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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
07/07/1989 03/02/1989 2 / 5 / 5
Distribuidora

Quem É Harry Crumb?
Who`s Harry Crumb?

Dirigido por Paul Flaherty. Com: John Candy, Jeffrey Jones, Annie Potts, Tim Thomerson, Barry Corbin, Shawnee Smith e James Belushi.

Eu gosto de John Candy. Desde que vi Splash - uma Sereia em Minha Vida (onde ele fazia o assanhado irmão de Tom Hanks), este grande (com o perdão do trocadilho) comediante me diverte. No entanto, Candy - que faleceu precocemente, aos 43 anos - tinha um grave problema de julgamento quanto aos filmes em que participava. Não raro ele intercalava grandes momentos (como Antes Só Do que Mal Acompanhado e Jamaica Abaixo de Zero) com filmes que não eram dignos de seu talento (como Armados e Perigosos e este Quem é Harry Crumb?).

Aqui, ele interpreta o Harry Crumb do título, um detetive descendente de uma brilhante linhagem de investigadores particulares. No entanto, Harry não é nenhum gênio. Em certo momento do filme, por exemplo, quando fica sabendo que está segurando um `ovo de pterodáctilo de 90 milhões de anos`, ele comenta: `Puxa... Eu aposto que ele deve valer alguma coisa.`.

No entanto, é justamente esse detetive incompetente que é escalado para investigar o seqüestro da filha de um milionário. Por que? Ora, porque foi justamente o chefe da cia. de investigações onde Harry trabalha que seqüestrou a garota (o filme não faz segredo quanto a este aspecto). Agora, Harry deve usar toda sua capacidade intelectual (que não é muita) para desvendar o crime. Para isso, conta com sua incrível habilidade de se disfarçar e com sua sorte.

O problema deste filme é confiar demais nas gags visuais e esquecer o roteiro. Quando as gags funcionam, tudo bem. Mas se elas falham, bem... não há mais nada que possa salvar o filme. Harry tropeça em tudo, vive caindo, quebra tudo o que vê pela frente e se machuca constantemente. No entanto, nada disso é natural. Em certo momento, quando ele está em uma sala repleta de objetos, você sabe que ele irá mexer em todos eles, até aprontar a maior confusão. Os objetos estão ali para serem quebrados. Não é o que acontecia com o Inspetor Closeau de Peter Sellers. Em A Pantera Cor-de-Rosa, Closeau também acabava entrando em grandes apuros ao tentar manipular objetos comuns. No entanto, lá o truque funcionava: o espectador ficava verdadeiramente aflito quando via o detetive se aproximando de um telefone, por exemplo. Em Quem é Harry Crumb? o artifício falha e - o que é pior - acaba cansando.

O roteiro poderia explorar, também, outros lados do personagem: Harry é um descendente fracassado de grandes detetives. Por que não explorar mais esse lado da história? Da forma como acontece no filme, isso não tem importância alguma - ele poderia ser apenas um desajeitado funcionário da companhia que a história seria a mesma. Além disso, por que não explorar a semelhança física entre Harry e o famoso detetive de ficção Hercule Poirot? Logo no início do filme, quando Harry aparece pela primeira vez, o detetive está usando um bigode que poderia ser uma paródia ao de Poirot. Talvez tornasse a coisa mais interessante, talvez não, mas... e daí? Não pioraria muito o resultado final.

Há algumas cenas engraçadas, é claro: a do jantar, em que quase todo mundo começa a roçar as pernas com alguém por baixo da mesa, é hilária. Outra cena que funciona bem é aquela em que Candy entra disfarçado em um salão de beleza e, quando a recepcionista pergunta qual é seu nome ele responde: `Djour Djilios`. A moça, então, diz: `Poderia soletrar para mim?`. A resposta: `Duvido muito. Tente com dois dês.` Talvez o único diálogo inteligente do filme.

Uma pergunta: o slogan do filme é `Nervos de aço. Corpo de ferro. Cérebro de pedra.`. A quem os produtores estavam se referindo? A Crumb ou a nós, pobres espectadores?
``

15 de Janeiro de 1998

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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