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Os Imperdoáveis

★★★★☆4/5 estrelas
12 min

Dirigido por Clint Eastwood. Com: Clint Eastwood, Gene Hackman, Morgan Freeman, Richard Harris, Jaimz Woolvett, Saul Rubinek, Frances Fisher, Anna Thomson e Anthony James.

Clint Eastwood teve bons professores. Entre eles, Sergio Leone e Don Siegel, diretores freqüentes em sua carreira. O resultado de seu aprendizado se vê em Os Imperdoáveis, um de seus melhores desempenhos como ator e diretor.

Já era patente que Eastwood seria um grande diretor. Sua estréia na direção, com Perversa Paixão (Play Misty for Me, 1971), foi um sucesso de crítica. Após ligeiros altos e baixos (mais altos que baixos), Eastwood recebeu sua primeira indicação ao Oscar 21 anos depois, por este Os Imperdoáveis. E levou o prêmio para casa.

Neste filme, ele faz William Munny, um antigo pistoleiro que tenta esquecer seu passado violento. Mas viúvo, pai de dois filhos e sem dinheiro, Will se vê obrigado a aceitar a proposta que recebe do jovem Schofield Kid (Woolvett): matar dois vaqueiros que retalharam o rosto de uma prostituta. O prêmio: 1000 dólares. Mas Will já não se sente mais o mesmo de antigamente, e resolve chamar seu antigo parceiro Ned (Freeman, perfeito mais uma vez. Aliás, quando é que a Academia vai reconhecer seu trabalho e lhe dar um Oscar?). Juntos, estes três homens partem atrás da recompensa prometida pelas prostitutas e, no caminho, acabam se deparando com o violento xerife Little Bill (Hackman).

Os Imperdoáveis não é um faroeste qualquer. Vejamos o `mocinho`, por exemplo: Munny é um homem torturado pelo passado, corroído pelo remorso de seus atos criminosos. Poderia ser, na verdade, um envelhecido `Homem Sem Nome`, personagem que Eastwood interpretou nos filmes de Leone. Munny, um homem que vivia bêbado e arranjando confusão, foi regenerado pelo amor de sua esposa Claudia. Quando esta morre, sua vida perde o sentido. Perdido, sentindo o peso da idade nas costas, ele parte em busca do dinheiro prometido como recompensa, mas a verdade pode ser outra: talvez ele esteja correndo atrás de sua própria destruição. Ou redenção. Ou ambos.

Já o xerife interpretado por Gene Hackman é um homem com idéias simples e objetivos humildes: construir sua casinha com uma varanda onde possa assistir ao pôr-do-sol. Porém, por baixo desta fachada pacata se esconde um homem vaidoso, que busca constantemente a posição de `melhor`. Quando `rouba` o biógrafo de um outro pistoleiro (interpretado magnificamente pelo sempre ótimo Richard Harris), Little Bill vê sua oportunidade de se tornar conhecido, e não a desperdiça. Passa a aproveitar todos os momentos para impressionar o escritor que o acompanha.

Outra peculiaridade do filme está no papel desempenhado pelas mulheres: Eastwood não se restringe a mostrar a típica mulher `de faroestes`: histérica, sempre apática e inexpressiva. Veja, por exemplo, as prostitutas: depois que uma delas é retalhada, elas resolvem procurar vingança a todo o custo. O curioso é que a própria vítima das agressões não se mostra tão ansiosa em se vingar quanto as demais. Parece que suas `colegas` resolvem lidar com o episódio como uma forma de expressar seu descontentamento e frustração com a vida que levam. Outro momento em que o papel da mulher no passado fica patente acontece na cena em que Ned parte com Munny atrás dos vaqueiros e, enquanto os homens se afastam, a câmera focaliza o rosto frustrado e tenso da esposa de Ned, impotente diante da decisão do marido. Um belo momento, sem dúvida.

O roteiro de David Webb Peoples é preciso, não se perdendo em uma infinidade de possíveis clichês. Apesar de inteligentes, os diálogos não resvalam no `pseudo-intelectualismo`, que soaria falso saindo da boca de personagens tão embrutecidos. Em certo momento, por exemplo, o jovem Schofield Kid está desesperado por ter matado alguém pela primeira vez. Ele procura auxílio em Munny, mas este só tem uma coisa a dizer: `Tome um trago, garoto`. Em sua lógica simples e coerente, ele disse a única coisa que se poderia esperar de um personagem destes. Ponto para Webb Peoples.

A fotografia e a reconstituição de época são perfeitas, assim como a direção segura de Eastwood. Porém, o filme escorrega em alguns pontos: quem é a prostituta Delilah, afinal de contas? O que ela quer? Por que não se manifesta? Além disso, é claro que, a uma certa altura do filme, Clint Eastwood volta a ser Clint Eastwood e deixa as agruras do passado de seu personagem para trás.

Mas são deslizes pequenos demais para comprometer a qualidade deste filme que é dedicado aos dois grandes `professores` de Eastwood: Sergio Leone e Don Siegel, que já haviam morrido quando o filme foi feito. Uma bela homenagem de Clint, sem dúvida.
``

5 de Novembro de 1997

Pablo Villaça
Avaliação do CríticoPablo Villaça
4.0
★★★★☆

O pistoleiro aposentado William Munny volta à ativa para realizar último serviço e ajudar um velho parceiro e um jovem.

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Avaliações dos Usuários

User
Usuário1 de mar. de 2022

O filme é ótimo. Acredito que Munny vai em busca de seu passado...ele não é e nunca foi um homem bom...no crepúsculo da vida sente um vazio de representar alguém que não é ele ..ele não é um criador de porcos...ele é um pistoleiro sanguinário. Litlle Bill é um homem ruim...igual a Munny...luta contra sua natureza...ele não é violento para "agradar" seu biógrafo...a natureza dele é assim. O filme é sobre esses dois homens.... Do lado de Litlle Bill ele tem seu biógrafo recém contratado. De certa modo Ned é o biógrafo de Munny. Cada um deles tem um "pistoleiro" para o arco dramático (Scofield e Bob Inglês). É um filme sobre a natureza humana masculina...as mulheres não fazem parte...por isso o não aprofundamento das personagens. Note que todos os personagens masculinos tem uma característica específica (cada um deles...o dono do bar...o ajudante do xerife...o jovem dos cavalos...todos). As mulheres não...elas são apenas o "fósforo" para trama...nada mais. O filme tecnicamente é muito bonito...a trilha é melancólica (como o personagem). O filme tem muito de Sérgio e Don... é quase um acerto de contas com o gênero que sustentou o cinema por várias décadas. Um estudo sobre a natureza humana e sua capacidade de ser violento...

User
Usuário19 de ago. de 2019

Fã do filme. Fã do blog. Deslizes pequenos? Desacordo. A cena final é brilhante. Redime a fita de qualquer deslize. Rastros de Ódio tem uma cena final equiparável. Ambos são notáveis.