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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
17/05/2002 01/01/1970 2 / 5 / 5
Distribuidora
Duração do filme
82 minuto(s)

Jimmy Neutron: O Menino Gênio
Jimmy Neutron: Boy Genius

Dirigido por John A. Davis. Com as vozes de Debi Derryberry, Megan Cavanagh, Martin Short, Patrick Stewart, Rob Paulsen e Jim Cummings.

É lamentável que, logo em sua estréia, a categoria Melhor Longa de Animação (que será introduzida na 74ª edição do Oscar) conte com um representante tão fraco entre seus finalistas. Em um ano marcado por boas produções do gênero, como o elogiado Waking Life e o visualmente arrebatador Final Fantasy, a Academia conseguiu a proeza de eleger um projeto apenas regular (o que se torna ainda mais óbvio quando analisamos seus concorrentes, os excepcionais Shrek e Monstros S.A.).

Divulgado como sendo o primeiro longa-metragem de animação computadorizada produzido pela Nickelodeon, Jimmy Neutron: O Menino Gênio conta a história de um garoto brilhante que, apesar de suas fabulosas invenções, jamais consegue se tornar popular entre seus colegas de classe, que o julgam um nerd. Certo dia, Jimmy (ao lado do amigo Carl e de seu cachorro-robô Goddard) lança no espaço um satélite confeccionado a partir de uma torradeira e acaba atraindo a atenção de uma perigosa raça alienígena. Interessados na aparência dos pais do menino, que parecem bastante apetitosos, as criaturas abduzem todos os adultos da cidade. A princípio, as crianças aproveitam a liberdade recém-conquistada, mas logo percebem que não conseguem ficar sem a supervisão de seus pais (`O número de dodóis atingiu níveis epidêmicos!`, informa uma pequena repórter). É então que Jimmy bola um arriscado plano de resgate e lidera seus amigos em uma viagem intergaláctica.

Apesar da trama engraçadinha, Jimmy Neutron falha em dois aspectos importantes: em seu roteiro (co-escrito por Steven Oedekerk, de O Professor Aloprado) e na qualidade de sua animação. Redigido por nada menos do que quatro pessoas (o que sempre é um mau sinal), o roteiro peca pela falta de originalidade, já que recicla a velha história da `criança-ressentida-com-os-pais-que-posteriormente-descobre-a-importância-da-família`, algo que já foi utilizado à exaustão em filmes ótimos (como Pinóquio), simplesmente divertidos (como Os Heróis Não Têm Idade e Esqueceram de Mim) ou apenas medíocres (como O Anjo da Guarda). Contando com piadinhas ingênuas e sem nenhuma graça (e que são pioradas pela péssima dublagem), Jimmy Neutron jamais consegue fazer algo de novo com o material, que soa desgastado e previsível.

Já a animação, que há alguns anos seria considerada excepcional, decepciona por jamais atingir os níveis de excelência alcançados pelos projetos mais recentes lançados pela PDI e pela Pixar. Em seu aspecto técnico, o filme não chega a ser constrangedor, mas certamente denuncia o atraso tecnológico da Nickelodeon em relação às duas outras grandes empresas do setor: seus personagens possuem uma aparência `crua`, angulosa; e a direção de arte não oferece ambientes que se equiparem ao depósito de portas de Monstros S.A., ao setor de bagagens de Toy Story 2 ou à floresta de Shrek. Aliás, até mesmo o quarto de Jimmy é pobremente mobiliado, não apresentando a riqueza de detalhes do quarto do garotinho Andy, da série Toy Story.

Por outro lado, algumas das idéias presentes em Jimmy Neutron funcionam razoavelmente bem: particularmente, gostei muito do design das naves espaciais pilotadas pelas crianças (o Octo-Vômito, em especial; me diverti com a cena do acampamento no asteróide; e ri muito das tiradas de Carl, o melhor amigo de Jimmy. Infelizmente, estes pequenos momentos de inspiração não são o bastante para transformar o filme em algo mais do que um passatempo inocente.

Desta forma, volto a questionar os motivos que levaram os membros da Academia a votarem nesta produção como sendo uma das três melhores animações de longa-metragem de 2001. Final Fantasy também não possuía um roteiro muito inspirado, é verdade, mas sua importância para a história do cinema é inquestionável, já que foi o primeiro filme a tentar simular, com grande grau de realismo, a aparência de atores humanos. Será que pesou na escolha o fato de Jimmy Neutron ter se saído bem nas bilheterias, enquanto Final Fantasy resultou em um prejuízo colossal? Será que a Academia analisa o sucesso comercial no momento das indicações? Será que um bicho de maçã pode ser cavalgado como um touro selvagem?

Caso você não tenha assistido a Jimmy Neutron: O Menino Gênio, a resposta para todas estas perguntas é um sonoro `sim`.
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18 de Março de 2002

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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