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Valsa com Bashir

★★★★★5/5 estrelas
12 min

Dirigido por Ari Folman. Com as vozes de Ari Folman, Ron Ben-Yishai, Ronny Dayag, Dror Harazi, Yehezkel Lazarov, Mickey Leon, Ori Sivan, Zahava Solomon.

 

Assim como o soberbo Persépolis, candidato francês ao Oscar de Filme Estrangeiro em 2008, o representante israelense para o próximo ano é uma animação para adultos que, assumindo um caráter autobiográfico, apresenta as dificuldades de seu diretor e roteirista, Ari Folman, em lidar com suas terríveis experiências durante o período em que serviu no exército israelense, estabelecendo-se, desta maneira, como um raro documentário em animação. 

 

Com as reflexões despertadas pelo encontro com um antigo companheiro do exército, Folman sente-se frustrado e preocupado por não ter uma única lembrança de seu período como militar (com exceção de seus dias de licença) – e, assim, é com surpresa que subitamente uma forte imagem lhe vem à mente, podendo estar relacionada ao terrível massacre ocorrido em Sabra e Shatila, em 1982. (Em 15 e 16 de setembro daquele ano, uma milícia libanesa cristã-falangista, revoltada com a morte de seu líder Bashir Gemayel, executou centenas - possivelmente milhares - de refugiados palestinos com a clara conivência do exército de Israel.) 

 

Usando o Cinema como exercício terapêutico, Folman constrói este Valsa com Bashir a partir de entrevistas feitas com ex-companheiros e testemunhas do massacre, constatando, ao longo do processo, o dinamismo de sua própria memória ao preencher lacunas com imagens que podem ter caráter simbólico ou representarem lembranças tristemente verdadeiras. 

 

O resultado, embora talvez não tenha o efeito catártico esperado pelo cineasta (só ele pode dizer isto), é um presente para o espectador e um resgate histórico fundamental – especialmente por vir acompanhado de um mea culpa que, convenhamos, não é muito comum no que diz respeito a Israel. 

 

Mas não é só política e psicologicamente que o filme tem peso; sua concepção visual é freqüentemente arrebatadora, empregando uma paleta melancólica que reflete a própria natureza das recordações dos personagens, podendo oscilar entre cores mais intensas de uma lembrança agradável ou o cinza-laranja de um angustiante pesadelo. Por outro lado, a animação e o design dos personagens privilegiam o realismo não só em suas expressões, mas também em seus gestos, como o tamborilar na lataria de um tanque ou o revelador fechar do colarinho num gesto de auto-preservação. 

 

Ainda assim, nada prepara o público para os impactantes minutos finais da projeção, quando Folman, reconhecendo a natureza artificial da animação para certos propósitos, inclui terríveis imagens de arquivo que surgem ainda mais aterrorizantes graças ao contraste com a estilização que as precederam – e o último segundo de filme justifica, por si só, a necessidade inconsciente do cineasta em reprimir suas próprias lembranças.

 

Observação: Crítica originalmente publicada durante a cobertura da 32ª. Mostra de SP.

 

24 de Outubro de 2008

 

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Pablo Villaça
Avaliação do CríticoPablo Villaça
5.0
★★★★★

Em uma conversa de bar, um velho amigo conta ao diretor Ari Folman sobre um pesadelo que tem todas as noites, no qual ele é perseguido por 26 cachorros. Eles concluem que o sonho pode ter uma conexão com a época de quando faziam parte do exército israelense na primeira Guerra do Líbano, no começo dos anos oitenta. Folman fica surpreendido por não lembrar de nada deste período de sua vida. Intrigado, resolve encontrar e entrevistar antigos amigos e companheiros pelo mundo, para descobrir a verdade sobre a guerra e sobre ele mesmo. À medida que vai se aprofundando, sua memória começa a desenvolver imagens surreais.

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