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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
21/10/2011 01/01/1970 5 / 5 / 5
Distribuidora
Duração do filme
115 minuto(s)

Direção

Yimou Zhang

Elenco

Dongyu Zhou , Dou Shawn , Meijuan Xi , Xuejian Li , Taisheng Chen

Roteiro

Lichuan Yin , Xiaobai Gu , Mei Ah

Produção

William Kong

Fotografia

Xiaoding Zhao

Música

Qigang Chen

Montagem

Peicong Meng

Design de Produção

Ming Wu

Direção de Arte

Wu Ming

A Árvore do Amor
Shan zha shu zhi lian

Dirigido por Zhang Yimou. Com: Zhou Dongyu, Shawn Dou, Xi Meijuan, Li Xuejian, Chen Taisheng.

Zhang Yimou é um cineasta formidável e, assim, é um alívio vê-lo retornar à boa forma depois da desastrosa aberração Uma Mulher, Uma Arma e Uma Loja de Macarrão, que, estranha e caótica refilmagem de Gosto de Sangue, em nada lembrava as belas obras anteriores do diretor, como Lanternas Vermelhas, Herói, O Caminho para Casa e A Maldição da Flor Dourada, entre outros. Trabalhando aqui a partir do romance Ai Mi, Yimou concebe uma história humana e tocante que consegue a proeza de flertar com o melodrama sem ser por este engolido ou sabotado.

Ambientado durante a Revolução Cultural chinesa na década de 60, o filme acompanha a jovem Jing (a excepcional estreante Zhou Dongyu), que, enviada para o campo a fim de “aprender os valores dos camponeses”, acaba conhecendo o geólogo Sun (Dou). Empenhando-se para recuperar a honra de sua família, abalada pela prisão do pai direitista, a moça inicialmente tenta ignorar os avanços do rapaz, mas os dois acabam se apaixonando e colocando em risco a posição de Jing em seu novo emprego.

Adotando uma estratégia narrativa curiosa ao incluir, de tempos em tempos, letreiros que descrevem passagens de tempo e sentimentos dos personagens, Yimou acaba conferindo, com isso, um caráter literário, romântico e emocionalmente épico à sua história. Por outro lado, o cineasta demonstra sensibilidade ao construir aquele romance também através de sutilezas, como ao retratar, por exemplo, o primeiro toque entre os amantes, quando Sun vence a resistência de Jing em lhe dar a mão com delicadeza e respeito.

Casto em função do contexto cultural e político do país e também devido à ingenuidade da jovem protagonista, A Árvore do Amor é doce em sua abordagem de um envolvimento amoroso quase platônico – e mesmo quando um arremedo de intimidade física surge entre o casal, Yimou se concentra mais nas expectativas e reações dos jovens do que no ato em si, mantendo sua câmera colada ao rosto dos atores e permitindo que testemunhemos a ansiedade e o desejo em seus olhos. Aliás, isto demonstra a confiança do cineasta em seu elenco – uma confiança justificada pela dinâmica estabelecida entre Dongyu e Shawn (também estreante, diga-se de passagem), que se entregam com tamanha naturalidade aos personagens que podemos quase enxergar o sentimento que surge entre eles, tamanha sua força.

Belissimamente fotografado por Zhao Xiaoding, colaborador de Yimou desde que trabalhou como operador de câmera em Herói, o longa faz um ótimo uso das locações, desde os campos floridos percorridos pelos personagens até o vale que abriga a pequena vila visitada por Jing (e, neste sentido, o design de produção também merece créditos, destacando-se também no fantástico trabalho de recriação de época).

Com um terceiro ato que, em mãos mais pesadas, poderia se transformar num água-com-açúcar cafona e irritante, A Árvore do Amor emociona não por ser apelativo ou maniqueísta, mas por ter conseguido levar o espectador a conhecer aqueles personagens e a torcer por sua felicidade. E que Zhang Yimou, aos 60 anos de idade, demonstre tamanha sensibilidade ao retratar o amor adolescente é uma prova de seu talento como cineasta e também de sua profunda humanidade.

Observação: esta crítica foi originalmente publicada como parte da cobertura do Festival do Rio de 2011.

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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