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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
26/10/2001 24/08/2001 1 / 5 / 5
Distribuidora

Jimmy Bolha
Bubble Boy

Dirigido por Blair Hayes. Com: Jake Gyllenhaal, Marley Shelton, Verne Troyer, Swoosie Kurtz, John Carroll Lynch e Danny Trejo.

Em 1977, o jovem John Travolta realizou um trabalho memorável em um filme feito para a TV americana que contava a história real de um rapaz que, por ter nascido sem um sistema imunológico eficiente, era obrigado a viver no interior de uma `bolha` de plástico (o título da produção era justamente O Garoto na Bolha de Plástico). Agora, 24 anos depois, o diretor estreante Blair Hayes julgou que seria interessante utilizar esta premissa em um road movie cômico. Ele deveria ter pensado melhor.

Escrito pelos também estreantes Cinco Paul e Ken Daurio, Jimmy Bolha gira em torno de um rapaz que, depois de ter passado toda a sua vida em um quarto isolado do mundo por paredes de plástico (em função de sua doença congênita), resolve partir em uma viagem de três dias para tentar impedir que a garota de seus sonhos se case com outro homem. Para isso, ele constrói uma bolha `portátil` e foge de casa, aproveitando a jornada para ver o mundo pela primeira vez. Ao longo do caminho, ele se envolve com uma seita que o identifica como `O Escolhido` (e que insiste em tirá-lo da bolha; torna-se amigo de uma gangue de motoqueiros; liberta os integrantes de um circo de aberrações; participa de uma luta de mulheres na lama; e assim por diante. É claro que, em certo momento do filme, o garoto passa a ser perseguido por praticamente todos estes personagens – e também por seus próprio pais (vividos por Swoosie Kurtz e John Carroll Lynch, que parodia seu próprio desempenho em Fargo).

Infelizmente, o ritmo acelerado da história não consegue ocultar o fato de que, na verdade, Jimmy Bolha é um filme de uma só piada – e depois que nos acostumamos à curiosa visão do garoto em sua bolha, esta piada se desgasta (por mais que ele caia, quique e role). Como isso acontece já nos dez primeiros de projeção, é fácil imaginar que os demais 70 minutos se tornam uma verdadeira tortura para o espectador. Cientes da fragilidade de seu material, os roteiristas até procuram manter o interesse da platéia através da utilização de uma galeria de personagens realmente bizarros – porém, este recurso também acaba prejudicando o filme ao mostrar Jimmy interagindo com pessoas muito mais estranhas do que ele, o que elimina ainda mais o humor de sua situação (ao contrário do que talvez ocorresse caso o víssemos inserido em um universo mais real, o que poderia gerar algumas gags divertidas. Os irmãos Farrelly, por exemplo, fariam uma festa com a idéia).

Por outro lado, o roteiro consegue arrancar algumas poucas risadas nas cenas protagonizadas pela mãe de Jimmy: fanática religiosa, ela insiste em preparar tira-gostos em formato de símbolos cristãos e acrescenta terríveis tragédias ao final das histórias que lê para o garoto, a fim de inibi-lo de se aventurar pelo mundo (`... E então o príncipe saiu da bolha e morreu. Fim`). Além disso, ela tem outros bons momentos ao lado de Verne Troyer (o diminuto Mini-Me de Austin Powers: O Agente Bond Cama). Aliás, Troyer interpreta o único personagem consistentemente engraçado do filme – e é uma pena, portanto, que apareça tão pouco.

A triste verdade é que o personagem-título desta `comédia` não é apenas sem graça, mas também chato. Seu hábito de ficar repetindo o propósito de sua viagem, por exemplo, acaba tornando-se extremamente irritante (este equívoco também foi cometido por Kevin Smith em O Império do Besteirol Contra-Ataca, no qual Jay explica sua `missão` diversas vezes ao longo da projeção). Como se não bastasse, o ator Jake Gyllenhaal resolve enfatizar a natureza bondosa do personagem através de um recurso igualmente aborrecido: em vários momentos, Jimmy ri como um idiota ao se deparar com algo que não compreende. Insuportável.

Para ser totalmente honesto, confesso que não sou particularmente fã de produções protagonizadas apenas por tipos caricaturais, bizarros. O fato é que transformar histórias assim em filmes interessantes é algo que exige o toque de um diretor competente, como Terry Gilliam (ver Brazil e as comédias do Monty Python; Stanley Kubrick (ver Doutor Fantástico; ou os irmãos Coen (ver Barton Fink e E Aí, Meu Irmão, Cade Você?). Como você pode deduzir, o estreante Blair Hayes não corresponde a este perfil e, assim, limita-se a fazer com que seus atores gritem durante todo o filme, como se a qualidade dos diálogos pudesse melhorar em volumes mais altos. Não melhora (ao contrário: torna tudo ainda pior).

Apesar de tudo, Jimmy Bolha tem, ao menos, um aspecto positivo: sua trilha sonora. Aliás, o melhor conselho que posso dar nestas circunstâncias é: em vez de assistir ao filme, compre apenas o CD de sua trilha. Assim, a experiência de escutar estas músicas não será prejudicada pelas lembranças dos terríveis momentos vividos na sala de projeção.
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21 de Outubro de 2001

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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