Justiça Vermelha
Dirigido por Jon Avnet. Com: Richard Gere, Bai Ling, Bradley Whitford, Byron Mann, Peter Donat, Robert Stanton, Tsai Chin, James Hong, Roger Yuan e Tzi Ma.
Quando soube que Richard Gere iria fazer um filme que se passava na China, a primeira certeza que tive foi a de que aquele não seria um projeto muito favorável aos chineses. Afinal, Gere é conhecido como um crítico da política daquele país quanto ao Tibet, onde fixou residência (física e espiritual) há vários anos.
Em Justiça Vermelha (um título altamente preconceituoso, como constatamos depois de ver este filme), ele interpreta Jack Moore, um advogado que viaja até a China para ajudar o grupo a que pertence a fechar um contrato com o Departamento de Cinema, Filmes e Televisão do governo Chinês. Moore parece convencer os chineses de que tem o melhor a oferecer e, com isso, deixa seu próprio grupo satisfeito com seus serviços, já que o contrato está praticamente fechado. Naquela noite, ele conhece uma bela modelo e a leva para seu hotel. Na manhã seguinte, ele é acordado pela polícia e descobre que está completamente sujo de sangue - e sua acompanhante, morta. Agora, ele tem que enfrentar a `justiça` daquele país, onde as execuções são feitas no máximo uma semana depois da sentença, `e o preço da bala usada na execução, cobrado de sua família`.
As primeiras cenas no tribunal, quando percebemos como vai ser difícil para Moore aquele julgamento, são muito boas e eficientes. Ele não consegue entender o que é dito e, em vários momentos, o som de seu fone-de-ouvido (através do qual ele ouve a tradução simultânea do que está sendo dito) é cortado, dificultando ainda mais sua defesa. É claro que há interesses obscuros por trás daquilo tudo, e isso não é surpresa para o público. Aliás, é justamente a obviedade do filme que torna tudo tão monótono, além de tudo.
O roteiro, de Robert King, mostra uma incompetência tão grande ao tratar da história, que é realmente surpreendente que ele tenha conseguido vendê-lo a alguém. Só a título de comparação: King `cometeu` um outro roteiro, recentemente, chamado A Ilha da Garganta Cortada.
Antes de mais nada, o começo do filme estraga toda e qualquer surpresa que porventura pudéssemos ter ao longo da projeção, como já comentado anteriormente. Além disso, a história é irremediavelmente comprometida quando Gere e sua advogada (Bai Ling) começam a se `importar` um com o outro, numa cena forçada e implausível. Na verdade, sou capaz de apontar até mesmo a cena em que o filme se perde de vez: é aquela em que Gere chega na casa da advogada, para estudarem seu caso, e começa a tocar piano com as mãos algemadas. É ali que eles passam a se olhar de um modo `diferente`.
E por que isso é tão grave? O que há de mais em um envolvimento amoroso entre os dois? O problema é que este `envolvimento` não convence, é mal desenvolvido e, o que é pior, acaba recebendo uma atenção maior do que a que merecia do roteiro. Pois a partir daí somos obrigados a ficar assistindo Gere e Ling discutindo uma série de assuntos sem importância para a história e que só servem para `pregar` uma verdade cômoda para os cineastas: a de que a China é um país onde a justiça se entrega à corrupção e aos interesses maiores, ao passo de que os americanos, apesar de alguns defeitos menores, deveriam servir como exemplo para o Oriente. Se a intenção era criticar o modo de vida oriental, que pelo menos a história usada para este fim fosse contada de uma forma mais interessante, como em Chuva Negra e Sol Nascente (dois filmes altamente preconceituosos, mas que funcionam bem como entretenimento).
Para completar, a resolução do filme é extremamente insatisfatória, chegando mesmo a ser ridícula. A forma como a `verdade` é descoberta é tão forçada que incomoda. Além disso, a cena final tenta roubar um pouco de Casablanca, onde um personagem é deixado em um país regido por interesses obscuros enquanto o outro vai de encontro a um futuro melhor. Até mesmo os enquadramentos de Avnet sugerem esta `comparação` - que também não é bem sucedida, como o restante do filme.
Aliás, a direção de Avnet, apesar de eficaz nos poucos momentos de ação e/ou tensão (onde o filme mostra um pouco do que poderia ter sido, se não tivesse a pretensão de ser mais do que um suspense ou um drama de tribunal), falha ao permitir que o ritmo da narrativa oscile perigosamente, de situações explosivas para outras em que somos obrigados a ver os personagens discursando.
Já a trilha composta por Thomas Newman é eficiente e, em grande parte, a responsável pelo clima de tensão do filme. Teria sido melhor aproveitada em outra produção, com certeza. Bem como nosso dinheiro. 
16 de Maio de 1998

Um empresário vai para China como representante de sua companhia, mas acaba se envolvendo em um crime.