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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
09/05/1997 09/05/1997 2 / 5 / 5
Distribuidora

Um Dia, Dois Pais
Father`s Day

Dirigido por Ivan Reitman. Com:Billy Crystal, Robin Williams, Julia Louis-Dreyfus, Nastassja Kinski, Charlie Hofheimer, Bruce Greenwood, Haylie Johnson.

Eu queria muito gostar deste filme. Afinal, sempre ri bastante com os filmes de Billy Crystal, principalmente aqueles roteirizados por Lowell Ganz e Baballo Mandel. Robin Williams é um de meus atores favoritos. Ivan Reitman é um grande diretor de comédias e, para completar, ainda havia a beleza de Nastassja Kinski, que faz menos filmes do que deveria.

E, no entanto, o filme é uma decepção. Ele tem bons momentos, é claro, e ri em muitos deles. Mas falta algo a Um Dia, Dois Pais: credibilidade. Em nenhum instante me convenci daquilo que a história queria me empurrar como verdade: que Williams e Crystal acreditavam, ambos, ser os pais do garoto Scott. E este é simplesmente o ponto-chave da história.

O fato é que Billy Crystal e Robin Williams queriam, há muito tempo, trabalhar juntos. Os dois são grandes amigos que nunca haviam dividido o mesmo espaço em cena, no cinema. Assim, quando surgiu o roteiro de Um Dia, Dois Pais (e ainda com o aval do talentoso `casal` de roteiristas Ganz e Mandel), não tiveram dúvidas e assinaram o contrato. Deveriam ter esperado um pouco mais.

No filme, eles interpretam dois sujeitos que são convencidos por uma antiga namorada (Kinski) de que são os pais de seu filho, que fugiu de casa. O problema é que ela diz não saber qual deles é o verdadeiro pai e pede que eles encontrem o garoto. A partir daí, Williams e Crystal se envolvem em várias confusões enquanto passam a se conhecer melhor. Isso dá oportunidade para que os dois amigos cantem, dancem, briguem e se abracem ao longo do filme. E era isso o que eles queriam: brincar nas telas. Mas nem tudo dá resultado.

Para começar, Robin Williams tem uma atuação forçada e sem graça, neste filme. Sua incrível capacidade de improvisação já mostrou bons resultados em Bom Dia, Vietnã e em A Gaiola das Loucas, entre outros, mas neste filme ela atrapalha. Suas vozes, seus trejeitos - nada funciona. A impressão que temos é a de que ele estava mais preocupado em fazer Billy Crystal rir do que à platéia. Já Crystal faz o de sempre: cita filmes, faz algumas imitações e pronto. É como digo sempre: ele é um péssimo ator - mas eu adoro vê-lo atuar.

Mas a grande decepção é o fraco roteiro de Ganz e Mandel. Os autores de Splash - Uma Sereia em Minha Vida, Parenthood, Amigos, Sempre Amigo e Esqueça Paris (para citar apenas alguns) parecem ter se acomodado, desta vez. A história segue uma fórmula-padrão e os diálogos não tem um vestígio sequer do brilhantismo dos filmes citados anteriormente. E o que é mais triste: algumas cenas foram visivelmente escritas apenas para encaixar particularidades de interpretação dos protagonistas. A cena em que Williams ensaia o encontro com seu filho é um exemplo disso. Apesar de engraçada, ela destoa do resto do filme. E este é o grande problema do roteiro: ele não tem um `centro`, equilíbrio.

Para piorar ainda mais, Ivan Reitman não estava inspirado. Basta lembrar de algumas cenas memoráveis de seus filmes anteriores, como Os Caça-Fantasmas e Irmãos Gêmeos, para constatarmos que aqui ele faz um trabalho burocrático. Ele também parece ter acreditado que bastava colocar Crystal e Williams juntos e gritar `Ação!`. Não basta.

Honestamente, espero que a dupla faça outros filmes. Sempre acreditei que os dois seriam ótimos `substitutos` para Jack Lemmon/Walter Matthau - e olha que Lemmon e Matthau são atores incomparáveis. Só torço para que, desta vez, o roteiro ajude.
``

4 de Maio de 1998

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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