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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
14/12/1989 22/11/1989 5 / 5 5 / 5
Distribuidora

De Volta para o Futuro 2
Back to the Future Part II

Dirigido por Robert Zemeckis. Com: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Thomas F. Wilson, Lea Thompson, Elizabeth Shue, James Tolkan, Casey Siemaszko.

Assim como Indiana Jones e o Templo da Perdição, o segundo exemplar da trilogia De Volta Para o Futuro também é o mais sombrio dos três filmes que compõem a série. Mas, também como em Indiana, isso não compromete o resultado final, divertido e engenhoso.

Aqui, contudo, a comédia e as situações inovadoras propostas pelo primeiro filme são substituídas pela ação desenfreada, de tirar o fôlego. Ponto para a dupla de roteiristas Bob Gale e Robert Zemeckis: sabendo que o frescor da história original não poderia ser igualado, os dois bolaram uma aventura intrincada, cheia de reviravoltas e referências ao piloto da série. Assim, ao rememorarmos as aventuras de Marty McFly em 1955, um pouco da emoção que sentimos anteriormente volta a nos contagiar.

A história, que muitos críticos condenaram por ser complicada demais, é, na verdade, simples - basta ter um pouco de atenção e paciência para entendê-la. Vejamos: no final do primeiro filme, Doc Brown volta do futuro e diz para Marty que algo aconteceu aos filhos deste. Assim, no início do segundo filme, os dois (juntamente com a namorada de Marty) vão para 2015 a fim de salvar o jovem McFly da cadeia. Porém, enquanto estão no futuro, o velho Biff (sempre ele) rouba a máquina do tempo e volta para 1955. Lá, entrega ao jovem Biff um livro que contém os resultados de várias modalidades esportivas no período de 1950-2000. Assim, sabendo sempre em quem apostar, Biff se torna um magnata.

Quando Marty e Doc resolvem o problema em 2015 e voltam para 1985 (Biff já havia devolvido a máquina do tempo sem que eles percebessem), se deparam com um presente alternativo, onde Biff é poderoso e casado com a mãe de Marty (o pai, George, fôra assassinado em 1973). Agora, para trazer de volta a realidade que conhecem, os heróis devem voltar novamente para 1955 a fim de recuperar o tal livro antes que Biff se torne milionário. Por coincidência, o dia para o qual devem `viajar` é o mesmo em que o raio caiu no relógio da torre de Hill Valley e em que Marty tocava em uma festa do colégio de seus pais. Assim, ele tem que derrotar Biff ao mesmo tempo em que deve evitar encontrar seu outro `eu`. Complicado? Nem tanto.

Os efeitos especiais são fantásticos, assim como a maquiagem. Há uma cena, por exemplo, em que Michael J. Fox interpreta três personagens diferentes que interagem entre si (ele faz o papel de Marty aos 47 anos e de seus dois filhos: um rapaz e - acredite! - uma garota). A seqüência é genial. Aliás, esse tipo de `encontro` acontece várias vezes durante o filme: os dois Biffs (o de 1955 e o de 2015; os dois Doc Browns (o de 1955 e o de 1985) e os dois McFlys (ambos de 1985). Como podem ver, Gale e Zemeckis aproveitaram todas as oportunidades que tiveram para criar cenas em que os efeitos visuais eram fundamentais.

Outro ponto interessante do roteiro é a variação em cima de várias cenas do filme original: há uma seqüência igualzinha àquela em que Marty foge de Biff em um skate (aqui o skate é voador, e o velho Biff comenta: `Isso me parece familiar`.; outra em que ele pensa ter sonhado com tudo e sua mãe o traz de volta à realidade; e assim por diante. Já outras cenas foram integralmente recriadas no intuito de se inserir os personagens do segundo filme (como aquela em que Marty toca Johnny B. Good enquanto outro Marty balança no andaime sobre sua cabeça).

Como no primeiro filme, a própria cidade de Hill Valley é um importante personagem: são as mudanças que nela ocorrem que dão o tom sombrio ao presente alternativo criado por Biff. Vale, mais uma vez, a comparação com a cidadezinha de A Felicidade Não Se Compra, Bedford Falls (vide a crítica a De Volta Para o Futuro): a Hill Valley alternativa seria a Bedford Falls que existiria caso o George Bailey de James Stewart não houvesse nascido. Há que se destacar, também, a Hill Valley do futuro, uma criação fantástica do pessoal da direção de arte e da cenografia (sempre em conjunto, é claro, com Dean Cundey, o competente diretor de fotografia da série).

Há, evidentemente, alguns `furinhos` no roteiro, que são totalmente perdoáveis frente ao conjunto final. Por exemplo: de onde veio a mudança no comportamento de Doc quanto ao fato de não se conhecer o futuro? Afinal, ele quase morreu, no filme anterior, por não querer saber o que aconteceria com seu futuro `eu`. Em De Volta Para o Futuro 2, no entanto, ele leva Marty McFly para 2015 a fim de alterar, descaradamente, o rumo dos acontecimentos. Contudo, logo depois ele faz um discurso sobre a manutenção do continuum do universo.

Além disso, parece que Gale e Zemeckis não souberam bem o que fazer com Jennifer, a namorada de Marty: ela passa a maior parte do filme dormindo (vide crítica a De Volta Para o Futuro 3). Mas, afinal, quem é ela? Por que se casou com Marty? (Há uma insinuação de que o casamento não foi bem o que ela desejava, mas só.).

Mas não se deixe levar por estas últimas observações: o roteiro é genial e o elenco novamente dá um show. De Volta Para o Futuro 2 é uma continuação à altura do original e merece ser visto - antes que o velho Biff altere tudo novamente.
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6 de Novembro de 1997

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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