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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
22/03/2002 26/10/2001 1 / 5 1 / 5
Distribuidora

13 Fantasmas
13 Ghosts

Dirigido por Steve Beck. Com: Tony Shalhoub, Matthew Lillard, Shannon Elizabeth, Embeth Davidtz, Rah Digga, Alec Roberts e F. Murray Abraham.

A primeira coisa que aparece na tela quando 13 Fantasmas tem início é, obviamente, a vinheta da Dark Castle, empresa responsável pelo filme - e isto é o bastante para que tenhamos a exata noção do que iremos ver em seguida: realizada em computação gráfica, a vinheta mostra um castelo que traz, em sua fachada, um monstro de pedra que ruge para o espectador. Se você ficar assustado(a) com este rugido, ótimo: provavelmente irá adorar o filme. Porém, se você não se assusta apenas com efeitos visuais e sonoros e precisa de uma boa história para entrar no clima de terror, 13 Fantasmas não é a melhor opção para seu fim-de-semana.

Produzido por Robert Zemeckis e Joel Silver, o filme é uma nova versão de um `clássico` (sim, entre aspas, mesmo) realizado por William Castle em 1960, e cujo maior atrativo era o fato de que, para enxergar os fantasmas na tela, o espectador tinha que usar óculos especiais fornecidos pelo estúdio. Aliás, este recurso foi parcialmente mantido nesta refilmagem: os personagens de 13 Fantasmas ainda utilizam os tais óculos, mas o espectador consegue enxergar (mal, como explicarei mais adiante) os espectros sem obrigar os produtores a gastarem mais dinheiro produzindo os apetrechos.

A história se passa em uma mansão construída pelo milionário Cyrus Kriticos, que desenvolveu, por motivos obscuros, um meio de `colecionar` almas. Porém, depois que ele é morto por um de seus `bichinhos de estimação`, a mansão é herdada por seu sobrinho, Arthur, que perdeu a esposa em um incêndio – e já em sua primeira noite na nova casa, o sujeito descobre que o presente não foi tão bom quanto imaginava. Agora, ele terá que proteger os filhos enquanto tenta encontrar um meio de fugir da armadilha preparada por seu tio.

Assim como aconteceu em produções recentes, como A Casa da Colina (também da Dark Castle) e A Casa Amaldiçoada, o maior atrativo de 13 Fantasmas reside em sua direção de arte: a mansão com paredes de vidro é absolutamente genial, embora os roteiristas Neal Marshall Stevens e Richard D’Ovidio não encontrem uma maneira mais inteligente de utilizá-la na história, a não ser como fonte de inesgotáveis (e terríveis) piadinhas, como no momento em que Maggie, a babá dos filhos de Arthur, diz: `Já vou avisando que não lavo janelas!`. Aliás, o roteiro parece se preocupar mais em arrancar o riso do espectador do que em assustá-lo, falhando em ambos os casos. Maggie, interpretada por Rah Digga, torna-se especialmente chata em função das gracinhas que diz durante todo o filme – e que jamais funcionam (o único diálogo realmente engraçado é eliminado na versão brasileira, em função do trabalho pouco inspirado do tradutor: depois que um personagem é cortado ao meio por uma lâmina de vidro, Maggie, que ainda não está a par do ocorrido, pergunta: `Did the lawyer split?`. A legenda, por sua vez, destrói a piada com a tradução: `O advogado foi embora?`, em vez de `O advogado partiu?`).

Mas Digga não é a única integrante do elenco que deveria se envergonhar de sua escolha: até agora não consegui entender o que atores como Tony Shalhoub e F. Murray Abraham estão fazendo nesta produção (embora provavelmente tenham sido inspirados por Geoffrey Rush e Liam Neeson). E Embeth Davidtz, que interpreta Kalina, merece um prêmio (qualquer um!) pela seriedade com que explica para Arthur quais eram os objetivos de Cyrus ao construir a casa: durante todo o monólogo, fiquei esperando que ela caísse no riso e se virasse para a câmera, dizendo: `Quem foi que escreveu isso?`.

Para piorar, Steve Beck dirige o filme com uma incompetência que merece aplausos: depois que os produtores gastaram uma fortuna para criar as maquiagens dos fantasmas vistos ao longo da história, o diretor simplesmente joga o trabalho fora ao não permitir que a platéia veja o resultado com clareza, já que insiste em cortes rápidos e flashes que cobrem a aparência monstruosa das criaturas. Além disso, é impressionante que 13 Fantasmas tenha sido montado por três editores, já que a trama (na falta de um termo melhor) flui de maneira absolutamente caótica, com cortes absurdos entre ações paralelas que não apenas falham em aumentar a tensão, como tornam o filme ainda mais aborrecido.

O mais incrível é que a coisa não pára por aí: em certo momento da história, até mesmo os roteiristas parecem desistir de tentar explicar o que está acontecendo: depois que um personagem realiza uma proeza que acabara de custar a vida de outra pessoa, alguém pergunta como ele sabia que aquilo daria certo. A resposta: `Eu não sabia`. Em outras palavras: para todos os efeitos, ele havia saltado para a morte.

Talvez alguém estivesse obrigando-o a assistir a 13 Fantasmas pela segunda vez.
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4 de Maio de 2002

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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