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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
29/03/1996 29/03/1996 3 / 5 3 / 5
Distribuidora

Direção

Jonathan Lynn

Elenco

Steve Martin , Dan Aykroyd , Phil Hartman , Glenne Headly , Daryl Mitchell , Eric Edwards , Chris Rock

Roteiro

Andy Breckman , Nat Hiken

Produção

Brian Grazer

Fotografia

Peter Sova

Música

Alan Silvestri

Montagem

Tony Lombardo

Design de Produção

Lawrence G. Paull

Figurino

Susan Becker

Direção de Arte

Bruce Crone

O Sargento Trapalhão
Sgt. Bilko

Dirigido por Jonathan Lynn. Com: Steve Martin, Dan Aykroyd, Phil Hartman, Glenne Headly, Daryl ‘Chill’ Mitchell, Eric Edwards, Chris Rock.

Se tem uma coisa que me irrita profundamente são os títulos que as produções estrangeiras recebem em nosso país. Vários são os exemplos destes disparates, mas um dos que mais me frustam se refere ao título que Parenthood recebeu por aqui: O Tiro Que Não Saiu Pela Culatra - que não tem nada a ver com a história, uma sensível comédia de situações que mostra o lado bom (e ruim) da `Paternidade` do título.

Por que estou dizendo isso? Porque Parenthood também é estrelado por Steve Martin, o protagonista deste O Sargento Trapalhão - outro título miseravelmente traduzido. Afinal, se tem um adjetivo que não pode ser dado ao Sargento deste filme é `trapalhão`.

Aqui, Martin interpreta o Sargento Bilko, um militar que só consegue pensar em esquemas para usar a infra-estrutura do exército para ganhar dinheiro. Logo no início do filme, por exemplo, ele está discutindo com alguns clientes (civis) que alugaram um tanque do quartel. Depois de desligar o telefone, Bilko diz: `Estes adolescentes!`. Pois ele é assim: não há limites que possam barrar sua ganância por dinheiro.

Sgt. Bilko foi inspirado em um antigo seriado da televisão americana. Como o original nunca passou por aqui, não temos como dizer se Martin se saiu bem ou mal com relação ao que o público americano esperava ver. Assim sendo, só podemos `julgar` o filme por seus próprios méritos (e desméritos).

Primeiro, as atuações: Martin faz um bom trabalho, como sempre. Aliás, se não fosse por ele, o filme não teria salvação. Afinal, Bilko é o típico trapaceiro que é capaz de esquecer até mesmo o próprio casamento em função de uma boa aposta (o que ele já fez várias vezes). Apesar disso, não há como não gostar do homem: ele transpira confiança e esperteza. Não há nenhum obstáculo que ele não seja capaz de transpor. O melhor do filme é justamente ver como ele lida com os contratempos da maneira mais natural possível, como quem sabe que nada pode derrotá-lo. É claro que, em vários momentos, Steve Martin `escapa` do papel, fazendo suas micagens e movendo o corpo da maneira mais desengonçada possível. Tudo bem: desde O Panaca que nos acostumamos com isso. Além do mais, isso não chega a comprometer o filme - só distrai, o que não é muito bom. A `continência` de Bilko, por exemplo, é divertida... mas exagerada. Talvez se o ator tivesse conseguido se conter um pouco mais o personagem sairia ganhando. Mas, repito, Bilko não é um trapalhão.

Já os `coadjuvantes` servem como mera escada para Martin - com exceção de Dan Aykroyd, que cria um Coronel completamente pateta e digno de dó. Ele é totalmente manipulado por seu subalterno Bilko, mas não consegue deixar de se render ao charme do homem. Afinal, como resistir a um canalha que se refere à sua esposa como `Srta. Sharon Stone` e que, toda vez que o encontra, comenta: `O senhor está ótimo! Por acaso emagreceu?`. Enquanto isso, Phil Hartman faz um vilão que tenta ser tão charmoso quanto seu inimigo, mas que falha vergonhosamente. Para finalizar, Glenne Headly está desperdiçada como a noiva de Bilko, uma sombra de seu magnífico desempenho em Os Safados (também ao lado de Martin). Em nenhum momento ela diz a que veio e, o que é pior, as tentativas de humor envolvendo sua personagem são lamentáveis.

O roteiro é engraçadinho, mas não teria tido tanto sucesso se não fossem as atuações de Martin e Aykroyd. Seus únicos méritos verdadeiros acontecem nos momentos em que brinca com a ignorância de Bilko com relação à `filosofia` militar. Em certo momento, por exemplo, ao escutar o `toque de despertar` ele diz: `Que música é essa?`. Outro bom momento do filme é aquele em que, para escapar de uma inspeção-surpresa, Bilko faz com que seus homens (que o adoram) troquem de alojamento - sem perceber que o outro alojamento é feminino. No entanto, esses momentos são raros, infelizmente.

A direção não poderia ser mais impessoal: parece que O Sargento Trapalhão foi dirigido por um robô. Em nenhum instante o diretor dá um `toque` pessoal ou enquadra a cena de uma maneira diferente: é como se tivesse seguido uma espécie de `cartilha`. Porém, isso não é ruim. Provavelmente, se tivesse tentado inovar, Jonathan Lynn teria desviado a atenção das atuações, que são - repito - o forte deste filme. É até bom que não nos lembremos de que existe alguém dirigindo o espetáculo e nos concentremos na história - ou melhor, na maneira como ela é `contada` pelos atores.

Sgt. Bilko é, em suma, um filme divertido que vale uma conferida. Dos `filhotes` que Saturday Night Live gerou durante os últimos anos (afinal, os principais integrantes de seu elenco vieram deste programa), é um dos melhores - basta nos lembrarmos do ridículo Mong & Loid. Pelo menos O Sargento Trapalhão não insulta nossa inteligência - apenas brinca com ela. 
``

10 de Maio de 1998

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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