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Festival de Berlim 2018 - Dia #04 Festivais e Mostras

Dia 04

Hoje foram mais cinco filmes:

14) A PRECE (LA PRIÈRE)

Em certo instante do francês A Prece, o jovem Thomas, depois de um episódio de violência, é levado a cavar um imenso buraco no solo congelado sob a neve e, em seguida, voltar a cobri-lo. Sem que nenhuma palavra seja dita a respeito do objetivo do desgastante exercício, não é difícil compreender como, através do esforço físico, Thomas está sendo levado a entender como deve esvaziar-se completamente do que o aflige antes de poder se preencher do que pode torná-lo alguém mais maduro, responsável e feliz. Trata-se de uma lição importante, já que, frequentemente, tendemos a tratar os sintomas de nossas frustrações em vez da doença que os provoca.

No caso de Thomas (Anthony Bajon), o principal sintoma é sua dependência por heroína. Sim, ele verbaliza o fato de jamais ter podido contar com os pais, mas não de forma a sugerir ter compreendido como isto o impactou – e, assim, quando é levado para um centro de reabilitação localizado no meio das montanhas, sua reação imediata é a de se revoltar contra aqueles que tentam ajudá-lo e protestar contra os trabalhos que é levado a executar. Aos poucos, porém, o jovem começa a perceber as possibilidades que a experiência pode lhe oferecer e se interessa por uma moça local, Sybille (Louise Grinberg).

Evitando os clichês mais comuns nas produções do gênero, A Prece retrata os demais residentes do tal centro não como fonte de violências contra o protagonista, mas como companheiros de recuperação que o apoiam e jamais exibem qualquer traço de brutalidade, chegando a contê-lo durante uma explosão de raiva sem se entregarem ao impulso de retribuir as agressões (verbais ou físicas). Do mesmo modo, são aqueles rapazes que o ajudam em suas fortes crises de abstinência, abrindo-se também nas sessões de terapia (ou de oração, já que o local é parte de uma iniciativa da Igreja católica) – e, em diversas passagens, lembrei-me bastante do recente documentário O Trabalho, indicado ao Oscar.

Aliás, A Prece é uma obra na qual o único verdadeiro antagonista é o próprio protagonista, que insiste em sabotar a própria recuperação ao roubar um cigarro aqui ou ceder a um arroubo de ira ali. Neste sentido, o trabalho do jovem Anthony Bajon é exemplar: dono de um rosto juvenil, que ainda exibe aquela gordura facial da infância (eu o descreveria como um Leonardo DiCaprio adolescente caso não me lembrasse do verdadeiro DiCaprio na adolescência), o ator inicia a narrativa com um olhar angustiado que aos poucos vai se abrindo e tornando-se mais esperançoso e leve.

Por falar em olhar, aquele projetado pela atriz Hanna Schygulla como a irmã Myriam, criadora da instituição, é difícil de ignorar, já que consegue sugerir ao mesmo tempo uma bondade infinita, que funciona quase como um abraço, mas também um sentimento incômodo que inquieta o espectador como se escondesse algo. Isto não quer dizer, porém, que o longa tenta criticar a Igreja ou a Fé; aliás, é justamente o oposto: a estrutura oferecida a Thomas é primordial em sua recuperação – a ponto de levá-lo a desejar se tornar padre. Isto, por sua vez, gera uma questão curiosa: ao levar ao extremo algo que o fez se sentir bem, estaria o protagonista manifestando mais uma vez sua personalidade com tendências ao vício? Teria a Fé substituído a heroína? E – embora inquestionavelmente menos perniciosa fisicamente – esta nova dependência seria também prejudicial de algum modo?

Neste aspecto, o roteiro de A Prece comete um de seus poucos erros graves ao tornar a mudança na postura de Thomas diante de Deus atrelada a um incidente que teria natureza sobrenatural (um “milagre”, diríamos), o que elimina a subjetividade de sua experiência, já que também testemunhamos o que houve.

A sorte é que o filme acerta maravilhosamente em uma de suas rimas temáticas mais sutis e inspiradas ao levar Thomas a compreender o conceito de cavar a própria alma a fim de poder preenchê-la novamente. Como ele poderia fazer isso? Através do amor. Mas não por qualquer pessoa.

Ou eu esqueci de mencionar que Sybille é arqueóloga?

 

15) FILHA MINHA (FIGLIA MIA)

“Minha mãe diz que sempre devemos lavar a sujeira que fica entre os dedos do pé”, diz a pequena Vittoria em certo momento do italiano Filha Minha. Imediatamente, Angelica, uma mulher em tudo oposta aos modos da mãe da menina, responde: “A sujeira sempre dá um jeito de entrar em todos os lugares”. É uma troca de diálogos breve, mas que revela o contraste fundamental entre as visões de mundo das duas mulheres respectivamente interpretadas por Valeria Golino e Alba Rohrwacher.

O que Vittoria (a estreante Sara Casu) não sabe, porém, é que sua fascinação pelo modo de vida de Angelica talvez tenha uma explicação mais profunda: na verdade, ela é filha daquela mulher que mora em uma casa fora do vilarejo situado na Sardenha, tendo sido entregue a Tina logo após o nascimento. Desde então, esta última vem oferecendo apoio financeiro à mãe biológica da menina num acordo tácito por seu silêncio, mas agora, perto de completar dez anos, a criança se aproxima naturalmente de Angelica, levando a mãe adotiva a uma ansiedade cada vez maior.

Fotografado com cores quentes por Vladan Radovic, que explora a beleza das locações, mas também seu isolamento, Filha Minha cria seu melodrama através das diferenças entre as duas mulheres e a maneira como se enxergam e lidam com o conceito de maternidade. Interpretada por Golino como uma mãe dedicada e amorosa que coloca a filha sobre todas as outras prioridades, Tina parece temer a presença de Angelica de maneira curiosamente intensa, quase como se esta pudesse expô-la como uma fraude e levá-la a perder Vittoria. O curioso é que sua relação com a filha é definida por um óbvio carinho e por uma cumplicidade importante, sendo revelador que ela mesma não consiga se dar conta de como seu elo com a criança é mais forte do que qualquer ligação biológica.

Rohrwacher, por sua vez, encarna Angelica como alguém que nunca planejou os próprios passos com uma antecedência maior do que meia hora – sendo previsível que, ao ter que preparar um café da manhã improvisado para Vittoria, não tenha nada a oferecer além de alka-seltzer sabor laranja e feijão enlatado (que a menina finge apreciar para não desapontá-la). Atriz talentosa que merece ser mais conhecida, Rohrwacher volta a trabalhar com a diretora Laura Bispuri depois da performance magistral que ofereceu em seu longa de estreia, o pouco visto Virgem Juramentada, mas desta vez, embora retrate com perfeição o lado autodestrutivo e instável de Angelica, é prejudicada por um roteiro que concebe a personagem de forma inconsistente, criando cenas nas quais seu patente alcoolismo parece fora de controle apenas para, em seguida, ela surgir perfeitamente composta por relativamente longos períodos. Em outras palavras: ela só se embebeda quando isto serve ao roteiro, perdendo totalmente a dignidade. E se a garotinha Sara Casu tem um desempenho correto como Vittoria, o veterano Udo Kier surge em algumas poucas cenas para fazer aquilo que se tornou seu ganha-pão: projetar crueldade.

Mantendo a câmera sempre em movimento e rodando longos planos que insistem em continuar mesmo quando a cena já cumpriu seus objetivos, Bispuri ainda se excede na utilização de músicas incidentais que conferem um ar cafona, novelesco, à narrativa.

O pior, contudo, é ver o bom desempenho das atrizes ser traído nos péssimos minutos finais que, em busca de uma resolução “satisfatória”, amarram o longa de forma tola, superficial e implausível.

 

 

16) THE REAL ESTATE (TOPPEN AV INGENTING)

A Suécia tem enfrentado, nos últimos anos, um grave problema de habitação em função da especulação imobiliária, que, associada a ondas de imigração e à xenofobia, resulta em uma dificuldade imensa para que um número considerável de famílias encontre moradia. Não, não sou um especialista sobre o mercado imobiliário escandinavo; esta informação é oferecida pelos diretores Måns Månsson e Axel Petersén como motivadora do filme The Real Estate, que a dupla concebeu para discutir a questão. Ao menos, é o que ela afirma, já que, assistindo ao filme, é impossível perceber isso.

Tudo bem, a intenção encontra-se presente no título em inglês, que busca um significado ambíguo ao fazer um trocadilho entre “propriedade” e “Estado”, mas o resto fica por conta das explicações dos cineastas, que escalam a atriz Léonore Ekstrand (tia de um dos diretores, por sinal) para interpretar Nojet, uma mulher de 68 anos que, depois de décadas vivendo na Espanha, volta a Estocolmo para o enterro do pai, que lhe deixa como herança um imenso edifício administrado por seu irmão adotivo e pelo filho alcoólatra deste. Decidida a vender o imóvel o mais rapidamente possível, a protagonista enfrenta a resistência dos parentes, que vêm explorando os imigrantes desesperados por um lar através de contratos de sublocação abusivos; além disso, casos os residentes do prédio formem uma cooperativa oficial, a venda se tornará impossível por questões legais. Tornando-se cada vez mais ansiosa diante da situação, Nojet pede conselhos ao advogado do pai, o sinistro Lex (o estreante Christer Levin), que mantém uma carreira paralela como produtor musical e vem trabalhando com um cantor cujas letras falam dos sem-teto suecos e...

... pois é. Aos poucos, The Real Estate vai se rendendo a tons que beiram o surrealismo, como se estivesse desesperadamente em busca de uma metáfora acidental para o que quer que seja – não importando a coerência. Assim, no início a protagonista surge com as chamas do incinerador refletidas nos olhos, sugerindo suas motivações antes mesmo que a conheçamos, apenas para posteriormente ter até esta imagem roubada por Lex, cujos óculos escuros também espelham uma fogueira. O estranho é que, a partir de certo momento, o longa quase pede que simpatizemos com Nojet e seus dilemas ao retratá-la como vítima do sobrinho e de um especulador imobiliário com quem transa apenas para ser descartada (e ainda que eu aplauda conceitualmente a ideia de uma cena de sexo protagonizada por uma mulher quase septuagenária, o fato é que esta é perfeitamente descartável para a narrativa). Além disso, como os cineastas podem querer que nos apiedemos dos imigrantes explorados se estes mal são vistos no filme?

Fotografado com excesso de sombras e com a câmera sempre colada no rosto dos personagens (sem qualquer distinção a partir de suas situações particulares), The Real Estate tem ao menos um design de som marcante – nem que o objetivo deste seja deixar a experiência ainda mais desagradável ao oscilar entre zunidos, pancadas musicais e percepções subjetivas de abafamento de ruídos. E nem vou perder tempo discutindo o clímax da projeção, que ultrapassa o absurdo numa tentativa desastrosa de encontrar algum humor sombrio em uma sequência que é apenas patética.

Ou talvez eu tenha subestimado os dois diretores e estes tenham realizado este filme para resolver a crise de habitação ao torná-lo uma forma eficiente de esvaziar as salas de cinema para que possam ser ocupadas por quem precisa de teto. Se for o caso, missão cumprida.

 

 

17) BIXA TRAVESTY (IDEM)

Em todas as suas falas, a cantora Linn da Quebrada usa pronomes femininos ao se referir a coletivos, quebrando a regra gramatical de converter para o masculino qualquer grupo que contenha ao menos um elemento deste gênero (vocês sabem: ao falarmos de uma equipe que tenha 99 mulheres e um homem, diremos “eles” em vez de “elas”). Assim, no vocabulário de Linn, “todas somos”, mesmo que este “todas” inclua machos. Pode parecer uma rebeldia boba, uma trivialidade, mas pensar isto é um erro colossal: a língua é poderosa e a escolha de palavras, por mais casual que pareça, transforma ideias em contágios, ajudando a mudar consciências uma frase por vez.

Performática ao extremo, Linn é o centro do documentário Bixa Travesty, dirigido por Kiko Goifman (Morte Densa) e Claudia Priscilla, que reúne imagens de arquivo, registros pessoais, passagens de várias apresentações da cantora (e de sua parceira igualmente talentosa Jup do Bairro) e sequências nas quais a protagonista conversa diretamente com a câmera – e com o espectador –, falando ao microfone como se estivesse em um programa de rádio. A combinação de todas estas abordagens confere dinamismo à narrativa, que também se beneficia imensamente da eloquência e da inteligência de Linn, dona de uma retórica admirável.

Discutindo temas que vão desde a utilização da religião como arma de conformação diante da miséria, numa romantização da pobreza, até o machismo sistêmico que faz novas vítimas a cada segundo entre mulheres e na comunidade LGBTQ, Linn e Jup protagonizam conversas instigantes que demonstram o quanto já refletiram sobre quem são, o que querem ser (ou não) e como são percebidas pelo mundo de modo geral. É estimulante, por exemplo, acompanhá-las em suas observações sobre como o corpo da travesti é limitado, de certa forma, pela presunção de que deve necessariamente refletir a anatomia feminina; ora, para se identificar como mulher, é obrigatório implantar seios e/ou remover/esconder o pênis? Não seria esta mais uma imposição do olhar masculino? “Estou me sentindo cada vez mais engraçada”, diz Jup do Bairro ao falar sobre o assunto – e não num contexto positivo, como diria uma comediante, mas por alterar a aparência para se ajustar ao que outros determinaram como esperado de uma travesti.

E é precisamente por isso que, para elas, seus corpos são armas políticas apenas por existirem e saírem às ruas: serem vistas já é um manifesto, assim como o ato de amar alguém com identificação de gênero diversa daquela comumente aceita pelos indivíduos mais conservadores da sociedade. Neste aspecto, um beijo em público pode atuar como uma bomba, não sendo acaso que Linn se veja como uma “terrorista de gênero”.

Lamentavelmente, se a transexualidade fosse, digamos, uma etnia árabe, o Brasil seria a faixa de Gaza: país que mais mata travestis e transexuais (em 2017, foram 179 assassinatos), o Brasil é também – vejam só – o que mais gera pesquisas sobre vídeos protagonizados por transexuais em sites pornográficos, escancarando a hipocrisia de uma sociedade tomada por preconceitos. “Eu transo com você, mas não te beijo”, segundo uma amiga de Linn ouvida no documentário, é a lógica de muitos homens cis que se identificam como heterossexuais mesmo transando com travestis – e percebam como esta é uma postura que revela muito sobre a visão do sexo como arma, como algo isolado de qualquer afeto (e não estou falando de “amor”, que fique claro).

De onde vem toda essa violência? Qual é a motivação real por trás da agressão a travestis? Qual é a origem deste incômodo? Seria o medo de se ver excitado? O receio diante do que é “diferente” e, consequentemente, longe da própria realidade? Por que tantos homens abandonaram as salas de cinema durante Praia do Futuro quando o personagem de Wagner Moura transava com outro homem? A imagem do Capitão Nascimento sendo penetrado e gostando disso seria desconfortável por quê?

Explorando muito bem o talento de Linn da Quebrada e sua sintonia criativa com Jub do Bairro, Bixa Travesty é um filme que, além de tudo, atua como um bom radar acerca das preconcepções do próprio espectador – que, muitas vezes, pode nem se dar conta destas (e, sim, estou me incluindo). Uma das letras da cantora, por exemplo, traz os versos “Me arrumo tanto para ser bonita / mas até agora só deram risada” – um desabafo/protesto que complementa aquela discussão sobre percepção do feminino que mencionei anteriormente. Pois depois de ouvir a música e aplaudi-la, boa parte do mesmo público presente na sessão da Berlinale riu ao ver uma amiga de Linn vestindo roupas coloridas e um penteado elaborado enquanto cozinha.

Pelo visto, ainda somos muito mais preconceituosas do que queremos admitir.

 

18) TINTA BRUTA (IDEM)

A Porto Alegre vista em Tinta Bruta é uma cidade de pesadelo. Escura, fria e repleta de silhuetas nas janelas de prédios velhos e feios, ela parece sempre ter alguém observando de algum lugar e disposto a julgar, mas não a ajudar. Por outro lado, a violência pode chegar a qualquer momento e de forma inesperada – seja por preconceito ou por um golpe que se aproveita da carência da vítima.

Escrito e dirigido por Márcio Reolon e Filipe Matzembacher, o filme gira em torno de Pedro (Shico Menegat), um jovem retraído que, em função de um ato impulsivo cometido no passado recente, foi expulso da faculdade e corre o risco de ser condenado à prisão. Morando com sua irmã Luiza (Guega Peixoto) em um pequeno apartamento, ele ganha algum dinheiro – cada vez menos – fazendo shows pela webcam, quando se pinta com tintas neon e dança sob luz negra para espectadores anônimos que ocasionalmente lhe oferecem algum dinheiro para performances particulares (também pela câmera). Quando descobre que um outro rapaz, Leo (Bruno Fernandes), está copiando seu estilo, Pedro o convida para um encontro, o que dá início a uma série de mudanças em sua rotina.

Introduzido ao público com o rosto escondido pelos cabelos, Pedro é vivido por Menegat como um sujeito introspectivo que não parece se sentir à vontade nem mesmo quando sozinho em seu quarto. Caminhando com os braços estendidos ao lado do corpo e com a cabeça levemente projetada para a frente, ele mantém a voz sempre baixa e evita ao máximo sair de casa – e quando se encontra em público, inquieta-se ao perceber os olhares de todos sobre si (algo que os diretores retratam através da câmera subjetiva encarada pelas pessoas que passam à sua frente, ilustrando para o espectador o estado mental do protagonista).

Mas não haveria como Pedro se sentir de maneira diferente depois de passar quase toda a vida conhecendo apenas o preconceito e o julgamento (real ou imaginado; geralmente a primeira opção) de colegas de escola e faculdade. Aliás, como Leo comenta em certo ponto, para que este tipo de opressão ocorra, basta que duas ou três pessoas façam algo cruel e as demais não façam nada. Assim, como os competentes cineastas constroem a narrativa a partir do ponto de vista do rapaz, é perfeito que Tinta Bruta deixe o espectador ansioso com os sons do tráfego constante que entram pela janela de Pedro, com a tempestade que o encharca num momento já tenebroso e a sensação de abandono por parte daqueles que são importantes em sua vida (os nomes dos capítulos do filme seguem esta lógica – e o derradeiro é soberbo em seu simbolismo).

Estudo de personagem amparado pelas belas performances dos estreantes Shico Menegat, Bruno Fernandes e Guega Peixoto, o longa usa os frequentes primeiros planos para nos aproximar daqueles indivíduos, mantendo-se perto inclusive nas cenas de sexo, que combinam carinho e tesão em medidas iguais, ressaltando a ligação que Pedro experimenta com Leo (compare estas passagens com aquela na qual o jovem transa com um estranho e a diferença será clara).

Demonstrando sensibilidade também em pequenos momentos como aquele no qual a avó (Sandra Deni) pergunta a Pedro se este “tem se sentido mais feliz ou mais triste” (uma indagação tão simples e tão difícil), Tinta Bruta ainda se encerra de forma perfeita, concluindo a trajetória do protagonista num plano que é, desde já, um dos melhores que o Cinema produzirá em 2018.

19 de Fevereiro de 2018

(Dias anteriores: #01#02#03.)

Sobre o autor:

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.
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