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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
30/07/2004 27/02/2004 3 / 5 / 5
Distribuidora

Dirty Dancing: Noites de Havana
Dirty Dancing 2: Havana Nights

Dirigido por Guy Ferland. Com: Diego Luna, Romola Garai, Sela Ward, John Slattery, Jonathan Jackson, January Jones, Mika Boorem, René Lavan, Patrick Swayze.

É difícil explicar certos fenômenos de popularidade. Vejam, por exemplo, o caso de Dirty Dancing – Ritmo Quente, estrelado por Patrick Swayze e Jennifer Grey em 1987: mesmo contando uma história convencional de forma nada inovadora, o filme alcançou grande sucesso de bilheteria e até hoje conta com uma legião de fãs. Pois foi justamente pensando neste público que a Miramax decidiu produzir uma continuação – mas, ao que parece, o estúdio comandado por Harvey Weinstein também não conseguiu compreender quais foram os elementos exatos que fizeram do original um sucesso, já que Dirty Dancing 2: Havana Nights foi um retumbante fracasso de público, arrecadando menos de 15 milhões de dólares nos Estados Unidos.

A ironia é que o filme, apesar de falho, está longe de ser um desastre - e é estranho que os fãs do longa de 87 não tenham abraçado esta continuação. Ambientada em 1958, a história gira em torno de Katey Miller (Garai), uma jovem americana que muda com sua família para Havana, onde o pai deverá assumir um cargo em uma grande empresa. Pouco tempo depois, a moça conhece e se apaixona por Javier (Luna), um rapaz cubano que trabalha como garçom no hotel em que ela vive – e, desafiando os preconceitos de seus amigos ricos (também americanos), Katey decide entrar em um concurso de dança ao lado do namorado.

Ao contrário do que acontecia em Dirty Dancing, no qual a implicância dos pais de Baby com relação ao dançarino Johnny Castle soava forçada, baseando-se em uma série de mal-entendidos sobre uma garota grávida, aqui a resistência imposta ao namoro de Katey e Javier é mais autêntica: esperançosa de ver a filha casada com um jovem rico e `sofisticado`, Jeannie (a mãe da garota) obviamente não consegue compreender como esta poderia se interessar por um latino pobre e sem boas perspectivas profissionais (principalmente em uma época pré-revolução sexual). Ainda assim, o roteiro de Boaz Yakin e Victoria Arch jamais gasta muito tempo com estes conflitos familiares, o que revela-se uma boa decisão, já que, apesar de verossímil, o desentendimento entre Katey e sua mãe é desenvolvido de forma esquemática – e, em certo momento, Jeannie dá um tapa na filha sem motivo aparente, apenas porque é isso que as mães vistas no Cinema costumam fazer.

Por outro lado, Dirty Dancing 2 funciona bem melhor (como já seria de se esperar) quando se concentra em seus números musicais: coreografadas por JoAnn Fregalette Jansen, as seqüências de dança são envolventes e fazem jus às expectativas. E o que é melhor: Jansen desenvolve estilos diferentes para Javier e Katey, preocupando-se em refletir, em seus movimentos, a personalidade de cada um (e é óbvio que o ritmo latino serve como contraponto à rigidez da sociedade em que a protagonista vive). É uma pena, portanto, que a trilha sonora do longa não possua músicas marcantes - ao contrário do original, cujas canções fizeram sucesso em rádios de todo o mundo (especialmente os hits She’s Like the Wind e I’ve Had The Time of My Life – que, aliás, aparece brevemente nesta continuação).

Já a decisão de situar a trama na época da Revolução Cubana alcança resultados ambíguos: ao mesmo tempo em que serve como pano de fundo para a história de amor entre o casal principal (justificando, por exemplo, as dificuldades vividas pela família de Javier), o clima de instabilidade política acaba ganhando um destaque excessivo, desviando a atenção do espectador (confesso que, durante a seqüência que retrata a ocupação de Havana, pensei: `Neste exato momento, Michael Corleone está beijando o irmão e dizendo ‘Eu sei que foi você, Fredo! Você partiu meu coração!’` – num indício claro de que a desnecessária subtrama política havia comprometido minha concentração).

Demonstrando grande química, o casal formado por Romola Garai e Diego Luna cativa o público, que passa a torcer por um final feliz. Porém, como atriz, Garai deixa a desejar: entre outras coisas, seu esforço para parecer uma má dançarina torna-se patente, o que impede que acreditemos em sua evolução como parceira de Javier (já Luna comprova o carisma visto em E Sua Mãe Também e Pacto de Justiça). Enquanto isso, Patrick Swayze faz uma pequena aparição, vivendo um professor de dança, e demonstra que ainda sabe se movimentar com elegância. Ainda assim, sua participação também acaba servindo para desviar o foco do filme, o que não é nada bom.

Mas o maior pecado de Dirty Dancing: Havana Nights é negar ao espectador uma resolução satisfatória: acredite ou não, depois de criar uma imensa expectativa sobre o tal concurso de dança, o filme simplesmente deixa de mostrar a apresentação de Katey e Javier, o que é, no mínimo, frustrante (já o resultado do concurso não revelarei, obviamente).

Aliás, talvez este seja um dos motivos do fracasso desta continuação: afinal, imaginem se, no original, acompanhássemos todos os ensaios de Baby e Johnny, mas ficássemos do lado de fora do salão quando estes entrassem no palco. Aposto que, neste caso, Dirty Dancing – Ritmo Quente teria sido rapidamente esquecido – como Havana Nights certamente será.
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27 de Abril de 2004

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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