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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
28/01/2005 22/12/2004 2 / 5 / 5
Distribuidora

Entrando Numa Fria Maior Ainda
Meet the Fockers

Dirigido por Jay Roach. Com: Ben Stiller, Robert De Niro, Dustin Hoffman, Barbra Streisand, Blythe Danner, Teri Polo, Alanna Ubach, Ray Santiago, Tim Blake Nelson, Owen Wilson.

(Atenção: salte este parágrafo caso não tenha assistido ao filme original.) Em Entrando Numa Fria, o enfermeiro Gaylord (perdão: Greg) Focker viaja para passar um fim-de-semana na casa de seus futuros sogros a fim de conhecê-los. Humilhado pelo pai de sua namorada, um ex-agente da CIA, ele é obrigado a escutar piadinhas sobre seu sobrenome e sua profissão e protagoniza vários momentos embaraçosos: participa de uma conversa constrangedora durante seu primeiro jantar com a família; comete uma terrível gafe envolvendo restos humanos (cinzas de uma velhinha; fere alguém durante um jogo em família; passa por um teste detector de mentiras; testemunha uma confusão provocada pela descarga do vaso sanitário; e, finalmente, é acusado pelo sogro, que usa investigadores de sua antiga agência, de esconder algo sobre seu passado (suas verdadeiras notas acadêmicas) – até que, finalmente, decide não aceitar mais abusos.

(Atenção: salte este parágrafo caso não tenha assistido a esta continuação.) Em Entrando Numa Fria Maior Ainda, o enfermeiro Gaylord Focker (perdão: Greg) viaja para passar um fim-de-semana na casa de seus pais e apresentá-los aos seus sogros. Humilhado pelo pai de sua namorada, um ex-agente da CIA, ele é obrigado a escutar piadinhas sobre seu sobrenome e sua profissão e protagoniza vários momentos embaraçosos: participa de uma conversa constrangedora durante seu primeiro jantar com as famílias reunidas; comete uma terrível gafe envolvendo restos humanos (seu prepúcio; vê alguém ser ferido durante um jogo em família; é injetado com o soro da verdade; testemunha uma confusão provocada pela descarga do vaso sanitário; e, finalmente, é acusado pelo sogro, que usa investigadores de sua antiga agência, de esconder algo sobre seu passado (um filho) – até que, finalmente, decide não aceitar mais abusos.

(Ok, pode ler agora, mesmo que não tenha visto nenhum dos filmes.) Como podem ver, Entrando Numa Fria Maior Ainda parece mais uma refilmagem do que uma continuação, mas isto não representa surpresa alguma: a maior parte das seqüências produzidas em Hollywood se limita a recriar os melhores momentos dos longas originais. O que espanta, neste caso, é que a `Parte 2` seja tão sem graça, considerando-se que Entrando Numa Fria revelou-se como uma das melhores comédias de situação dos últimos anos, explorando com perfeição as personas cinematográficas de Ben Stiller (o judeu retraído que é submetido a todo tipo de humilhações) e Robert De Niro (o sujeito durão capaz de meter medo em qualquer um). Pois, se antes Gaylord e Jack eram figuras bem delineadas que fugiam (por pouco, admito) da caricatura, agora os dois se entregam de vez ao burlesco: enquanto o primeiro atravessa todo o filme com uma expressão angustiada e tensa, o segundo jamais deixa de parecer disposto a tudo para recriminar o futuro genro.

Ora, Gaylord (desculpem-me: Greg) não ganhara auto-confiança no final do filme original, decidindo enfrentar Jack? E este não concordara em ser menos exigente, chegando a ponto de brincar com o fato de que os pais de Greg teriam que ser `pessoas muito interessantes para batizá-lo de Gaylord Focker`? Então por que o rapaz volta a agir como uma criança intimidada, e Jack, como um brutamontes insensível? A resposta é simples: porque foi isto que fez o primeiro longa funcionar. Desta vez, no entanto, os roteiristas James Herzfeld e John Hamburg (os mesmos do anterior), cientes de que já haviam esgotado todo o material de que dispunham, apelam para alguns dos clichês mais irritantes do gênero: piadas envolvendo gases (a primeira surge com menos de cinco minutos de projeção) e bebês (o número de planos retratando as `reações` do neto de Jack é irritantemente alto).

E isto é uma pena, porque, a princípio, Entrando Numa Fria Maior Ainda poderia ter sido tão divertido quanto o original, já que os personagens se prestam muitíssimo bem à comédia – em especial, os dois casais de veteranos. Contrapondo-se à rigidez e ao conservadorismo moral e político de Jack, vêm o liberalismo e os modos calorosos de Bernie, interpretado por Dustin Hoffman. Pai extremamente amoroso e compreensivo, Bernie faz de tudo para atender aos aborrecidos pedidos do filho, cuja insegurança parece incompatível com a maneira com que certamente foi criado. E, mesmo que a terapeuta sexual vivida por Barbra Streisand seja pouco explorada pelo filme (assim como Dina, esposa de Jack e encarnada por Blythe Danner), os conflitos entre os dois homens já seriam suficientes para garantir boas risadas.

Mas não garantem. Chega a ser curioso: é prazeroso ver Hoffman e De Niro tão relaxados em cena, aparentemente divertindo-se a valer com a chance de contracenarem mais uma vez em suas brilhantes carreiras (depois dos medianos Sleepers – Vingança Adormecida e Mera Coincidência), mas o fato é que a ótima interação dos dois não resulta em risos. Para que isto ocorresse, faltaram um bom roteiro e uma direção mais inspirada de Jay Roach, que normalmente se mostra bem mais eficiente do que demonstra aqui. Por que, por exemplo, ele prepara a piadinha envolvendo o seio postiço usado pelo personagem de De Niro se jamais vai até o fim e exibe o ator amamentando o neto – uma imagem que, por si só, poderia provocar gargalhadas?

E mais: é, no mínimo, uma grande covardia apresentar o jovem Jorge Villalobos (Santiago) como um quase-clone de Greg (uma gag visual ótima) para, depois, inventar um suposto jogador de baseball – também idêntico a Stiller - que seria seu verdadeiro pai. E o que dizer da mudança absurdamente artificial sofrida por Jack nos momentos finais da projeção? Seria tão terrível assim manter-se fiel à personalidade do personagem e exibir um pouco de coerência depois de tantos tropeços?

Entrando Numa Fria Maior Ainda tem ótimos personagens, é verdade, mas é um filme medíocre e nada engraçado. Representa, portanto, um desperdício de talento para seu elenco e de tempo (e dinheiro) para os espectadores que se aventurarem a conferi-lo nos cinemas. A pergunta é: você quer transformar o título brasileiro desta produção em realidade?
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27 de Janeiro de 2005

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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