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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
09/01/2004 24/10/2003 2 / 5 / 5
Distribuidora

Todo Mundo em Pânico 3
Scary Movie 3

Dirigido por David Zucker. Com: Charlie Sheen, Anna Faris, Simon Rex, Camryn Manheim, Anthony Anderson, Regina Hall, George Carlin, Darrell Hammond, Queen Latifah, Eddie Griffin, D.L. Hughley e Leslie Nielsen.

Em meu artigo sobre os `melhores e piores de 2001`, incluí Todo Mundo em Pânico 2 nesta última categoria, ao lado de atrocidades como Jimmy Bolha, Diga Que Não É Verdade, Little Nicky – Um Diabo Diferente e O Dom da Premonição. E como a qualidade das franquias cinematográficas tende a cair rapidamente de um capítulo para outro, chega a ser surpreendente que Todo Mundo em Pânico 3 seja até razoável. Ou melhor: talvez a surpresa não devesse ser tão grande, já que o responsável por esta continuação é o cineasta David Zucker, que, no início da década de 80, praticamente inventou o subgênero `sátira besteirol` ao roteirizar e dirigir Aperte os Cintos... O Piloto Sumiu!, ao lado de seu irmão Jerry Zucker e de Jim Abrahams.

Apostando em um time vencedor, Zucker trouxe para o projeto aquele que se tornou seu Robert De Niro particular (isto é, supondo-se que – na base da paródia - comparemos Zucker a Scorsese): o veterano Leslie Nielsen, que, depois de ter sua carreira ressuscitada (aos 54 anos) justamente por Aperte os Cintos..., tornou-se sinônimo de besteirol ao protagonizar a série Corra que a Polícia Vem Aí e outros projetos similares (Duro de Espiar, O Foragido, Drácula – Morto, Mas Feliz, entre outros). Juntando-se a Nielsen, vêm Charlie Sheen (que estrelou os divertidos Top Gang I e II, outros importantes `filhotes` de Aperte os Cintos...) e Anna Faris, estrela dos dois primeiros Todo Mundo em Pânico. Aliás, sou capaz de apostar que, se estivesse vivo, Lloyd Bridges também apareceria nesta produção, que foi co-escrita por Pat Proft (responsável pelos roteiros de vários projetos citados neste parágrafo). Como é fácil constatar, David Zucker não quis se arriscar.

Infelizmente, o diretor se esqueceu da regra mais importante do sugênero que ajudou a criar: para funcionar da melhor maneira possível, a sátira deve `atacar` suas vítimas (os filmes escolhidos) em seus pontos fracos, ridicularizando-os de tal maneira que, ao assistirmos aos originais, sejamos incapazes de deixar de perceber suas fragilidades. Assim, quando vemos Charlie Sheen (posando de Mel Gibson em Sinais) sair correndo de casa e girar duas ou três vezes sobre si mesmo, percebemos o quão artificiais eram os movimentos coreografados por M. Night Shyamalan naquele filme. Pena que este seja um exemplo isolado, já que, no restante do tempo, Zucker aposta no óbvio, mirando em alvos fáceis (alguns dos quais citarei mais adiante).

Ainda assim, é preciso reconhecer que o diretor acerta mais do que os irmãos Wayans, responsáveis pelos capítulos anteriores: a cena que se passa em um velório, por exemplo, pode partir de uma premissa pouco convincente (um sujeito pensa que a pessoa no caixão está viva), mas Zucker investe tanto na piada, tornando a situação tão absurda, que acaba arrancando algumas boas risadas. Da mesma forma, ele demonstra inspiração ao utilizar um recurso narrativo clássico para criar uma gag que merece créditos por ser original, algo difícil neste tipo de produção (no caso, um personagem se assusta com o efeito sonoro que, para tornar a transição entre cenas mais fluida, é antecipado da seqüência seguinte). Outro bom momento é aquele em que Cindy Campbell (Faris) realiza uma pesquisa na Internet e vemos, talvez pela primeira vez em um filme, o aborrecimento causado pelos insuportáveis pop-ups.

Por outro lado, Todo Mundo em Pânico 3 comete os mesmos erros de seus antecessores e gasta boa parte da história (Hein? História?) com a simples recriação de seqüências tiradas de filmes como 8 Mile – Rua das Ilusões e O Chamado, acreditando que estas se tornarão engraçadas simplesmente por se encontrarem fora de contexto. E de que adianta tentar fazer graça com o estilo formal do Oráculo ou com a verborragia do Arquiteto (ambos de Matrix Reloaded), se estes já se tornaram praticamente caricaturas de si mesmos?

Para piorar, o longa ainda traz o aborrecido Anthony Anderson, que, depois de surgir em Eu, Eu Mesmo & Irene, conseguiu convencer alguns executivos de Hollywood de que é engraçado e, com isso, ganhou a chance de torturar os espectadores em bombas como Canguru Jack e Contra o Tempo. Em contrapartida, confesso que gostei do pequeno Drew Mikusha, que passa todo o filme sendo atingido por carros, martelos e bastões de baseball – mas é possível que esta reação seja fruto de uma brincadeira que fiz: todas as vezes em que o garoto se machucava, eu imaginava que ele era o insuportável menino de Acquária, o que me deixava um pouco mais feliz (estou me referindo ao personagem, obviamente, e não ao ator que o interpretava).

Mas a principal pergunta que você deve estar se fazendo é: afinal, Todo Mundo em Pânico 3 consegue fazer rir? A resposta: como conta com cerca de 10 piadas por minuto, seria impossível que este filme não provocasse o riso em algum momento. É claro que algumas gags funcionam, mas numa razão de cerca de 30%, eu diria (numa estimativa benevolente). Portanto, talvez esta produção valha o preço do ingresso – isto é, caso você consiga 70% de desconto.
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9 de Janeiro de 2004

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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