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Críticas por Pablo Villaça

Datas de Estreia: Nota:
Brasil Exterior Crítico Usuários
13/07/1990 25/05/1990 5 / 5 5 / 5
Distribuidora

De Volta para o Futuro 3
Back to the Future Part 3

Dirigido por Robert Zemeckis. Com: Michael J. Fox, Christopher Lloyd, Thomas F. Wilson, Mary Steenburgen, Lea Thompson, James Tolkan e Casey Siemaszko.

Reza a lenda que Robert Zemeckis mal podia conter sua ansiedade em começar a filmar a terceira parte da trilogia De Volta Para o Futuro: seu sonho era fazer um western. Dizem, inclusive, que esta ansiedade foi a principal responsável pelo ritmo frenético conferido ao segundo filme - de acordo com esta teoria, Zemeckis queria acabar logo de filmá-lo para iniciar o próximo. Se isso é verdade, eu não sei. O fato é que De Volta Para o Futuro 3 é o mais `lento` dos três filmes (devido ao fato de Zemeckis não querer terminá-lo, talvez?).

Mas veja bem: o termo `lentidão` de nada vale se for usado em comparação aos dois primeiros filmes da série. Comparado a eles, até mesmo Rambo seria considerado um filme lento. O que ocorre aqui é que Zemeckis e Gale (os roteiristas) resolveram dar uma pausa no ritmo ensandecido das cenas de ação e se aprofundar um pouco mais na psicologia dos personagens. É assim que temos, em De Volta Para o Futuro 3, um Doc Brown mais introspectivo e amargo do que nos demais filmes.

Mas me adianto. Vamos, primeiro à história: no final do filme passado, Marty havia ficado `encalhado` em 1955. Sua única esperança era uma carta que havia recebido do amigo Doc, comunicando que este agora vivia em 1885, ou seja: no velho oeste. As ordens são claras: o rapaz deve consertar a máquina do tempo com a ajuda do Doc Brown de 1955 e ir diretamente para 1985. No entanto, Marty descobre que Doc Brown fôra assassinado pelo pistoleiro Bufford Tannen (antepassado de - adivinhem - Biff) apenas 7 dias após escrever a tal carta. Assim, o herói resolve voltar ainda mais no tempo para salvar o amigo.

Já em 1885, diversas coisas irão acontecer: Marty encontra seu tataravô e Doc se apaixona, entre outras coisas. Aliás, várias pistas para o roteiro deste terceiro filme foram dadas no segundo filme da série. Exemplos: a máquina de fliperama do velho oeste que Marty joga em 2015; a referência ao bisavô de Biff em 1955; o filme de Clint Eastwood que Biff assistia em 1955 (Por um Punhado de Dólares; a falha nos circuitos da máquina do tempo, que insistiam em marcar o ano 1885; o momento em que Doc dizia ter a intenção de estudar outro grande mistério do universo - as mulheres; e assim por diante. Claro que essas `dicas` foram propositais, já que as partes 2 e 3 da série foram filmadas ao mesmo tempo.

O roteiro é perfeito: além das novidades, variações em cima de cenas já clássicas da série são feitas: a perseguição que começa em um bar; a maquete que Doc constrói para explicar seus planos; a cena em que Marty acorda e pensa ter sonhado com tudo; e assim por diante. Há, também, os velhos clichês dos faroestes: cavalos correndo em disparada em direção a um desfiladeiro; duelos ao nascer-do-sol; tiroteios no bar da cidade; enforcamentos; assaltos a trem; e, é claro, o agente funerário. Mas como De Volta Para o Futuro 3 é, antes de mais nada, uma grande homenagem ao gênero western, isto é perdoável (vide as constantes referências a um ícone do gênero, Clint Eastwood).

Como sempre, a própria cidadezinha de Hill Valley contribui muito para o decorrer da história. É divertido ver a construção daquela cidade já tão familiar aos fãs da série. Aliás, há certos detalhes tão sutis que poderiam passar desapercebidos: o `vendedor` de estrume, sr. Jones (como nos demais filmes da série; o vendedor de carruagens, sr. Statler (no primeiro filme há um certo `Statler Toyota`; etc. Observe, também, que o xerife da cidade é um antepassado do disciplinador da escola de Marty McFly, sr. Strickland. Parece que não há limites para a imaginação de Gale e Zemeckis. Quanto às atuações: mais uma vez são impecáveis, especialmente a de Christopher Lloyd.

Outra coisa que me espanta nos três filmes da série é a habilidade com que o diretor Zemeckis e os editores Schmidt e Keramidas controlam o timing das cenas de ação. O domínio das seqüências é completo, levando o espectador a uma ansiedade fabulosa. É como se a noção de tempo, tão preciosa à série, tivesse se incutido com força total nos realizadores da trilogia. Outro exemplo disso é o curioso paradoxo criado no terceiro filme: ele começa com uma cena do final do primeiro De Volta.... Interessante, não?

Para finalizar devo dizer que há um ou outro `furo` mais óbvio na produção: por que colocaram Lea Thompson para ser tataravó de Marty McFly? Afinal de contas, a atriz interpreta a mãe do personagem, e não há muito sentido em escalá-la para interpretar uma antepassada dos McFly (nome do pai de Marty). Fica, também, meu protesto: como é que Bob Gale e Robert Zemeckis não tiveram a idéia de colocar Doc e Marty doando o relógio da torre para a cidade? Se tivessem feito isso, todas as pontas da trama seriam amarradas, e o ciclo se fecharia. Mas nada é perfeito.

De Volta Para o Futuro 3 fecha com chave de ouro esta fantástica trilogia (na verdade, um grande filme de 6 horas de duração). Só espero que os realizadores reconsiderem a decisão de encerrar definitivamente a série e façam pelo menos mais um filme. Afinal, quem não adoraria assistir um De Volta Para o Futuro 4? Bom, quem sabe no futuro? Ou no passado...
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6 de Novembro de 1997

Pablo Villaça, 18 de setembro de 1974, é um crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil. Trabalha analisando filmes desde 1994 e colaborou em periódicos nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e SET. Também é professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas.

 

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