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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
31/01/1997 20/12/1996 4 / 5 5 / 5
Distribuidora

Pânico
Scream

Dirigido por Wes Craven. Com Neve Campbell, Skeet Ulrich, Matthew Lillard, David Arquette, Courtney Cox, Rose McGowan, W. Earl Brown e Drew Barrymore.

Não há gênero mais repleto de clichês que o de terror. Basicamente todos os grandes clássicos do gênero usam a mesma velha fórmula para atrair legiões de fãs para os cinemas. Pânico não é diferente - nem poderia, já que é dirigido por Wes Craven, o criador de Freddy Krueger. No entanto, o roteiro escrito por Kevin Williamson inova ao brincar de maneira despudorada com sua própria proposta.

Pois Pânico nada mais é que uma grande `homenagem` aos filmes clássicos (e outros não tão clássicos) de terror de todos os tempos. Citando de Frankenstein a A Hora do Pesadelo, passando por Halloween e Candyman, o filme vai construindo sua própria história: Sidney (Campbell) é uma garota traumatizada pela morte violenta de sua mãe, que foi estuprada antes de ser `retalhada`. Graças a isso, seu namorado Billy (Ulrich) não consegue ter um momento de maior intimidade com ela. É quando um casal de adolescentes é brutalmente assassinado e a pequena cidade onde Sidney vive entra em polvorosa. E o pior: parece que o assassino está determinado a matar a garota. Se eu acrescentar que o tal assassino se veste como a Morte (com direito à máscara e tudo), não restarão dúvidas: estamos falando de um filme de terror.

No entanto, Pânico consegue ser tudo, menos isso. Para início de conversa, o tal assassino aparece o tempo todo, tirando o fator `surpresa` da história. Ora, o principal divertimento de filmes como Sexta-Feira 13 e Halloween é, justamente, quando o vilão surge do nada! Aqui, não: o tal `Father Death` (o nome da fantasia usada pelo assassino) insiste em mostrar sua carranca a todo o momento (chegando ao cúmulo de aparecer dentro de um supermercado, em plena luz do dia!).

Mas se o filme não `assusta` como um bom filme de terror deveria fazer, ele consegue criar uma certa dose de suspense que compensa o fato de que o espectador não vai pular em sua cadeira. Vamos colocar da seguinte maneira: Pânico está mais para O Silêncio dos Inocentes (embora sem tanta profundidade) do que para Evil Dead - A Morte do Demônio.

Mas e daí? O que há de mais interessante neste filme (e o que o torna tão divertido) é o fato dele ser capaz de criticar e, ao mesmo tempo, seguir todas as regras básicas que um filme de terror sempre segue, como na cena em que Sidney diz: `Eles [os filmes de terror] são sempre iguais: um assassino estúpido persegue uma mocinha peituda que não sabe interpretar e que sempre sobe as escadas de casa ao invés de fugir pela porta da frente.` Logo em seguida, o que é que a garota faz, ao ser perseguida pelo assassino? Exatamente! Sobe as escadas...

Aliás, uma das melhores cenas é aquela na qual um personagem explica o que não deve ser feito em um filme de terror, para que se possa sobreviver: não se deve fazer sexo, nem beber ou usar drogas e, é claro, nunca se deve dizer: `Volto já.`. Obviamente há uma cena de sexo nesta parte do filme, além de bebidas e um personagem dizendo: `Volto já.`.

Em suma: a maior virtude de Pânico é a auto-ironia. O filme não se leva a sério, e não quer que o levemos, tampouco. E é justamente assim que consegue atrair outra legião de fãs para o cinema. Muito inteligente, esse Kevin Williamson...

28 de Fevereiro de 1998

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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