido, embora, em sua maior parte, seja bastante previsível. Assim, se você quer conhecer jovens espiões que realmente mereçam sua atenção, as melhores opções ainda são os dois Pequenos Espiões e o tenso Os Heróis Não Têm Idade, que Henry Thomas protagonizou em 1984. Neste último, pelo menos, o espectador é convencido de que o pequeno protagonista realmente corre algum perigo, transformando-o em um herói muito mais corajoso do que dez Cody Banks juntos.
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18 de Julho de 2003

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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