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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
08/08/1997 13/06/1997 1 / 5 2 / 5
Distribuidora

Velocidade Máxima 2
Speed 2: Cruise Control

Dirigido por Jan de Bont. Com: Sandra Bullock, Jason Patric, Willem Dafoe, Temuera Morrison, Glenn Plummer, Christine Firkins, Joe Morton.

Nunca achei que, algum dia, eu pudesse dizer isso, mas... bem, eu senti falta de Keanu Reeves em um filme pela primeira vez na vida. Mas, a bem da verdade, nem ele poderia salvar Velocidade Máxima 2: o filme foi escrito e dirigido com tanta imbecilidade, que não haveria esperanças mesmo que o casal principal fosse Meryl Streep e Robert De Niro.

Jan de Bont, que ganhou fama depois de Velocidade Máxima (que é um ótimo filme de ação), se perdeu completamente depois disso. Seu filme seguinte, Twister, pode até ter sido um sucesso de bilheteria, mas era um insulto à inteligência do espectador. Bem, se Twister era um insulto, Velocidade Máxima 2 é uma tentativa de homicídio.

Primeiro, deixe-me falar dos aspectos positivos do filme - não vai levar muito tempo: 1) Sandra Bullock está bonita como sempre; 2) é bom ouvir Carlinhos Brown em um filme comercial americano; 3) a seqüência em que o navio onde estão os heróis ameaça colidir com o petroleiro é boa; e, 4) a `gag` do pobre rapaz que teve seu carro destruído por Keanu Reeves no primeiro filme é ressucitada com sucesso nesta continuação. Pronto. Agora, vamos aos aspectos negativos:

Para início de conversa, esta continuação não foi capaz sequer de trazer de volta o herói do primeiro filme, Jack (Reeves), o que já confere ao projeto um ar de `falsidade`, digamos assim. A saída foi arranjar um novo namorado para Annie (Bullock), o que também não deixa de ser uma `traição` para os fãs do primeiro filme. O escolhido foi Jason Patric (Os Garotos Perdidos), que em matéria de interpretação nada fica a dever a seu antecessor nos braços de Bullock.

A história (que também é de Jan de Bont) é ridícula: Willem Dafoe é um especialista em programação que foi despedido de uma empresa depois que esta descobriu que ele era portador de uma doença fatal. O que ele resolve fazer? Seqüestrar um dos luxuosos navios (ou iates, não sei) desta empresa e atirá-lo contra um petroleiro, enquanto aproveita para roubar alguns diamantes que estão a bordo. Plausível como qualquer desenho animado do Papa-Léguas, não?

Ora, a grande atração do primeiro filme era o vilão de Dennis Hopper, um sujeito que tinha verdadeira adoração por bombas (em certo momento, ele dizia `As bombas foram feitas para explodir, Jack... essa é a vida delas.`). Aqui, ele é substituído por um mercenário com motivos ridículos para se sentir revoltado. Como Willem Dafoe, um ator tão fantástico, foi se deixar levar por este filme? O resultado: ele está péssimo! Suas caras e bocas tornam-se completamente ridículas. E, o que é pior: ele é obrigado a dizer textos como: `Não fuja, Annie! Volte aqui! Você é minha refém, tem que ficar comigo!`. Se eu fosse um promotor responsável por `acusar` este filme, eu diria agora: `A promotoria encerra o caso, Meretíssimo`.

Mas, infelizmente, ainda tem mais: Bont dirige este filme com uma falta de competência que espanta. A câmera fica balançando, oscilando o filme todo, a fim de conferir um ritmo frenético à história. Ele não só falha neste propósito, como ainda consegue deixar metade da platéia completamente tonta. Aviso: se você tiver labirintite, não assista este filme.

Na verdade, se você não tiver labirintite, o conselho é: não assista, também. Não vale a pena.
``

11 de Janeiro de 1998

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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