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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
19/05/2005 16/05/2005 5 / 5 4 / 5
Distribuidora

Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith
Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith

Dirigido por George Lucas. Com: Ewan McGregor, Hayden Christensen, Ian McDiarmid, Natalie Portman, Samuel L. Jackson, Jimmy Smits, Anthony Daniels, Christopher Lee, Keisha Castle-Hughes, Temuera Morrison, Kenny Baker, Peter Mayhew e as vozes de Frank Oz e James Earl Jones.

Atenção: Este artigo discutirá detalhes da trama de A Vingança dos Sith.

Finalmente a dimensão e a complexidade dos planos de Darth Sidious são claramente reveladas: depois de sermos apresentados ao movimento separatista, aos jogos políticos envolvendo senadores de vários planetas e à criação de um exército de clones, podemos juntar todas as peças e testemunhar o brilhantismo logístico do futuro Imperador. E se há algo que eu, honestamente, jamais imaginei ao assistir aos episódios 1, 2, 4, 5 e 6 da saga Star Wars é que os próprios cavaleiros Jedi ajudariam o vilão a derrubar a República – não por fazerem parte da conspiração, mas por agirem de forma arrogante e inconseqüente (jogando Darth Vader nos braços do Lado Negro da Força) e mesmo por traírem alguns de seus mais valiosos ideais (como comprova a cena-chave protagonizada por Mace Windu). E é fascinante perceber, também, que, diferentemente do que pensávamos, a queda de Vader tem mais a ver com seus bons sentimentos do que com suas ambições e desejos de poder. Sim, apesar da trama previsível (todo mundo sabe como a história acaba), o Episódio III surpreende através dos detalhes, ao preencher as lacunas da trama com nuances inesperadas.

Ainda assim, confesso que, durante a primeira meia hora de projeção, julguei estar assistindo ao pior capítulo da saga. A batalha espacial que abre o filme, apesar de tecnicamente impecável, é absolutamente incapaz de despertar qualquer tipo de tensão – e, para piorar, o roteirista-diretor George Lucas se entrega a um humor infantilóide que inclui robôs que dizem `Oh-oh!` quando percebem que serão destruídos e que chegam a gemer de dor. Aliás, se A Vingança dos Sith derrota os episódios anteriores nos quesitos `efeitos visuais` e `direção de arte` (Coruscant, à noite, é uma metrópole belíssima), as batalhas envolvendo sabres-de-luz já não impressionam tanto: burocráticas e pouco imaginativas, jamais evocam a coreografia com sabre duplo de Darth Maul em A Ameaça Fantasma ou mesmo a surpresa do Yoda saltitante de O Ataque dos Clones. (O único instante que quase alcança este efeito é aquele em que o General Grievous revela seus quatro sabres, mas a luta em si é decepcionante.) E se o romance entre Anakin e Amidala era esquemático no Episódio II, espere até testemunhar bobagens como um plano que recebe o nome de `Ordem 66` (por que não assumir o clichê e atacar com o 666 completo?), o `Nãããããããooooooo` gritado por um personagem no terceiro ato e, é claro, a justificativa absurda para o destino da esposa de Vader (`Ela perdeu a vontade de viver`. Hã?)

E então, quando tudo parecia perdido, eis que surge a cena em que o Senador Palpatine conversa com Anakin Skywalker em um camarote de ópera e diz: `O Bem é apenas um ponto de vista` – uma fala interessante que marca o instante preciso no qual A Vingança dos Sith revela uma natureza inesperadamente ambiciosa. A partir dali, o Episódio III abandona o tom imaturo dos dois primeiros capítulos e assume sua condição de irmão mais velho de A Nova Esperança e O Império Contra-Ataca. E se a saga Star Wars é vendida como sendo a história da ascensão-auge-queda de Darth Vader, o fato é que também poderia perfeitamente pertencer ao Senador Palpatine-Darth Sidious, já que, afinal de contas, é ele quem coloca todas as peças em movimento.

Interpretado mais uma vez por Ian McDiarmid, Palpatine é uma figura fascinante: sempre exibindo um sorriso bondoso que visa conquistar a confiança de Anakin, o Senador é um mestre da retórica – e sua defesa dos valores Sith é capaz de provocar dúvidas até mesmo no espectador, que já conhece seus propósitos obscuros. Usando o medo de Skywalker de perder sua amada, o futuro Imperador manipula o jovem Jedi com facilidade, permitindo que McDiarmid ofereça uma performance quase impecável (as risadas `diabólicas` enfraquecem a caracterização, o que é uma pena). Da mesma forma, outro `Mc` que se destaca no elenco é Ewan McGregor, que retrata Obi-Wan Kenobi como o único Jedi que se mostra realmente compreensivo e tolerante: e seu grito de frustração ao perceber a queda do discípulo é comovente (`Eu falhei com você, Anakin!`). Além disso, através de pequenos toques (como o desconforto ao pilotar sua nave), McGregor consegue ser plenamente convincente como uma versão mais jovem de Alec Guinness, o que, por si só, é uma proeza digna de nota.

Em contrapartida, Hayden Christensen jamais consegue incorporar a intensidade necessária para transformar Anakin Skywalker em uma figura de peso: se o levamos a sério é apenas porque conhecemos o Darth Vader da trilogia original e aprendemos a temê-lo e respeitá-lo. Inexpressivo e com uma maneira monocórdica de dizer suas falas, Christensen parece acreditar que, para compor o personagem, precisa apenas fazer carinha de mau e olhar de baixo para cima, o que não é verdade. Já Natalie Portman pouco pode fazer em A Vingança dos Sith, já que Amidala é relegada ao segundo plano, limitando-se a sofrer à distância por seu amado. Enquanto isso, Samuel L. Jackson surge no piloto automático; se alguém leva Mace Windu a sério como Mestre Jedi não é porque o ator nos convence disso, mas sim porque nos lembramos de todos os tipos durões que Jackson interpretou no passado.

Por outro lado, o Episódio III pode se dar ao luxo de contar com aquele que é, sem dúvida alguma, o momento dramático mais intenso de toda a saga, superando até mesmo a famosa revelação feita por Darth Vader para Luke em O Império Contra-Ataca: este momento é, obviamente, a queda dos Jedi, que George Lucas retrata de forma tragicamente triste e que é ainda mais impactante graças à trilha excepcional do mestre John Williams (cujo trabalho ao longo da saga é de incrível consistência). Da mesma forma, Lucas é extremamente bem-sucedido ao estabelecer o paralelo entre o nascimento de Luke e Leia e o (re)nascimento de Darth Vader – e o plano, em close, no qual vemos a máscara pela `primeira vez` é de tirar o fôlego. (Aliás, também gostei de ver o sósia jovem de Peter Cushing nos momentos finais, quando vemos a Estrela da Morte ao fundo.)

Quando escrevi sobre O Exterminador do Futuro 3, lamentei que o longa prejudicasse, em retrospecto, os dois primeiros filmes, já que modificava elementos importantes para o sucesso de seus antecessores. Pois é justamente o contrário que acontece com A Vingança dos Sith – e é por isto que, apesar das falhas que apontei acima, não hesito em conferir 5 estrelas ao Episódio III e colocá-lo ao lado de O Império Contra-Ataca como o melhor da saga: fechando com brilhantismo a lacuna entre os episódios II e IV, este capítulo nos faz enxergar a trilogia original de forma ainda mais complexa, já que agora conhecemos os detalhes da queda de Anakin, sua relação com Obi-Wan e percebemos que, sem saber, plantou as sementes para o retorno da Ordem Jedi.

A Vingança dos Sith, portanto, engrandece toda a saga concebida por George Lucas. Esta é, com o perdão do trocadilho, sua verdadeira Força.
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20 de Maio de 2005

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Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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