Seja bem-vindx!
Acessar - Registrar

Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
05/06/1998 30/01/1998 3 / 5 / 5
Distribuidora

Medidas Desesperadas
Desperate Measures

Dirigido por Barbet Schroeder. Com : Andy Garcia, Michael Keaton, Marcia Gay Harden, Brian Cox, Joseph Cross, Erik King, Efrain Figueroa e Janel Maloney.

É uma pena que Medidas Desesperadas seja um filme de ação. A premissa do filme é tão forte e bem armada que, com certeza, poderia ter gerado uma história muito mais dramática e complexa.

Vejam só: Frank Conner (Andy Garcia) é um pai cujo filho está morrendo de leucemia. A única possível salvação para o garoto é um transplante de medula óssea, mas Conner não consegue achar um doador compatível. É então que, depois de se infiltrar na rede de computadores de uma agência governamental, ele descobre um possível doador: Peter McCabe (Keaton), um presidiário responsável pelo brutal assassinato de várias pessoas.

Porém, McCabe é um homem cruel, que se diverte com a situação: `Veja que ironia: depois de todos estes anos preso, me oferecem a chance de matar novamente - e, ainda por cima, o filho de um policial! E tudo o que preciso fazer é ficar aqui.`. No entanto, ele acaba aceitando doar sua medula óssea. O que ele quer, na verdade, é uma oportunidade para fugir. Como ele consegue escapar é um dos pontos fracos do filme. Apesar do roteiro nos mostrar o que McCabe faz para fugir, o artifício não é muito convincente. Mas deixemos esta questão de lado: isso não importa muito para o desenrolar da história.

O interessante é a encruzilhada na qual Frank Conner se encontra, agora: ele tem que prender McCabe antes que seja tarde demais para seu filho e, ao mesmo tempo, deve proteger o bandido, já que sua morte impossibilitaria o transplante. É este o ponto que deveria ter sido desenvolvido pelo roteiro. No entando, David Klass optou por escrever uma história de ação. Uma pena.

Mesmo assim, as melhores cenas são aquelas em que Conner se esforça para proteger McCabe, chegando mesmo a entrar na linha de fogo entre o bandido e a polícia. McCabe, por sua vez, sabe que não deve ferir Conner, pois este está, mesmo contra sua vontade, do seu lado.

Andy Garcia tem uma bela atuação como o policial determinado a salvar a vida do filho. Suas cenas com o garoto e com a médica deste são muito boas. Ele mostra uma vulnerabilidade que torna seu personagem mais real e convincente. Infelizmente, porém, o garoto escolhido para interpretar o filho de Conner é muito fraco e inexpressivo. Além disso, o roteiro só lhe oferece diálogos artificiais: o menino diz coisas que não condizem com sua idade e, ainda por cima, o faz nas horas mais impróprias. Há uma cena realmente péssima em que a criança conversa com o pai através de um rádio e que foi visivelmente inspirada na relação mantida por rádio entre John McLane e o Sargento Al Powell, no filme Duro de Matar.

Michael Keaton, como o terrível Peter McCabe, também está bem. Apesar da insistência com que o roteiro trata seu personagem como um estereótipo de vilão de filmes de ação, Keaton consegue superar o material que lhe é oferecido e confere um certo `mistério` ao bandido. Há uma cena, por exemplo, em que McCabe diz sobre o personagem de Andy Garcia: `No início eu duvidei, mas agora sei que ele realmente ama aquele garoto.` Apesar do diálogo óbvio e sem inspiração, Keaton consegue evitar que a cena soe ridícula e, além disso, confere um toque de humanidade ao seu personagem.

A direção de Barbet Schroeder é boa, principalmente nos momentos que envolvem mais o conflito entre os personagens do que a ação, propriamente dita. Aliás, nada mais natural se considerarmos que Schroeder dirigiu o ótimo O Reverso da Fortuna, no qual toda a história girava em torno do caráter do personagem principal, brilhantemente interpretado por Jeremy Irons. Não que as cenas de ação de Medidas Desesperadas não sejam boas - são, sim. No entanto, em uma época repleta de bons filmes de ação (como a série Duro de Matar e A Rocha), este filme fica um pouco a dever neste quesito.

Há um momento em que alguém pergunta para o personagem de Andy Garcia: `Quantas pessoas deverão morrer para que seu filho sobreviva?` Se o filme tivesse tentado responder a esta questão com mais seriedade, esta poderia ter sido uma das produções mais fortes do ano. Acabou sendo apenas um filme mediano.
``

7 de Junho de 1998

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

Para dar uma nota para este filme, você precisa estar logado!