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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
23/07/2004 05/03/2004 4 / 5 / 5
Distribuidora

Starsky e Hutch - Justiça em Dobro
Starsky and Hutch

Dirigido por Todd Phillips. Com: Ben Stiller, Owen Wilson, Vince Vaughn, Snoop Dogg, Fred Williamson, Juliette Lewis, Amy Smart, Carmen Electra, Chris Penn, Will Ferrell.

Qualquer um que observe a ótima dinâmica entre Ben Stiller e Owen Wilson será capaz de jurar que os dois atores se conhecem desde a juventude e que sempre foram grandes amigos. Pois a verdade é que a amizade surgiu há relativamente pouco tempo, em 1996, quando Stiller assistiu a Pura Adrenalina, estréia de Wilson no cinema, e enviou a este um bilhete parabenizando-o pelo filme e convidando-o a participar de O Pentelho, que iria dirigir em breve (Wilson fez uma pequena ponta como o sujeito que é espancado por Jim Carrey no banheiro de um restaurante). Desde então, a dupla colaborou em cinco outros longas-metragens, incluindo este recente Starsky & Hutch, cujo principal atrativo é justamente a enorme química entre os dois atores.

Baseado na série de tevê homônima produzida nos Estados Unidos entre 1975 e 1979, o filme traz Stiller e Wilson como os personagens-título: dois policiais de temperamentos completamente diferentes que se tornam parceiros e percorrem as ruas da fictícia Bay City em seu Ford Gran Torino vermelho, sempre em busca de criminosos. Quando passam a investigar um assassinato, Starsky e Hutch se deparam com indícios de que um novo tipo de cocaína, não detectável pelos cães farejadores da polícia, está prestes a invadir o submundo – e logo desconfiam que o responsável é o milionário Reese Feldman (Vince Vaughn), que, infelizmente para os detetives, possui grande prestígio na alta sociedade, o que certamente fará com que os heróis sejam constantemente repreendidos por seu chefe.

Ao contrário de outras adaptações de séries de tevê, como Dragnet, As Panteras e Missão: Impossível, o novo Starsky & Hutch não recebeu roupagem atual, já que os roteiristas John O’Brien, Scot Armstrong e Todd Phillips optaram por manter a história na década de 70 – não apenas por uma questão de `coerência` com o original, mas também como forma de explorar o potencial humorístico do inconfundível estilo daquele período. Assim, vemos Starsky fazendo cooper enquanto ouve músicas através de um imenso walkman e, é claro, não demora muito tempo até que alguém participe de um `duelo` de dança em uma discoteca. Aliás, até mesmo o vilão Feldman se torna parte ativa da brincadeira quando, ao discutir com um capanga que cometeu um erro, protesta: `Minha permanente custa dinheiro!`.

Dirigindo sua terceira comédia consecutiva depois de iniciar a carreira como documentarista, Todd Phillips procura conferir um estilo claramente inspirado na filmografia dos anos 70 à produção e, assim, abusa dos deselegantes zooms que marcaram vários longas realizados naquele período - além de fazer diversas referências satíricas a obras como O Poderoso Chefão, O Franco-Atirador e Easy Rider – Sem Destino (realizado em 69, mas cuja temática contestadora viria a se popularizar nos anos seguintes). Além disso, a ótima trilha sonora traz vários sucessos da época nas vozes de Johnny Cash, Barry Manilow e dos Jackson 5, conferindo ainda mais charme ao filme. Porém, Phillips não se prende à homenagem pura e simples, desferindo várias alfinetadas na série original, como ao incluir um divertido subtexto homossexual na relação entre Starsky e Hutch.

Escalando vários atores com quem já havia trabalhado anteriormente (o que inclui a irreverente banda que toca em um aniversário e que já havia aparecido no ótimo Dias Incríveis), o cineasta tira proveito das características naturais de seu elenco e, assim, entrega o papel do vilão cínico a Vince Vaughn, conhecido justamente por seus personagens de caráter ambíguo. Da mesma forma, Will Ferrell, que não teme o ridículo e sempre se mostra capaz de qualquer coisa para arrancar uma risada, aparece em uma participação pequena, mas memorável, como um presidiário que tem uma estranha perversão. E o rapper Snoop Dogg, que fizera uma ponta em Dias Incríveis, desta vez assume o papel de um criminoso que se torna parceiro dos heróis – e, surpreendentemente, se revela um ótimo talento cômico. (O filme inclui, também, uma curiosa aparição de Paul Michael Glaser e David Soul, astros da série original.)

Mas a alma de Starsky & Hutch reside mesmo nas atuações de Ben Stiller e Owen Wilson, que se mostram bastante confortáveis ao lado um do outro. E, embora não façam nada de muito diferente do habitual (Wilson é o sujeito tranqüilo e despreocupado, enquanto Stiller é o policial reprimido e nervoso, sempre prestes a explodir), os dois atores conferem energia aos diálogos de seus personagens, como na cena em que Hutch chega atrasado ao trabalho e, ao ouvir a reclamação do parceiro, que o esperava desde às 8 da manhã, protesta: `Oito da manhã? Eu nem sabia que esse lugar abria cedo assim!`.

Não ficarei espantado caso um Starsky & Hutch 2 logo seja anunciado pela Warner, responsável pelo filme. Porém, mesmo que uma continuação não seja produzida, tenho certeza absoluta de que ainda veremos Stiller e Wilson juntos em vários outros projetos. Eles talvez não tenham a mesma `classe` de duplas como Walter Matthau & Jack Lemmon, Bing Crosby & Bob Hope ou Dean Martin & Jerry Lewis, mas certamente já provaram ser capazes de originarem uma franquia baseada não em personagens, mas em suas próprias personalidades.
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17 de Abril de 2004

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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