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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
02/06/2006 14/04/2006 2 / 5 / 5
Distribuidora

Todo Mundo em Pânico 4
Scary Movie 4

Dirigido por David Zucker. Com: Anna Faris, Craig Bierko, Carmen Electra, Charlie Sheen, Bill Pullman, Chris Elliott, Regina Hall, Kevin Hart, Cloris Leachman, Michael Madsen, Beau Mirchoff, Simon Rex, Molly Shannon, Leslie Nielsen.

 

Em 1977, os irmãos David e Jerry Zucker, ao lado do amigo Jim Abrahams, praticamente estabeleceram o conceito de “paródia besteirol” ao roteirizarem o divertidíssimo The Kentucky Fried Movie, dirigido por John Landis. Caracterizado por uma média altíssima de “piadas-por-minuto”, o gênero se preocupa em expor as fragilidades dos filmes parodiados ao mesmo tempo em que, com gags na maioria das vezes absurdas, procura manter o espectador atordoado com a constante sucessão de tiradas verbais e visuais – uma fórmula que rendeu obras excelentes como Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu!, Top Secret! e Corra que a Polícia Vem Aí! (pelo visto, concluir os títulos com pontos de exclamação também faz parte da receita).

           

Infelizmente, nos últimos anos, uma nova leva de produções supostamente inspiradas pelo conceito refinado pelo trio ZAZ (Zucker-Abrahams-Zucker) encarregou-se de deturpar os objetivos originais do gênero: se antes as piadas vinham como resultado de uma crítica certeira aos clichês dos longas “homenageados”, agora a preocupação reside principalmente em criar citações que sejam facilmente reconhecidas pelo público, que, supostamente, riria apenas por ser capaz de identificá-las. Este é o caso da série Todo Mundo em Pânico, cujos roteiros trazem simples fiapos de história como frágil ligação entre as “paródias” propriamente ditas – e mesmo estas praticamente se limitam a recriar as cenas dos filmes originais, acrescentando apenas um ou outro elemento novo que possa se passar por “comédia”.

           

Escrito por Craig Mazin, Pat Proft e Jim Abrahams, este quarto filme da franquia concentra sua mira basicamente em três produções recentes: Jogos Mortais, Guerra dos Mundos e O Grito, combinando elementos destes longas numa colcha de retalhos simplória e mal acabada. Numa tentativa preguiçosa de manter a continuidade da “história” iniciada nos capítulos anteriores, o roteiro resgata um ou outro personagem e, quando não consegue fazê-lo, os realizadores simplesmente trazem os mesmos atores vivendo figuras diferentes (pelo menos, esta foi minha impressão. Não posso dizer que Todo Mundo em Pânico 1, 2 e 3 causaram impacto suficiente para ficarem registrados nos mínimos detalhes em minha memória. De todo modo, se os personagens vividos por Charlie Sheen, Anthony Anderson, Kevin Hart e Regina Hall são os mesmos vistos anteriormente, isto é um acaso que não faz diferença para os cineastas, os roteiristas, os produtores ou para o espectador).

           

Assim, na falta de uma trama, restam as citações vazias (e sem graça) a produções como Ritmo de um Sonho, Menina de Ouro, A Vila e O Segredo de Brokeback Mountain - que gerou uma cena óbvia, nada inspirada, que certamente foi adicionada de última hora (a “vantagem” proporcionada pela falta de estrutura destas comédias é justamente a possibilidade de jogar cenas de qualquer maneira ao longo do projeto, mesmo que este se encontre praticamente finalizado. Um drama fez sucesso inesperado? Nada temam: basta pegar uma de suas cenas mais famosas, refilmá-la com dois atores “cômicos” e incluí-la em um ponto aleatório da projeção.).

           

É claro que, aqui e ali, Todo Mundo em Pânico 4 resgata um pouco da velha genialidade do ZAZ: quando uma personagem corre para se posicionar novamente diante da câmera, que acabara de ignorá-la, percebemos a artificialidade destes momentos dramáticos em filmes “sérios” – e, mais tarde, quando o herói diz para o filho que “não há tempo para explicar o que está acontecendo” (outra frase comum em gêneros como o policial e o suspense), um figurante cruza a tela gritando “Ataque alienígena!”, o que, mais uma vez, expõe o clichê em sua falta de lógica. De modo geral, no entanto, esta continuação nada mais é do que uma colagem de referências que se julga inteligente apenas por ser capaz de recriar cenas conhecidas de outras produções, limitando suas tentativas de fazer rir às formas mais básicas de humor físico, com personagens que tropeçam ou são atingidos por vários objetos ao longo da história (e, assim como no terceiro capítulo, há uma criança que acaba se tornando vítima preferencial dos roteiristas, o que não deixa de ser interessante). Ah, sim, e eu nem precisaria dizer isso, já que é algo que se tornou praticamente uma exigência da comédia norte-americana, mas Todo Mundo em Pânico 4 aposta pesadamente no humor de banheiro, com gags envolvendo secreções, excreções e gás.

           

Contando com um elenco que é um verdadeiro “quem-é-quem” do gênero, o filme traz o veterano Leslie Nielsen ao lado de seus sucessores das duas gerações seguintes, Charlie Sheen (Top Gang!) e Anna Faris, que dividem com o mestre uma característica fundamental para que suas performances funcionem: eles jamais oferecem qualquer indício de que sabem que estão numa comédia, atravessando incidentes absurdos com uma expressão de indiferença e seriedade absolutas. Além deles, há também Craig Bierko, que acerta em cheio ao criar uma caricatura divertidíssima de Tom Cruise (que, ao lado de George W. Bush e Michael Jackson, é uma das celebridades “atacadas” pela produção).

           

Relativamente barata e, portanto, lucrativa, a série Todo Mundo em Pânico parece disposta a gerar um filhote a cada dois ou três anos. Portanto, vá se preparando para o quinto filme e faça uma anotação mental das cenas mais emblemáticas dos principais longas lançados nos próximos meses. Você certamente as reencontrará no quinto capítulo da franquia.
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01 de Junho de 2006

 

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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