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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
01/07/1998 19/06/1998 5 / 5 5 / 5
Distribuidora

Mulan
Mulan

Dirigido por Barry Cook e Tony Bancroft. Com as vozes de (no original) Ming-Na Wen, Eddie Murphy, B.D. Wong, Harvey Fierstein, Jerry Tondo, Gedde Watanabe, Pat Morita e June Foray. Em português: Kacau Gomes, Mario Jorge, Claudio Galvan, Isaac Bardavid, Marco Rodrigo, Manolo Rey, Arthur Costa Filho e Selma Lopes.

Algumas histórias jamais poderiam ser contadas de outra maneira que não através de um desenho animado. Mulan é uma destas histórias. Baseado em uma lenda chinesa que remonta a quase 2000 anos, o filme é uma obra-de-arte de animação da Disney, sendo, desde já, uma de suas produções mais adultas.

Mulan é uma garota que quer agradar a sua família. No entanto, por mais que se prepare para ser avaliada pela Casamenteira, a garota acaba fracassando vergonhosamente e sendo desonrada pela mulher. Apesar da vergonha que isso significa para uma família chinesa que respeita, acima de tudo, as tradições, o pai de Mulan mostra-se compreensivo, dizendo para a filha que `algumas das mais belas flores são as últimas a florescerem`.

Enquanto isso, o terrível Shan-Yu, líder dos hunos, prepara-se para invadir o território chinês, ofendido com a construção da Grande Muralha. Para enfrentar os invasores, o Imperador ordena que um homem de cada família seja convocado para a batalha. Mulan, sabendo que seu velho pai não sobreviveria à guerra, foge durante a noite e, vestida como um homem, apresenta-se como a representante de sua família. É então que os espíritos de seus ancestrais acabam enviando o dragão Mushu para protegê-la.

Desde O Rei Leão a Disney não produzia um filme como este. Apesar de, particularmente, eu ter gostado de O Corcunda de Notre Dame, sou obrigado a reconhecer que o filme deixava um pouco a desejar com relação a seus antecessores - mais notadamente A Bela e a Fera e o próprio O Rei Leão. Aqui, a Disney volta a acertar contando uma história emocionante, divertida e impressionante em seu aspecto `plástico`.

Tendo traços muito mais simples e delicados que os trabalhos anteriores do estúdio, este filme é o resultado de um impressionante trabalho de pesquisa por parte do desenhista de produção Hans Bacher e do diretor de arte Ric Sluiter. A Grande Muralha, que aparece logo na seqüência que abre o filme, é maravilhosa, de tirar o fôlego. Aliás, aqui a Disney usou muito mais os recursos de computação gráfica do que em seus últimos projetos. As várias `multidões` que aparecem no filme são fabulosas e a batalha que se passa nas montanhas cobertas de neve, uma das melhores cenas de Mulan.

A trilha sonora, como sempre, é de primeira. Com um ritmo gostoso e letras divertidas, as músicas aparecem em menor quantidade do que o normal nas produções Disney, mas nos momentos-chave - sempre como recurso para desenvolver com maior agilidade a narrativa. Um exemplo é a seqüência na qual o Comandante Shang treina seu exército ao som da música Não Vou Desistir de Nenhum (I’ll Make a Man Out of You), minha preferida.

Os diálogos são divertidíssimos, especialmente os do personagem Mushu (que no original foi dublado por Eddie Murphy. Aliás, na versão brasileira o ator Mario Jorge também faz um trabalho de primeira). Há muitas risadas em Mulan, o que contrabalança o tom mais `pesado` que o filme assume em determinados momentos, como aquele em que os soldados descobrem uma vila destruída. Além disso, os roteiristas desta produção não pensaram duas vezes antes de se arriscarem em cenas mais `adultas` do que poderíamos esperar em um desenho anual da Disney. Mulan chega a nadar, nua, perto de alguns soldados (sendo que, obviamente, nada aparece). Não é a primeira vez que o estúdio adota um contexto `sexual` para uma de suas histórias (afinal, em O Corcunda de Notre Dame era óbvio o desejo que o Juiz Frollo nutria por Esmeralda), mas não deixa de ser surpreendente.

Assim, atingindo um equilíbrio importante, Mulan consegue divertir adultos e crianças. Estas últimas se divertirão com as trapalhadas do personagem Mushu e de seu fiel companheiro Gri-Li, enquanto seus pais estarão rindo... exatamente da mesma coisa, além de estarem impressionados com o magnífico visual do filme.

Se tivesse que apostar em qualquer um dos filmes que vi até agora para uma possível indicação ao Oscar de Melhor Filme de 1998, eu colocaria meu dinheiro em Mulan. O fato de ser um longa-metragem de animação não tira os méritos deste filme, que consegue divertir sem deixar de ser instigante. Uma lição da qual 99% das produções hollywoodianas se esqueceu.
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2 de Julho de 1998

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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