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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
17/04/1998 13/03/1998 3 / 5 / 5
Distribuidora

O Homem da Máscara de Ferro
The Man in the Iron Mask

Dirigido por Randall Wallace. Com: Leonardo DiCaprio, John Malkovich, Gabriel Byrne, Jeremy Irons, Gérard Depardieu, Anne Parillaud, Judith Godrèche.

Alexandre Dumas pai é, sem dúvida, meu escritor favorito. Sou absolutamente fanático pelo modo como ele, habilmente, construía seus livros mesclando fatos históricos com outros absolutamente fictícios. A Rainha Margot, O Conde de Monte Cristo e Os Três Mosqueteiros são bons exemplos disso.

Assim sendo, foi com imensa expectativa que me preparei para assistir a esta adaptação de O Homem da Máscara de Ferro. Confesso que estava bem otimista, afinal Randall Wallace (o roteirista de Coração Valente) tinha boas credenciais para se aventurar a adaptar um livro de Dumas. Além disso, John Malkovich, Gérard Depardieu e Jeremy Irons interpretando Athos, Porthos e Aramis era mais do que qualquer um poderia desejar.

E, no entanto, o filme me decepcionou profundamente. O roteiro é fraco, a direção (do próprio Wallace) é medíocre, a trilha sonora não envolve e Leonardo DiCaprio, que tem importância fundamental na história, está completamente perdido. Não que eu julgue DiCaprio mau ator. Não, pelo contrário: ninguém que tenha visto Gilbert Grape ou O Despertar de um Homem poderia dizer isso. DiCaprio tem um imenso potencial - e, no entanto, seu desempenho em O Homem da Máscara de Ferro é fraquíssimo. Um exemplo claro acontece na cena em que Phillipe tem sua máscara removida depois de 6 anos. Qual é sua reação? Ele chora? Ri? Puxa os próprios cabelos? Se acaricia? Nada disso: ele se toca, com o rosto absolutamente sem expressão, e desmaia. Uma cena terrivelmente conduzida, na verdade. Já como Louis XIV, DiCaprio se limita a uma pose arrogante que não convence.

Mas vamos com calma. Primeiro, o roteiro: apesar de uma história envolvente (e como poderia deixar de ser?), Wallace não conseguiu, em sua adaptação, captar o que há de mais importante nos livros de Dumas: a motivação por trás de cada personagem. Em A Rainha Margot, por exemplo, o mais fascinante era observar o que movia Catarina de Médici a `conspirar` contra o próprio Rei Carlos IX, seu filho, em favor do segundo, o Duque de Anjou. E é justamente neste sentido que Wallace falha vergonhosamente em seu roteiro: falta credibilidade ao interesse do Rei Louis por Christine (Godrèche; ao sofrimento desta com relação ao destino de Raoul; e assim por diante. Se somarmos a isso a inexpressividade de DiCaprio e de Godrèche, a coisa se complica ainda mais.

Além disso, o roteiro perde um tempo precioso tentando buscar o riso fácil da platéia, como na cena em que Porthos se embriaga no estábulo e naquela em que um pássaro resolve deixar suas marcas no chapéu deste Mosqueteiro. Cheguei mesmo a pensar, em algumas horas: `Então isso é uma comédia ou o quê?`.

A direção de Wallace, além disso, é quase inócua, sem envolvimento algum. Há algumas boas cenas, mas nada demais. Os enquadramentos são convencionais, a edição apresenta graves defeitos de ritmo e as cenas de ação deixam muito a desejar com relação a outros filmes congêneres como, por exemplo, o próprio Coração Valente. Como a trilha sonora de Nick Glennie-Smith (de A Rocha) não ajuda a criar o clima adequado, tudo fica ainda pior.

No entanto, existem quatro motivos básicos para se assistir a este filme: John Malkovich, Jeremy Irons, Gérard Depardieu e Gabriel Byrne. Estes quatro atores se esbaldam em seus papéis, transmitindo com perfeição a imagem dos Mosqueteiros que, um dia, combateram os planos ardilosos do terrível Cardeal de Richelieu, mas que agora se encontram velhos e desesperançosos demais para continuar a defender um Rei que não merece esta cortesia (com exceção de D’Artagnan, que continua a acreditar que Louis vai mudar algum dia). Eu ainda poderia acrescentar Anne Parillaud (Nikita), se sua personagem tivesse uma participação mais significativa na história.

Para sorte de Randall Wallace, o material com que ele trabalhava era bom demais para ser estragado. Alexandre Dumas salvou o filme.

Caso você queira ler o livro de Alexandre Dumas, clique aqui (você terá acesso à versão on-line - em inglês - do romance). Boa leitura!
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21 de Abril de 1998

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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