
Os "filmes de Natal" contam, em sua maioria, historinhas bonitinhas, agradáveis... e iguais. É sempre a mesma coisa: um(a) garotinho(a) que não acredita em Papai Noel (geralmente o pai ou mãe se encarregou de destruir cruelmente todas as crenças do(a) menino(a)) vive uma série de aventuras, conhece o bom velhinho pessoalmente e passa (juntamente com todos os personagens do filme) a acreditar. Meu Papai É Noel não é diferente em nenhum desses aspectos. E, ao mesmo tempo, é. Os roteiristas Leo Benvenuti e Steve Rudnick conseguiram, na verdade, uma proeza: encontrar um novo ângulo para contar uma velha história.
Os pais do garotinho Charlie (Lloyd) são divorciados, e sua mãe se casou novamente. Seu padrasto, o psiquiatra Neal (Reinhold) se encarrega de contar para o enteado toda a triste verdade sobre a lenda de Papai Noel. O pai de Charlie, Scott Calvin (Allen), não gosta nada disso, e diz para o filho que Noel existe, sim. Muito bem: na noite de Natal, Charlie vai - contra sua vontade - dormir na casa do pai. De madrugada, entretanto, pai e filho acordam com um "súbito estrondo" no teto. Calvin vai ver o que é, e acaba fazendo com que Papai Noel caia do telhado. Dentro da roupa do velhinho, um cartão: "Se algo acontecer comigo, vista minha roupa e entre no trenó. As renas saberão o que fazer".
A partir daí, Calvin é levado a assumir o papel do antigo Papai Noel e, para sua surpresa, engorda rapidamente, fica grisalho e sua barba começa a crescer em um ritmo assustador - ele está realmente se transformando em vocês-sabem-quem!!! O grande problema é que Charlie conta para todo mundo o que aconteceu na noite de Natal, e sua mãe passa a julgar o ex-marido uma péssima influência para o filho, já que o menino aparentemente está vivendo no mundo da lua.
Mas paro por aqui. Não que haja algum risco de estragar a surpresa de quem não viu o filme: não há surpresa alguma a ser revelada. Todo mundo sabe, desde o princípio, como o filme vai terminar. Mas o caminho até o fim é divertidíssimo. Os diálogos são de uma inteligência difícil de encontrar nos atuais filmes dirigidos ao público infantil (excetuando-se os desenhos da Disney, que, aliás, produziu este filme). Há uma engraçada referência, por exemplo, aos filmes de James Bond: uma pequena elfo prepara um chocolate quente para o novo Papai Noel. Quando este elogia o gosto da bebida, ela conta seu segredo: "O chocolate tem que ser batido, não misturado" - assim como os drinques de 007.
Outro ponto alto do filme é a transformação gradual vivida por Calvin até se tornar definitivamente o Papai Noel, que Tim Allen vive perfeitamente. É claro que a maquiagem é de primeira qualidade, assim como os efeitos visuais. As renas, então, são uma atração à parte. Há, obviamente, as inevitáveis piadinhas sobre gases, sempre tão comuns em filmes infantis (e as crianças realmente adoram), mas temos que dar um desconto - afinal, Meu Papai É Noel é um filme infantil.
Os elfos (ajudantes do Papai Noel) são fabulosos, e protagonizam vários dos melhores momentos da história, como, por exemplo, quando um tal `Esquadrão de Vôo Elfo` parte com a missão de resgatar Calvin, que havia sido preso. As cenas que mostram como o rechonchudo velhinho entra por estreitas chaminés também merecem destaque.

22 de Janeiro de 1997

Papai Noel sofre um acidente em casa de vendedor de brinquedos. Ao ajudar Noel, ele acava transformando-se no próprio Papai Noel.