Meu Papai É Noel 2
Dirigido por Michael Lembeck. Com: Tim Allen, Elizabeth Mitchell, David Krumholtz, Eric Lloyd, Wendy Crewson, Spencer Breslin, Judge Reinhold, Art LaFleur, Kevin Pollak, Michael Dorn e Peter Boyle.
Quando escrevi sobre Meu Papai é Noel, há alguns anos, comentei que o filme havia conseguido encontrar um novo ângulo para uma velha história ao narrar as confusões provocadas por Scott Calvin (Allen), um publicitário que, depois de acidentalmente provocar a morte do Papai Noel, é obrigado a assumir o lugar do "bom velhinho" – ganhando, em função disso, uma enorme barriga e cabelo e barba grisalhos.
Pois a boa notícia é que Tim Allen, que já havia realizado uma continuação superior ao original como a voz de Buzz Lightyear em Toy Story, volta a repetir a façanha em Meu Papai é Noel 2 – um filme que, ao contrário da maioria das seqüências produzidas por Hollywood, não se limita a repetir a trama de seu antecessor. Ao contrário: aproveitando o fato de que já conhecemos os personagens principais, esta continuação mergulha o espectador em uma história inventiva e divertida, provocando uma sensação calorosa sobre esta deliciosa época do ano: o Natal.
Dirigido pelo estreante Michael Lembeck, Meu Papai é Noel 2 se passa alguns anos depois dos acontecimentos narrados no original: agora, Scott Calvin (leia-se: Papai Noel) já está bem mais confortável em sua função e se transformou em um líder adorado por seus auxiliares, os elfos. Presidente da Associação de Criaturas Lendárias (que inclui o Coelho da Páscoa, o Cupido e a Mãe Natureza, entre outros), Scott recebe duas notícias preocupantes: a de que seu filho, Charlie, está na lista dos garotos malcriados; e a de que deverá encontrar uma Mamãe Noel e casar-se em 28 dias, sob pena de ser destituído do cargo. Já sentindo os sintomas de sua iminente demissão (como um rápido emagrecimento), o sujeito parte do Pólo Norte, deixando, em seu lugar, um clone criado por um elfo de confiança.
E é a partir desta situação que os cinco roteiristas do projeto introduzem uma subtrama realmente surpreendente: mais intolerante com as brincadeiras de seus fãs, o `substituto` do Papai Noel resolve colocar todas as crianças do mundo na lista dos malcriados. Para isso, constrói um exército formado por gigantescos soldados de chumbo e dá um golpe de estado no Pólo Norte, transformando-se em uma figura bastante parecida com Fidel Castro – numa piada ideologicamente corrompida, mas visualmente divertidíssima. Por outro lado, o roteiro peca ao escorregar no velho clichê dos filmes de Natal: aquele que prega que algum incrédulo deverá ser `convertido` até o final da projeção (neste caso, a diretora Newman, vivida pela bela Elizabeth Mitchell).
Consciente do caráter de fábula existente no roteiro, o diretor Michael Lembeck jamais procura conferir um ar de realismo ao filme, o que se revela uma decisão acertada: a cidade dos elfos, por exemplo, jamais parece ser algo mais do que um grande cenário construído em estúdio; e as renas que habitam aquele mundo são claramente bonecos animatrônicos (o que não as deixa menos engraçadinhas). Já a maquiagem do clone de Papai Noel é bem executada, conferindo uma interessante natureza plástica ao personagem.
Realizado oito anos depois do original (uma eternidade para os padrões de Hollywood), Meu Papai é Noel 2 desperta a criança dentro de cada adulto da platéia, lembrando como o Natal pode ser uma época cheia de magia aos olhos de quem possui um mínimo de imaginação. Ao sair do cinema, eu estava feliz e com saudades de um tempo em que, para mim, a existência de Papai Noel era um fato inquestionável.
14 de Dezembro de 2002

Scott tem substituído Papai Noel por oito anos, mas as coisas se complicam quando seu filho entra para a lista de `meninos maus` que não ganharão presentes no Natal.
