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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
23/01/1998 19/09/1997 3 / 5 3 / 5
Distribuidora

Direção

Frank Oz

Elenco

Kevin Kline , Joan Cusack , Tom Selleck , Debbie Reynolds , Matt Dillon , Wilford Brimley , Bob Newhart , Gregory Jbara

Roteiro

Paul Rudnick

Produção

Scott Rudin

Fotografia

Rob Hahn

Música

Marc Shaiman

Montagem

Daniel P. Hanley

Design de Produção

Ken Adam

Figurino

Ann Roth

Direção de Arte

Charley Beal

Será Que Ele É?
In & Out

Dirigido por Frank Oz. Com: Kevin Kline, Joan Cusack, Tom Selleck, Debbie Reynolds, Matt Dilon, Wilford Brimley, Bob Newhart, Gregory Jbara.

Quando recebeu seu Oscar por Filadélfia, uma das pessoas a quem Tom Hanks agradeceu foi um antigo professor - que era gay. Naquele caso, o tal professor era assumidamente homossexual e havia permitido que Hanks citasse seu nome no discurso, portanto a declaração do ator não causou mal a ninguém. Mas isso serviu de base para o roteirista Paul Rudnick (A Família Adams 2) criar a trama de Será Que Ele É?.

Aqui, um ator interpretado por Matt Dillon, ao receber seu Oscar, agradece a Howard Brackett (Kline), um antigo professor que - revela - é gay. O problema é que, neste caso em particular, ninguém da cidadezinha onde o pacato professor mora sabe disso - na verdade, nem o próprio. Para piorar ainda mais a situação, Brackett está prestes a se casar com Emily (Cusack), depois de um longo noivado. A vida do pobre homem vira de ponta-cabeça quando a imprensa invade a cidade a fim de entrevistá-lo. Entre as dezenas de repórteres, está Peter Malloy (Selleck), um jornalista decadente que, coincidência ou não, é gay.

O roteiro de Rudnick é leve, divertido, e brinca com as várias possibilidades que uma situação dessas geraria. Brackett não sabe que é gay, não quer ser gay, mas - para seu próprio espanto - tem uma grande tendência a ser. Assim, os melhores momentos do filme são aqueles em que ele tenta se comportar como um `homem`, mas, para sua frustração, não consegue. As piadinhas sobre `Barbra Streisand` são engraçadas, mas - de tanto serem repetidas - acabam cansando.

O papel de Brackett era destinado, a princípio, a Steve Martin, um colaborador constante do diretor Frank Oz (juntos fizeram Como Agarrar um Marido, A Pequena Loja dos Horrores, Os Safados). Aliás, certas cenas foram obviamente escritas para aproveitarem o potencial e - principalmente - os trejeitos de Martin. A cena em que Brackett tenta evitar que seu corpo se mexa enquanto uma música toca é um claro exemplo.

Mas Kline não faz feio. As sutilezas de seu personagem são perfeitamente transmitidas em gestos quase imperceptíveis. Além disso, nas cenas que exigem maior empenho físico (as que `foram feitas` para Martin) ele dá conta perfeitamente do recado. Mas a grande atração do filme é mesmo Joan Cusack. Esta talentosa comediante rouba a cena toda a vez em que aparece. E como, à medida em que o filme se desenrola, sua personagem passa a ter um destaque cada vez maior, pode-se dizer que Cusack domina Será Que Ele É?. A cena em que ela, desesperada, tenta arranjar um `heterossexual` é, sem dúvida, a melhor seqüência do filme.

Tom Selleck (sem seus famosos bigodes) também tem uma forte presença no filme. E a famosa cena do beijo entre ele e Kevin Kline já tem presença obrigatória em qualquer antologia que se faça sobre comédias de costumes.

O final do filme é um pouco `manjado` demais, mas o que se há de fazer? A pequena `lição-de-moral` poderia ter sido transmitida de uma forma melhor, mas acaba funcionando satisfatoriamente do modo como foi feita. Afinal, Será Que Ele É? é uma comédia, e não um drama sobre o preconceito com relação ao homossexualismo. Não é um filme excepcional, mas consegue fazer rir. E é isso que importa.
``

9 de Fevereiro de 1998

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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