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La Bohème

★★★☆☆3/5 estrelas
12 min

Dirigido por Robert Dornhelm. Com: Rolando Villazón, Anna Netrebko, George von Bergen, Nicole Cabell, Vitalj Kowaljow, Adrian Eröd, Ioan Holender.

 

Composta por Giacomo Puccini (e com libreto de Luigi Illica e Giuseppe Giacosa), La Bohème é considerada pelos amantes da ópera como uma das maiores representantes desta arte – e sua narrativa repleta de sentimentos intensos, dores e amores, embora frágil em sua estrutura, ganha uma ressonância tremenda justamente graças à força de sua música.

 

Seguindo fielmente a obra original, o diretor romeno naturalizado austríaco Robert Dornhelm investe, neste longa, numa abordagem que fica entre o teatral e o (quase) realista, pendendo, claro, para o primeiro: seus cenários e figurinos ganham um peso de realidade graças à sóbria fotografia de Walter Kindler e os movimentos de câmera são discretos durante a maior parte do tempo, limitando-se a seguir o eixo dos olhares dos personagens. Já a montagem, que exagera nas fusões cafonas que contrapõem os amantes em suas discussões, acerta ao menos ao inserir, durante uma das árias protagonizadas pela romântica Mimi (Netrebko, linda), um close em fusão da atriz interpretando aquele mesmo trecho de maneira diferenciada, como se víssemos duas Mimis: uma mais contida, que conta sua história de vida para Rodolfo, e outra mais intensa e apaixonada, que surge gesticulando com maior dramaticidade. Em contrapartida, as breves seqüências em preto-e-branco, que trazem apenas alguns detalhes em cor, revelam-se gratuitas, como um mero capricho estético do cineasta.

 

Porém, o maior problema deste La Bohème reside na clara “desonestidade” no que diz respeito às performances musicais do elenco: se uma das grandes forças da ópera reside no prazer de testemunhar tenores, barítonos e sopranos exibindo seus talentos ao vivo, aqui a dublagem óbvia (e mal feita) elimina esta característica – e, para piorar, alguns integrantes do elenco nem mesmo usam suas próprias vozes ao cantar (von Bergen, que tem o importante papel de Marcello, é dublado por outro artista). Já as atuações exageradas e grandiosas, que empregam gestos amplos e caretas rasgadas, assumem-se como teatrais sem, com isso, sacrificar o caráter cinematográfico do projeto, o que é uma virtude admirável.

 

Mas enquanto as árias de Puccini encantam pela forma com que oscilam elegantemente entre o dramático e o cômico, os constantes desvios feitos pela narrativa não se traduzem bem para o Cinema – e, assim, o tempo dedicado ao vendedor de brinquedos Parpignol e ao lamento de Colline por ter que vender seu casaco surgem mais como incômodas distrações do que como uma forma eficiente de expandir o universo dos personagens. Da mesma forma, a alegre brincadeira entre Marcello e Rodolfo momentos antes da chegada de uma má notícia soa gratuita e artificial, revelando-se como uma mera preparação para o choque por contraste que virá em seguida.

 

Ainda assim, La Bohème (filme) tem seus momentos de encantamento, como o plano em que Mimi abre a porta de seu apartamento para Rodolfo, num claro gesto de entrega ao seu amor, e aquele em que, pela primeira vez em toda a projeção, os personagens param de cantar por se encontrarem diante de uma tragédia que não merece melodia. Além disso, há a beleza de versos como “Eu sou um poeta; ela é a poesia”, que falam por si mesmos.

 

Encerrando-se num rápido e impactante zoom out que envia o espectador para fora do cinema com falta de ar, La Bohème representa principalmente uma curiosidade para os fãs da obra de Puccini, mas não muito mais do que isso. 

17 de Outubro de 2008

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Pablo Villaça
Avaliação do CríticoPablo Villaça
3.0
★★★☆☆

O escritor Rodolfo, o pintor Marcello, o músico Schaunard e o filósofo Colline são quatro amigos que levam uma vida cheia de privações em um sótão, no final do século 19, em Paris. Chega o fim do ano e eles decidem comemorar o Natal no pub favorito, o Café Momus, como manda o costume no Quartier Latin. Rodolfo fica em casa para terminar um artigo e conhece sua vizinha Mimi, que bate à porta pedindo fogo para as velas. Logo Rodolfo fascina-se por ela e os dois começam a viver um grande amor. O que eles não sabem é que Mimi tem uma doença fatal.

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