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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
01/11/2001 13/07/2001 3 / 5 3 / 5
Distribuidora

Legalmente Loira
Legally Blonde

Dirigido por Robert Luketic. Com: Reese Witherspoon, Luke Wilson, Selma Blair, Matthew Davis, Jennifer Coolidge, Ali Larter, Holland Taylor, Jessica Cauffiel, Alanna Ubach, Oz Perkins e Raquel Welch.

Legalmente Loira é o exemplo perfeito de um filme salvo da mediocridade graças ao carisma e ao talento de sua protagonista. Caso tivesse sido estrelada por alguma medíocre atriz `da moda`, como Shannon Elizabeth ou Tara Reid, esta comédia certamente mereceria ser completamente ignorada pelo público.

Dirigido pelo estreante Robert Luketic, Legalmente Loira traz Reese Witherspoon no papel de Elle Woods, uma garota fútil que se tornou popular entre suas companheiras de Irmandade em função de seus conselhos sobre roupas e penteados. Recém-formada em Moda (algo que eu jamais poderia supor, já que ela segue o estereótipo da `perua` brasileira), Elle empolga-se ao imaginar que seu namorado, Warner (Davis), está prestes a pedi-la em casamento. Infelizmente, a intenção do rapaz é justamente terminar o relacionamento, já que, planejando tornar-se Senador antes dos 30 anos, ele percebe que sua futura esposa deverá seguir o `padrão de Jackie Kennedy, e não o de Marilyn Monroe`. Arrasada, Elle decide seguir Warner até Harvard e freqüentar o curso de Direito até reconquistá-lo. Como você já pode imaginar, o estilo da garota logo atrai a atenção dos alunos (e professores) da instituição.

Ao contrário do que acontece em As Patricinhas de Beverly Hills, que acaba conquistando o espectador graças (entre outras coisas) ao seu roteiro afinado, Legalmente Loira conta com uma trama previsível e repleta de clichês: assim, quando Elle conhece certo personagem, o público já sabe exatamente como o envolvimento entre os dois se desenvolverá, já que assistiu a este tipo de filme inúmeras vezes. Além disso, as roteiristas Karen McCullah Lutz e Kirsten Smith (10 Coisas Que Eu Odeio em Você) chegam mesmo a reciclar piadas de outras produções, como o incidente (envolvendo uma fantasia de `coelhinha`) idêntico àquele visto em O Diário de Bridget Jones. Como se não bastasse, a inexperiência do diretor acaba resultando em momentos embaraçosamente ruins, como a ridícula cena em que a protagonista ensina um grupo de mulheres a inclinar de maneira sedutora.

Por sorte, o filme conta com uma vigorosa atuação de Witherspoon, atriz que passei a admirar desde o excelente Eleição. Empregando todo o seu carisma, a moça consegue a proeza de transformar uma personagem particularmente irritante em uma heroína cuja futilidade acaba se tornando um charme adicional. Aliás, devo confessar que nos primeiros trinta minutos de projeção minhas simpatias pendiam para o lado daqueles que hostilizavam Elle. Curiosamente, ao longo da história fui afeiçoando-me à moça e passei até mesmo a achar graça de seus badulaques, como o caderno em formato de coração e a sacola `porta-cachorro`.

É claro que parte da responsabilidade por este fenômeno cabe, também, à caracterização estereotipada do restante do elenco: excetuando-se Elle e seu amigo Emmett (Wilson), todos os personagens de Legalmente Loira são retratados como figuras essencialmente aborrecidas, presunçosas e/ou perturbadas – o que nos deixa, como única opção, a identificação com a heroína. O advogado interpretado pelo ótimo Victor Garber, por exemplo, toma determinadas atitudes que contradizem radicalmente sua reputação de sucesso (assediar estudantes de Direito não é uma postura muito inteligente). Já a veterana Raquel Welch é desperdiçada em uma ponta sem graça como a ex-esposa de um milionário assassinado.

Aliás, sem revelar muito, devo dizer que o julgamento visto no ato final do filme é interessante, mas pouco convincente (é difícil acreditar que alguém colocaria a própria vida em risco apenas para ajudar uma jovem a recuperar sua auto-estima). Porém, é preciso admitir que Witherspoon quase nos faz ignorar o absurdo da situação proposta pelo roteiro.

Mesmo sem provocar grandes gargalhadas, Legalmente Loira é um passatempo divertido e descompromissado. Você pode até sair do cinema com a impressão de que o filme poderia ter sido melhor (e poderia!), mas dificilmente se arrependerá de tê-lo assistido.
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7 de Novembro de 2001

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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